Diário da Manhã

A menina gostava do Diabo

Num apartamento da Avenida Presidente Getúlio Vargas, em Porto Alegre, no inicio dos anos de 1980, num domingo frio e chuvoso, uma avó e uma tia da Capital conversam animadamente com a neta/sobrinha de cinco/seis anos, de Passo Fundo. Era dia perfeito para essas maravilhosas conversas em família que permitem colocar os assuntos em dia entre os que se encontram de quando em quando por causa da distância.

Estimulada a contar novidades de sua vida no interior a menina Janaina desanda a falar como metralhadora. Ela tinha novidades. Avó e tia ouvem tudo com muita atenção inclusive porque aquela manhã caseira seria longa por levantarem mais cedo e por causa da chuva e do frio que impediram a ida da família à missa dominical na Igreja do Bairro Menino Deus.

A menina tinha assuntos até por ter passado alguns dias das férias de verão acampada com a família as margens da barragem do Capingui – dependência do Clube Náutico Capingui, pequena pérola do lazer passo-fundense – onde também conseguira fisgar e puxar seu primeiro lambari, algo que a deixara eufórica.

Tudo corria às mil maravilhas nesse papo do café da manhã caprichado para receber a ilustre visita até a menina jogar uma bomba no ambiente:

- Vovó, outra coisa boa lá no Capingui é brincar com o Diabo...

Católica, apostólica, romana avó Adolfina, mulher de fé descendente de italianos e testada nas durezas da vida quase se afoga com o café ao ouvir o que para ela é um tremendo disparate, algo insano, ainda mais partindo da menina que é sua neta. Até a tia Iodete meio que perde o rebolado com a maluquice. Difícil descrever o clima instalado.

- Meu Deus do céu, menina o que você está falando!? O que será que meu filho anda ensino para minha neta?

- É sim, vovó, é muito legal brincar com o Diabo.

- Você não pode dizer isso, você não pode e não deve gostar do diabo, tem que gostar de Jesus, diz a vovó perplexa com as veias do pescoço assumindo volume incrível dando a impressão de que ela iria ter um treco.

- Vovó todas as crianças gostam do Diabo lá no Capingui. Não sou só eu. Ele é muito querido, o Diabo sempre está brincando com as crianças, insistiu a neta/sobrinha para desespero da avó e da tia.

- Não acredito no que estou ouvindo, insistiu a avó...

- Mãe, intervém Iodete, talvez o pai dela tenha falado essas coisas para que a Janaina não tenha tanto medo do diabo como foi nosso caso quando crianças.

O bizarro mal estar que se instalara no café da manhã daquele domingo frio e chuvoso só foi dissipado quando a mãe Mara levanta e explica que Diabo era o apelido de Celso Scortegagna, um cara legal que tinha habilidade extraordinária para lidar com crianças que passavam parte do verão acampadas às margens da barragem do Capingui.

Dono de carisma fora do comum no trato com os pequenos Celso Scortegagna se movia por entre árvores, barracas de demais dependências do Clube sempre seguido por um grupo de meninos e meninas que o admiravam. A meninada o adorava e obedeciam de tal maneira a voz de comando do Diabo que alguns pais chegavam a espantar.

Hoje, só temos a dizer: descanse em Paz, amigo Diabo!

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