Diário da Manhã

Denúncia de fraude!

Pelo fato de ficar longe de árvores fez-se necessário dar um jeito de conseguir uma. Em apartamentos não existem árvores, mas a vontade que eu tinha de conviver com elas fizeram-me procurar floriculturas, a fim de adequar meu desejo à viabilidade de alguma planta maior ocupar uma sacada de tamanho médio. Instada por conselhos profissionais escolhi um espécime de porte médio, floral na maior parte do ano e capaz de estender seus ramos, tapando ao menos em parte o sol escaldante, que o outono oferece no lado norte da minha sacada.

Escolhi uma buganville vulgarmente chamada Três Marias. Olhei a muda, linda, toda trabalhada em flores entre vermelhas e pink, e duplas. Sim, as flores eram enormes! Foi amor à primeira vista! Tipo aqueles amores instantâneos, ou famas instantâneas, ou enriquecimentos a jato. Imaginei aquelas flores enfeitando meus dias, minha sacada, minha vista da sala. Imaginei a sombra fresquinha ornada por flores duplas, enormes, refrescando as tardes quentes do meu lado norte. Uma lindeza!

Comprei um vaso enorme com capacidade para 75 quilos de terra, umas pedrinhas e uma rede de contenção dessa terra. Lá deitei minha árvore tão desejada. No entorno do vaso plantei mini bocas de leão de cor roxa. Lindas! Consegui um efeito colorido sem igual!

Nas primeiras semanas minha árvore começou a apresentar uma profusão de brotinhos em cima de cada espinho – para minha alegria. Esses brotinhos cresciam, enquanto as flores originais, aquelas duplas, começavam a cair. Por semanas vi a substituição das flores por novos galhos e flores, o que inflou meu ego de “dedo verde”, como muitas vezes fui chamada. Colhi as flores velhas e vi as novas surgirem. E elas eram – pasmem – simples.

Longe de ficar decepcionada com as flores novas, que são lindas fiquei revoltada por constatar que fui enganada pela buganvila tão sonhada. Como ela foi capaz de fazer propaganda enganosa?  Quem ensinou a ela a cultura tão brasileira de se fazer conhecer por uma coisa e ser outra? Como é que pode, no caso das plantas, comumente vistas como sem vontade, praticamente inocentes, conseguirem fraudar a proposta do que me levou a escolhê-la?

A denúncia é essa! Comprei uma buganvila dupla e consegui uma simples! Não entendo nada de plantas, embora tenha aprendido a apreciá-las. Minha pergunta é: existe alguma autoridade botânica capaz de esclarecer o fenômeno?

Enquanto cuido da minha árvore curo-me da minha carência. Enquanto vejo a metamorfose buganvílica penso no fato de sermos enganados dioturnamente. Isso não quer dizer que não ame as flores simples, por que acho-as até mais honestas, mas isso não quer dizer que não me sinto traída.

Todavia, minha sacada está muito mais alegre, muito mais fresca, muito mais de acordo com o que concebo como qualidade de vida. A planta denunciada está conquistando meu coração de forma inexorável. Eu a amo! Mas ela vendeu algo que não era capaz de ser. Mas, tipo assim, tudo bem! Peço perdão pelo “tipo assim”, mas, no caso, achei viável.

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