Diário da Manhã

O roto ri do esfarrapado e o sujo do embarrado

Os viventes mais antigos e escolados nas coisas e loisas desta vida terrena diriam que vivemos, neste Brasil, uma situação assaz caótica e supinamente ambígua. Os mais pessimistas ainda acrescentariam: estamos em retirada e com pouca munição!

Seguindo o provérbio que veio com o povo das caravelas, o roto (encabulado ou não, como saber?) deita e rola rindo do esfarrapado e o sujo (com cara de pau ou não, como saber?) faz o mesmo do embarrado.

Perdemos o rumo? Será tanto assim?

Presos em nossas incontestáveis verdades desfilamos com a empáfia do rei nu da história do dinamarquês Hans Christian Andersen.

Lembram-se do causo? Vamos a ele com pequena adaptação ao novo milênio!

Um malandro se passa por exímio alfaiate de terra distante e diz ao rei que pode fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes, astutas e honestas poderiam vê-la. O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao malandro que fizesse, então, uma roupa dessas para ele.

O dito malandro recebe vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos além de cargo na corte, exigidos por ele para a confecção da tal roupa. Ele guarda tudo e fica em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis, que todas as pessoas alegavam ver, para não parecerem estúpidas ou desonestas.

Até que um dia, a paciência do rei explodiu (reis, em regra, são de paciência curta) e com seus doutos ministros e o presidente do partido foi ver o progresso do alfaiate de terra longínqua na roupa nova. Quando o malandro, falso tecelão mostra a mesa de trabalho vazia, o rei, com toda a realeza que é peculiar a um rei ungido pelos deuses, exclamou: "Que lindas vestes! Fizeste um trabalho magnífico!"

Acho essa parte maravilhosa. Embora não visse nada além de mesa vazia, pois dizer que nada enxergava seria admitir na frente de seus súditos mais importantes que não tinha inteligência, honestidade e a capacidade necessária para ser rei. Os nobres ao redor (eureca, que coisa atual grande parte com cargos em comissão e alguns até concursado) soltaram contundentes e profundos suspiros de admiração pelo belíssimo trabalho que malandro de terra longínqua executava.

Às vezes fecho os olhos e ouço o malandro garantindo que as magnificas roupas logo estariam completas, e o rei chama seu pessoal do marketing marca grande parada na cidade para que ele exibisse as vestes especiais. Tudo corria às mil maravilhas para o rei, ministros, dirigentes de estatais, das grandes empreiteiras, dos matadouros e para o público até que moleque (mandado por um cara da oposição) grita:

"O rei está nu!"

O grito é absorvido por todos, o rei se encolhe, suspeitando que a afirmação poderia ser verdadeira mas impávido e orgulhosamente e continua a procissão. Consta que o pessoal do rei vai processar o moleque, é o que se dizia enquanto eu escrevia...

Afinal, o que eu queria dizer do roto, do esfarrapado, do sujo e do embarrado? Ah, sim que essa faceta de cada militante escolher seus corruptos favoritos e debochar do corrupto favorito da turma contrária, vai passar para a história como esse causo do rei peladão. Com a agravante de ser fato real e não invenção! Como chegamos a isso?

Quem viver saberá. Mas há quem diga, no deboche, que como exigia esforço danado instaurar a moralidade – só vontade politica não era suficiente – a turminha da mortadela (da corte?) se locupletaram todos.

Comentários

Galerias de Fotos

Anuncie Aqui

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
AD-5167 Azul / Trip 06:55:00 Campinas Sextas
AD-5165 Azul / Trip 07:00:00 Campinas segunda a quinta e sábado
AD-5139 Azul / Trip 12:40:00 Campinas domingos às sextas

Baixe o Aplicativo do Jornal

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027