Diário da Manhã

Como não morrer por dentro!

Sempre percebemos quando estamos agonizando por dentro. O vazio existencial não depende de grandes acontecimentos, mas ele surge do nada. A aridez interna dá-nos conta de que algo não vai bem com relação ao trabalho de constante crescimento a que nos submetemos, cônscios de que estamos incompletos, inconclusos. Sentimos que devemos dar continuidade à evolução da nossa alma, mas, de tempos em tempos, duvidamos de que tenhamos energia e condições para isso.

Sinto que a velocidade que usamos por acompanhar o que acontece está criando uma situação de ansiedade, quando nossa atenção é chamada ao mesmo tempo para tantos interesses. A incapacidade de digerirmos com vagar – como deve ser -, leva-nos à precipitação em tirarmos conclusões sem sabedoria, eivadas de preconceito e carentes de embasamento.

Quando entro em estado de agonia da alma valho-me da literatura. Nenhum livro caiu voluntariamente no meu colo para ser lido, por óbvio. A caça ao que ler é fruto da minha vontade solitária, é, antes de tudo, um cuidado comigo mesma, necessitada de me aquietar e preencher o compromisso pessoal de não morrer por dentro. O processo de regeneração interior é silencioso e gradual. Um livro carrega-nos para fora, para vermos o mundo com amplitude.

A literatura, como um bálsamo, cura-nos enquanto descortina lugares que, visitados, tornam-se nossos, aos poucos. Os personagens movem-se dentro de situações que conhecemos e ajudam-nos a transcender as nossas, às vezes tão pesadas. A literatura encerra denúncias sociais que aqui na vida real perecem não ter solução, mas que, no livro, ajudam a compreender a nossa condição humana tão marcada por injustiças e compreendemos por que, muitas vezes, agimos movidos pela cultura, da qual é tão difícil escapar.

Um livro é cheio de luzes que se acendem pouco a pouco. A alma identifica alguns desses clarões e outros só conseguimos ver quando relemos uma obra. Há livros que guardamos pela vida afora, tal a profusão de entrelinhas, sombras, nuances que encerram, fazendo-nos reféns dele. São os livros que relemos ou deixamos ali, caso entremos em estado de agonia de novo. Há os que nos mostram que há esperança, sempre. Esses fornecem “insights” súbitos, capazes de solucionar situações até então insolúveis.

A literatura, assim como todas as artes, é capaz de provocar catarses. Vemo-nos ali, expostos e nus diante da vida. A libertação dos nossos medos, retidos na memória por anos e anos, podem ser resgatados, tirando-nos de traumas e conduzindo-nos à cura psíquica. O significado disso é imensurável. Ao fecharmos um livro compreendemos que nos apropriamos de milhares e milhares de anos de produção. Entendemos que esse livro vem impregnado de influências e memórias infinitas. Um mundo está contido em um livro e ele passa a ser parte do nosso mundo interior.

Sempre que perguntam o que se deve ler, eu respondo: Tudo o que lhe cair às mãos! Os grandes leitores passaram por um processo natural de seleção e isso é absolutamente subjetivo. Só podemos saber o que é bom se vivermos também o que não é bom. O processo de depuração do nosso gosto não acontece do dia pra noite, portanto, gosto dos que conseguem ter momentos a sós na companhia de um livro. Estamos necessitando de quietude, de diálogo com nossa alma, para que ela se revigore, tenha alimento de qualidade, se liberte do que é a morte interior. O discernimento acontece quando estamos alimentados, a compaixão existe desde que conheçamos o que é a natureza humana tão bem iluminada pelas luzes da literatura.

Devemos aproveitar os tempos que antecedem a Jornada Nacional de Literatura, para abastecermos nossas prateleiras com obras enriquecedoras, para que, agora sim, bem vivos, esperemos por algo diferente do que os noticiários tão incansavelmente vêm mostrando. E vamos lá para um clichê: Há luz no final do túnel! E há mesmo!

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