Diário da Manhã

Gostar de viver

A vida real, aquela que nos carrega para a frente todos os dias briga com a vida com a qual sonhamos. Gostaríamos de controlar o que vai lá dentro de nós e espantar os fantasmas que assombram a imaginação. Mesmo que esteja tudo bem é difícil exorcizar os demônios cujos nomes abominamos. Morte, doença, solidão, senilidade, são algumas das categorias carregadas de negatividade capazes de colocar à prova a nossa capacidade de sermos felizes.

Alguns gatilhos conseguem conectar-nos com o que há de mais sombrio e assustador, fazendo com que noites e dias sejam a personificação do inferno. Basta-nos perceber que um filho esteja com febre, ou na estrada, para que a imaginação se encarregue de colocar-nos em alerta.

No domingo estávamos comemorando a Páscoa, minha família e eu, depois de passarmos uma semana estafante. Planejamos um almoço o que sempre é muito bom. Eis que faço um monte de bobagens durante a manhã, o que acabou por estragar o dia. O resultado das minhas confusões eu vi em duas formas de pudim queimadas, e senti no odor de carvão que tomou o ambiente.  Os ferimentos nas mãos, felizmente pequenos, eram testemunhos da confusão de que fui tomada a seguir, o que me fez desistir da empreitada na cozinha.

Os episódios pascais serviram de gatilho para que me imaginasse imersa em um mundo de senilidade concreta, fazendo-me uma vítima do medo. Foi muito assustador! Mesmo consciente de que sempre fui meio atrapalhada, de que tenho quase setenta anos e alguns esquecimentos são esperados, não escapei de procurar um médico com o intuito de conseguir um remedinho milagroso capaz de afastar as brumas incapacitantes que o medo provocou.

Não consegui o remedinho, mas recomendações bem sensatas. Devo fazer avaliações em algumas áreas, que digam qual o grau de perdas que já tenho. Mais importante que isso foi a visão de mim mesma, ali, sentada em frente ao médico, relatando sofrimentos provavelmente infundados. Vi uma mulher apavorada pelo medo e, no entanto, tão saudável fisicamente. Foi bom constatar pelas frinchas da minha alma, que devo aceitar algumas fraquezas, algumas incapacidades, algumas falhas, por que são inerentes a todas as pessoas que ficam velhas.

Acredito que passamos por alguns episódios reveladores, que não devemos subestimar, por que nunca estamos prontos, nunca entendemos tudo, nunca temos sabedoria pra decifrar os mistérios da vida.

Durante a semana falou-se muito em corrupção, em delações, em personagens cuja canalhice deixou nossos estômagos revirados. Falou-se também em algo brutal capaz de levar alguns jovens a cometer suicídio. A tal “baleia azul” revela que há pessoas capazes de levar outras à morte da forma mais abjeta, violando o quarto dos nossos filhos através da internet. Percebi, assim como todos, que há meninos e meninas que preferem a morte à vida.

Pensei muito e concluí que não precisamos de pessoas com medos irracionais, de avós alimentados por temores absurdos, de pais que não conseguem perceber os filhos trancados em companhia de bandidos virtuais. Cheguei a conclusões necessárias e urgentes.

Nossas crianças e jovens só conseguirão ter segurança emocional, se puderem contar com adultos minimamente equilibrados. A desgraça que desfila pelos jornais deve correr paralela a conversas motivadoras, a bons exemplos de serenidade, a demonstrações de que não somos um povo vil, mas rico de criatividade e merecedor de que, finalmente, o país seja saneado e varrido dos corruptos, ativos e passivos.

Apesar de tudo temos que viver em abundância. Devemos viver de forma a conseguir equilibrar nossos medos com a sensatez de adultos que aprenderam com a vida real. Nós devemos isso às novas gerações.

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