Diário da Manhã

Contraponto: Venezuela: Marx avisou, mas a esquerda esnobou

A Venezuela, hoje é mais azarada do que Argentina, Brasil, Bolívia, Chile no quesito péssimo governante, ditador populista. A máxima que Albert Einstein não teria dito, ou seja, insanidade é fazer sempre a mesma coisa esperando resultado diferente é algo que nos persegue na América do Sul. Como saber o que Freud diria da receita?

Assim, não é de estranhar que a população exausta, aposte no salvador da Pátria. Sempre achamos – especialmente os mais à esquerda – que o milagroso surgirá do nada para implantar o paraíso. Cremos tudo fácil, é só vontade politica.

A Venezuela estava em pandarecos quando Hugo Chaves sobe ao palco. Como prever, quando a cortina se abre e a luz da plateia apaga, que sob os holofotes está outro fanfarrão? Hoje o país – o mais rico da América do Sul por causa do petróleo – não tem comida, remédio, papel higiênico e quem consegue foge para esmolar no Brasil.

No palco Chaves fala em socialismo do século 21, ressuscita Simon Bolívar, tido como libertador e cria a tese bolivariana. A plateia vai ao orgasmo quando Chaves diz que “a promoção da educação pública gratuita obrigatória, o repúdio à intromissão estrangeira nas nações americanas à dominação econômica europeia e, ainda, a união dos países latino-americanos” eram partes do discurso do Simon Bolívar em 1815.

Assim, de soslaio, um projeto de lavar a alma que inclusive a esquerda brasileira apoiou – literalmente – até com grana do BNDES que agora nos falta. A esquerda tem sido assim: qualquer discurso fácil em palco iluminado é incorporado na sua cartilha da “falta de vontade politica das nossas elites”.

O que Chaves não fala no palco iluminado é de outro pensamento de Bolívar pouco difundido: “estou convencido do tutano dos meus ossos que a América só pode ser governada por déspota hábil”. Chaves disse na hora: “esse cara sou seu”. E escondeu que Bolívar também escrevera que a “a única coisa a fazer na América é ir embora”.

Afinal, qual era a do Bolívar? Como tirar duvida sobre ele? Cara confiável para a esquerda era Karl Marx, mas sua opinião foi esnobada pelo time do esquerdismo tupiniquim. Ao fazer bico para os capitalistas americanos do “New York Daily Tribune” Marx escreveu que Bolívar, cara que virou ícone do marxismo cucaracho, era covarde, despótico, egocêntrico.

Questionado pelo camarada Friedrich Engels se não estava sendo muito duro nas criticas ao “libertador”, o velho Marx foi mais duro: “Seria ultrapassar os limites querer apresentar como Napoleão I o mais covarde, brutal e miserável dos canalhas”.

Aqui nestas plagas a mistificação tem sido primorosa. Nossa preguiça mental impede questionar o que nos colocam goela abaixo e aceitamos gato por lebre, direita por esquerda, esquerda por direita e ao final e ao cabo já nem sabemos o que pensar.

Aqui a solução eficiente, que em nada nos ajuda, tem sido (como faz ainda Maduro, sucessor de Chaves e intelectualidade da esquerda em geral) culpar os Estados Unidos por nossas mazelas, pois sempre boicotam quem adoramos: Guevara, Fidel, Alende, Peron, Evita, Chaves, Lula, Morales, Cristina são especialistas em buscar os culpados por suas burradas...

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