Diário da Manhã

Vocação Policial

Delegada Carolina Goulart

Plantonista da DPPA de Passo Fundo


O crescimento da criminalidade nos últimos anos é brutal, tanto em números como no tipo de crimes e criminosos. Aproximadamente oito brasileiros morrem por hora vítimas de homicídio no Brasil, se fizermos o cálculo por dia são mais ou menos 165, por mês são perto de 5 mil, e por ano os números chegam a 60 mil. Se desejássemos fazer um quadro comparativo destes números. Poderíamos imaginar um município inteiro como o vizinho Carazinho, com seus  59.317 habitantes, sendo atingido no ano de 2017 por uma epidemia fatal que levasse à morte todos seus moradores.

Buenas, se o exemplo fictício da cidade vizinha não lhe agrada, caro leitor, vamos as comparações reais: Em cinco anos de Guerra Civil na Síria 400 mil pessoas foram mortas, aproximadamente 80 mil por ano, número maior que o Brasil, porém, lembramos que a Síria encontra-se em GUERRA proclamada, o Brasil “não”. Todos estes números refletem o pouco valor da vida humana em nosso país e como o ato de matar tornou-se uma maneira de resolução de disputas econômicas e expansão de território comercial entre organizações criminosas. Tentam estas também intimidar o Estado e aterrorizar a população de bem e desorganizar a sociedade.

O Brasil enfrenta uma situação crítica em todos os sentidos: Saúde, educação, corrupção desenfreada, porém em relação à segurança pública e sua temerosa crise, os efeitos causados na população com a sensação de insegurança e medo são altamente impactantes. No ranking mundial, o Brasil encontra-se no “top 15”, sendo considerado um dos países mais inseguros e perigosos pra se viver. O que mais me chama atenção é a maneira com que, algumas vezes, a imprensa e a própria sociedade,  desconstrói a Polícia, esperando que policiais, que na imensa maioria são combatentes corajosos e honestos na defesa da sociedade, não revidem na exata medida da agressão que sofrem por criminosos fortemente armados que atiram pra matar, criando uma cultura de bandidolatria.

Ser policial no Brasil é tarefa árdua: Exposição diária e risco de vida pra proteger o outro, falta de reconhecimento social, remuneração não compatível com as funções exercidas... é nessa hora, diante de tantas dificuldades, tenho certeza que não só eu como todo o policial compromissado com o que faz, se questiona o porquê da escolha e se a mesma vale a pena,  a resposta não vem, mas no peito pulsa outro sentimento: VOCAÇÂO. Não tem outra explicação, é aquela tendência ou inclinação natural que direciona alguém para uma profissão, pelo menos foi o que uma professora me ensinou uma vez na 4ª série. Que bom que vários policiais vocacionados seguem firmes na luta contra criminalidade porque ela vai ser longa, dura e cansativa.

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