Diário da Manhã

Vamos falar de inclusão?

Esse foi o tema em debate onde recebemos no auditório da Odontologia da UPF representantes da FADEM – Fundação de Atendimento de Deficiência Múltipla, com a exibição do documentário que apresentou o CASE FADEM.  Evento de profunda reflexão onde os debatedores, Luciana Leiria Loureiro, Nina Paim Kloss, Prof. Dr. Gerson Trombetta e Prof. Dr. Francisco C. dos Santos Filho abordaram o sentido da inclusão desde um movimento de dentro para fora onde se é fundamental a presença do outro. Não se é sujeito sendo um.

Essa noite de reflexão me fez percorrer toda uma construção ao longo de minha vida profissional. Iniciei minha vida profissional trabalhando em APAE e desde então muitos questionamentos me foram surgindo. Existiria uma Psicologia para deficientes mentais? Como trabalhar sustentando uma abordagem teórica? Iniciou-se um longo percurso envolvendo estudos, observações e indignações. Poderia fazer avaliações dando classificações como Deficiência Mental Leve? Moderada? Severa? Eu olhava perplexa para essa realidade e procurava um modo de trabalhar na qual pudesse veicular a história, o sujeito e a singularidade. Pensava que aquele início, de quando chegavam até mim para avaliação era muito importante, mas também de muita responsabilidade, pois de certa maneira implicaria no futuro da criança.

Pensar em crianças com alguma deficiência, implica abrir as portas para a incerteza, pois o futuro não poderá deixar de ser tão incerto como é para qualquer ser humano e que não pode ser substituído por diagnósticos como deficiência mental leve, moderada ou severa.

Os diagnósticos, quando concebidos como déficit de capacidade, isolam o sujeito na sua limitação ficando um veredito de condenação que tem os efeitos mais nefastos. Ao procurar para debilidade uma causa única e definida, nega-se que ela possa ter um sentido, quer dizer, uma história.  Daí pensar que o drama da criança começa quando os adultos não esperam mais nada dela, pois ficam marcados para sempre pela incapacidade. Essas questões se arrastam ao longo dos anos e constituem no seu interior necessidade de reformulação.

Penso que é fundamental enfatizar que o elemento diferencial exatamente está no teor da estruturação psíquica das crianças com alguma deficiência. A complexidade desta problemática nos remete a pensar em um concomitante jogo de fatores: a questão genética e a constituição psíquica. Isto possibilita pensar na questão de diferenciar os aspectos propriamente orgânicos que constituem a causalidade de determinados transtornos no desenvolvimento e quais são aqueles derivados de enredos subjetivos. Assim, pensar que é uma convergência de fatores, ou seja, que pode haver lesão neurológica, síndromes e por consequência a isso um déficit. Isso não se pode negar. Entretanto, não podemos tomar a deficiência enquanto um modelo a definir a criança, pois ainda assim há um sujeito com capacidades e potencialidades, que sente, que pode pensar e ser pensado.

Trata-se de um sentido complexo que remete a história de cada criança e suas vivências na relação com o outro. Há uma história que ocorre e define a singularidade de cada sujeito. Nesse sentido, abre-se uma via de acesso para o conhecimento da vida psíquica, dos desejos, das fantasias e representações simbólicas que possibilita outorgar a sujeitos com deficiência um lugar para subjetividade, para reconhecer e sustentar seu desejo, ou seja, para nascer como sujeito.

Andréia Roos
Membro do Projeto – Associação de Psicanálise Núcleo de atenção à educação

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