Diário da Manhã

Belos tapetes e belos gestos de solidariedade

O grande romancista russo Dostoiévski, num de seus romances, escreve: “O mundo será salvo pela beleza”. A solenidade de Corpus Christi nos proporcionou um breve momento para contemplar belos e coloridos tapetes e gestos de solidariedade com a doação de cobertores, roupas, alimentos, material de higiene. Foi um momento para ressaltar a capacidade humana de harmonizar e ordenar diversos elementos e cores construindo belas obras de arte em vias públicas. Corpus Christi provocou pequenas doações que resultaram em partilha e amenizaram a necessidade de algumas pessoas.

Cronologicamente foi um breve dia, mas vivencialmente foi um grande dia. Foi um dia de pausa num cotidiano onde o noticiário é recheado de tragédias, mortes violentas, corrupções e outras inúmeras cenas e atitudes “feias”. É verdade que cenas e notícias de tragédia atraem as pessoas. Talvez interessam mais que as belas e boas atitudes. Porém são cenas de destruição, de desfiguração, de desordem que destroem a beleza da vida e não edificam e nem salvam o mundo. Por isso, faz muito sentido a provocação de Dostoiévski: “O mundo será salvo pela beleza”.

Os belos tapetes, nas suas mais variadas formas e cores, proporcionaram uma compreensão e aprofundamento da presença real de Cristo, no pão e vinho consagrados. São manifestações de fé no mistério eucarístico e ao mesmo tempo torna pública e anuncia esta convicção católica. Neste sentido, é uma arte aplicada. Ela transporta ao mistério eucarístico.

A arte dos tapetes não se fecha na lógica do útil, do funcional e do dinheiro. Alguém pode questionar porque gastar tanto tempo e dinheiro para algo que tem vida breve. O evangelista Mateus conta um questionamento análogo quando uma mulher unge os pés de Jesus com um perfume caro: “Para que este desperdício? Este perfume podia ser vendido por um bom preço, e o dinheiro, dado aos pobres. Jesus respondeu e disse-lhes: Por que incomodais esta mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo” (Mateus 25, 8-10). A vida humana não pode ser reduzida ao materialismo.

A confecção dos tapetes, normalmente, é realizada voluntária e coletivamente. É uma obra de arte feita por muitas mãos. Isto significa que as pessoas envolvidas precisam estar de acordo com o projeto, dialogarem, colocarem em comum as próprias habilidades. Torna-se uma rica oportunidade de estabelecer laços, somar forças, romper a rotina e a acomodação. É uma oportunidade de exercer o voluntariado que é tão necessário na convivência social. Igualmente são belos e grandes os gestos de doação e partilha, seja de gêneros alimentícios, de higiene, dinheiro, ou qualquer outra forma. A eucaristia faz memória da doação de Cristo para a humanidade: “Isto é o meu corpo ... Isto é o meu sangue ... dado por vós”. A solidariedade é coerência com a fé celebrada e rompe o egoísmo narcisista.

Bento XVI afirma que a liturgia tem uma ligação intrínseca com a beleza. “Na liturgia brilha o mistério pascal, pelo qual o próprio Cristo atrai a Si e chama à comunhão. A beleza não é um fator decorativo da ação litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação... A verdadeira beleza é o amor de Deus que nos foi definitivamente revelado no mistério pascal”.

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