O Rio de Janeiro continua lindo, mas o bicho pegou

Ivaldino Tasca, jornalista - [email protected]

Até nós, de longe, perplexos, olhamos de soslaio sobre o que acontece no Rio de Janeiro, território, segundo antropólogos, do nascimento do jeitinho brasileiro e seu ícone, o malandro Zé Carioca concebido por Walt Disney. Pois é, e tudo agora sob o mando do Exército no quesito segurança na tentativa de tirar a cidade de uma espécie de guerra civil diante da falência do aparato estatal tido como civilizado.

Para quem como eu, que sem eira nem beira, dormiu nas areias da Praia da Urca após jantar mariscos dos nativos, pois achava a cidade (em 1968) segura, o fato arrepia. Naquela noite estrelada casais e mais casais ali faziam amor: a “Urca é lugar seguro”.

A intervenção transparece, para leigos como eu, como necessidade desesperada de se dar um tiro no escuro diante da incompetência de uma geração de governadores que consolidaram o caos de forma coletiva. E fica-se, na torcida, para o bem de cariocas e dos outros Estados, que a coisa dê certo: que tudo não seja tão só algo eleitoreiro.

Como chegamos a isso?

Não estamos preparados para saber e, com cada um de nós se postando como tendo toda a razão do mundo, podemos ficar enxugando gelo indefinidamente!

Não se trata de algo simples. Para aumentar a angustia eis que o Rio é a regra do clima de violência que construímos, de modo insólito, a partir da redemocratização por ideologia estrábica e falta de uma politica nacional para o setor.

Ao mesmo tempo o óbvio que permeia as opiniões, levanta algo que pode ser cômico nessa tragédia: se o povaréu da zona sul – Ipanema, Leblon et al –  deixar de consumir tanta droga a coisa melhora? Sei, é provocação, mas o papo no bastidor pega, ainda, aquele naco da intelectualidade tupiniquim que acha que toda cafungada é inocente! Mas afinal, quem, mesmo, sustenta o comércio desse gênero de mercadoria?

Nessa hora até surgem ilações esdrúxulas. Se a intervenção falhar (algo terrível)   bandidagem que age livre, leve e solta se sentirá no paraíso. Se a intervenção produzir o resultado esperado quem capitalizará politicamente? Bolsonaro? Piedade, painho!

Para dar aura cientifica ao texto entramos no campo que envolve antropologia, sociologia e filosofia. Pode? Mesmo insinuando provocação, não abdicamos de trazer opinião (no contexto das causas remotas da intervenção) dos pesquisadores Francesca Gino, da Harvard University e Dan Ariely da Duke University (dos Estados Unidos, sei, é provocação em excesso, mas o que fazer numa excepcionalidades?) que mergulharam para pesquisar no universo do Zé Carioca e do famoso jeitinho brasileiro.

Só transcrevo “a partir dos dados da pesquisa o conceito de jeitinho brasileiro pode ser compreendido de maneira mais clara e abrangente como uma estratégia geral de resolução de problemas, gerados a partir de hierarquias e instituições ineficientes, que envolve criatividade, a corrupção ou quebra de normas sociais, comumente visando benefício pessoal”. Que que acharam? Coisa de imperialistas americanos? Cruzes!

Sigo: “os dados da pesquisa apoiam a tese de que o jeitinho é construto cultural particular e complexo que se diferencia em aspectos cruciais de outros construtos, como o guanxi (chinês, esclareço eu), por exemplo. Ao mesmo tempo que o jeitinho tem um caráter altamente adaptativo, pois se refere à flexibilidade cognitiva dos indivíduos na resolução de problemas, ele também mostra o lado escuro da nossa criatividade para obter recursos de maneira ilícita – que o digam as cuecas dos políticos envolvidos no mensalão (lava-jato, acrescento) e...”

Encerro com a premissa básica: o governo não precisa ser perverso com o individuo para manter a sociedade segura. Mas a população achar que leis frouxas, legislativo inepto, executivo fraco, judiciário claudicante, que policia mal preparada e mal aparelhada e, ainda, crer que disciplina é sinônimo de ditatura não tem noção do que a natureza humana é capaz quando sem freios!

Sim, o Rio de Janeiro continua lindo, mas o bicho pegou.

(P.S. – Transcrevo o recado: “Na semana passada você deixou de mencionar que o Beto Albuquerque também e pré-candidato a presidente da Republica pelo PSB”).

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