Diário da Manhã

Talvez sejamos mais pueris do que nossos filhos

Tenho amigos bem informados, bem falantes, leitores contumazes, que, pasmem, não têm nenhum aparelho de televisão em casa. Eles merecem meu aplauso, por rebelarem-se de forma tão contundente à massificação que essa mídia representa. Eles são uma minoria, que de tão minoria, são pouco conhecidos. Por outro lado, o aparelhinho transmissor de muitas barbaridades, alimenta o imaginário popular.

Por ocasião da interrupção da mostra de arte do Santander, deparamo-nos com manifestações maciças em favor das crianças tidas como expostas a comportamentos bestiais de artistas. Os comentários consideraram a exposição uma ofensa a crianças vulneráveis, assim como às religiões e aos cidadãos de bem. Percebia-se, paradoxalmente, que a grande preocupação nacional é a educação e preservação da inocência das crianças, veja só!

Todavia, os aparelhos de TV, ligados nas casas de todo mundo, exibem programação idiotizante, imoral, violenta tendo crianças como espectadoras grande parte do dia e da noite. A maior parte dessas crianças sequer conta com adultos educadores e salvadores da inocência para comentar o conteúdo despejado sobre elas. A turba indignada com exposições de arte, expõem seus filhos a escolas de tráfico, de corrupção, de bandalheiras, cujos conteúdos produzem um senso comum que empobrece a humanidade.

A falta de critérios com relação ao cuidado com as crianças contradiz os mais elementares conceitos de educação minimamente adequada. Peço desculpas por estar “moralizando” também, mas, permitir que crianças assistam novela das oito, sem que estejamos ali para esclarecer o que é ficção e o que é realidade, sem que, disponíveis, façamos escolhas melhores para nós mesmos. Nunca vi ninguém falar que convidou os filhos para ver Como Será, por exemplo, ou que procurou canais interessantes, a fim de resguardá-los de noticiários, nos quais desfilam os piores espécimes humanos, que mentem, manipulam, roubam, desfraldam bandeiras pseudo democráticas, em nome de uma classe política podre, sem que façamos os comentários pertinentes, simplesmente por que não estamos ali, atentos, generosos e imbuídos da nobre obrigação de educar.

O que os filhos ouvem dos adultos são palavras de baixa qualidade, que nivelam tudo por baixo, que não consideram tanta coisa boa acontecendo no nosso país. Os teatros e as exposições de arte, que deveriam ter listas de espera para entrar, filas do lado de fora, crianças curiosas, não têm a afluência condizente com o movimento cultural da nossa cidade. Quem leva crianças a esses lugares são professores e professoras, mas a turba enfurecida e moralista aguarda em casa, em frente a seus aparelhos de muitas polegadas, esperando por manchetes sensacionalistas, ou grudados em seus celulares, lendo e comentando postagens de seus amigos virtuais. Cadê a educação? Estamos ocupando nosso tempo com o quê? Perdemos horas e horas recebendo o que há de mais reles e fragmentado em matéria de informação e cultura.

Mas é assim que caminha a humanidade. Passamos por altos e baixos e, no momento atual, estamos passando por baixos inexoravelmente. No entanto, procuramos não ver, só protestar em redes sociais. A internet está sendo palanque eficiente para agressões, difamação, manifestações de ódio e intolerância. Salvemos todavia uma multidão bem intencionada que tem a ver com o que é correto, que movimenta-se elegantemente em qualquer ambiente. São os que usam o virtual e o real com a disposição de criar ambientes criativos, que condizem com o movimento humano de evoluir sempre, apesar dos retrocessos.

Somos Jornada de Literatura, somos Feira do Livro, somos Feira do Produtor, somos Agricultura Familiar, somos Passo Fundo rumo ao futuro. Somos também rede de escolas de Educação Infantil lindas, somos professores e professoras imbuídos em resistir às agressões e descasos estatais, fazendo o que é impossível pela excelência escolar. Somos pais, mães e avós incansáveis na missão de cuidar adequadamente da infância. Somos Academia de Letras, Confraria das Artes, Sociedade dos Poetas Vivos, Grupos Teatrais. Somos tantas outras grandiosidades acontecendo a ponto de ser um paradoxo importarmo-nos com o que nos apequena e infantiliza.

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