Diário da Manhã

Quando a gente queimava bandeiras do Tio Sam!

Com o alarido provocado entre nós pela posse de Donald Trump recordei que em 1967 – tempo de ódio visceral contra os Estados Unidos – retornei de um Conselho de UNE com o que seria cópia mimeografada de um famigerado acordo MEC-USAID – documento produzido nos anos 1960, entre o Ministério da Educação brasileiro (MEC) e a United States Agency for International Development (USAID) visando dar assistência técnica e cooperação financeira para modernizar nossa educação.

Modernizar é o que as autoridades diziam, para nós era plano diabólico de dominação. Com o que a glória das glórias era ir para a rua e queimar uma bandeira do Tio Sam para ele saber com quem, realmente, estava falando.

Entre 1964 e 1968 foram 12 desses acordos, abrangendo da educação primária (atual ensino fundamental) à superior, sendo o último assinado em 1976. Os MEC-USAID “inseriam-se num contexto histórico fortemente marcado pelo tecnicismo educacional da teoria do capital humano, isto é, pela concepção de educação como pressuposto do desenvolvimento econômico”. Nesse contexto, a “ajuda externa” para a educação objetivava fornecer diretrizes políticas e técnicas para reorientar o sistema educacional, à luz das necessidades do desenvolvimento capitalista internacional.

Que dizer, nem brincar com esse tal de capitalismo, tido como veneno aos que desejavam implantar aqui a ditadura do proletariado. Para nós, vanguarda do povo, os técnicos norte-americanos “mais do que preocupados com a educação brasileira, estavam ocupados em garantir a adequação de tal ensino aos desígnios da economia internacional, sobretudo aos interesses das grandes corporações americanas.” Toóóiing!

Cinquenta anos depois a charla antiamericana é a mesma e o cara que parece assumir nossas posições – primeiro a América – atiça a raiva. Se o Trump só cuidará da vida deles porque vamos nos incomodar?

Aí qualquer exercício que encabula e deixa a gente sem saber o que fazer. Em 1967, por exemplo, o PIB brasileiro, beirava os 31 bilhões de dólares. Na mesma época o PIB americano beirava os 900 bilhões de dólares, claro que com o peso da indústria de bandeira que não dava vencimento para atender o mercado, pois o mundo inteiro se deliciava em queimá-las. Hoje nosso PIB mal passa dos três bilhões de dólares e o do Tio San chega aos 18 trilhões de dólares.

Enquanto isso o modelo de sociedade da juventude – aquele que tinha por base a tal da ditadura do proletariado – foi ruindo, ruindo e, depois de matar de fome, de frio, na tortura, nas prisões perto de cem milhões de seres humanos muda para o modelo do Tio Sam. Pelo amor de Deus Xi Jinping você abandona a ditadura do proletariado para defender a globalização? E o velho Mao vai dizer o quê? E as hemorroidas do Marx?

Estranho é que ninguém debater a respeito! Estamos todos encabulados? E o que dizer aos que pereceram ao longo do caminho?

Ah, sim, é de perguntar: o que produz de bom as universidades americanas cujo modelo queriam trazer ao Brasil? Sinceramente não sei se produzem algo de positivo para seu pais ou para a humanidade. Agora, se Prêmio Nobel significa algo de bom apenas seis delas (Stanford tem o recorde de onze prêmios) já ganharam mais de 50. Quantos os Estados Unidos são realmente imperialistas, pois já levaram 358 desses prêmios. Assim não dá, assim não dá. É envelhecer tem disso, a gente às vezes pode ficar com a sensação de ser biruta de aeroporto...

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