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Mais de Paris

Deslocamo-nos em um ônibus cujo trajeto perfaz vários pontos turísticos de Paris, com o intuito de ter um mapa geral da cidade, que de tão enorme e diversa, necessita que se tenha uma visão total mais ou menos lógica. Como tenho tempo por aqui, a estratégia me agrada. Desembarcamos onde nos pareceu ser perto da Basílica Sacre Coeur. Só que nos pareceu perto, ou, para as dimensões de Paris, era perto mesmo. 

Caminhamos como nunca, minha Flavia e eu. O local é acidentado e provido de escadas e ladeiras quentes como bafejadas por lavas de vulcão, tal a canícula daquele ia. Enfim chegamos ao lugar, que de tão alto permitiu uma visão quase da cidade toda. De tudo que vi até agora o único prédio muito alto fica bem pertinho de onde a família da Flavia mora (Quartier Pasteur Montparnasse). Pois localizei-me dentre o mar de edificações de sete andares, que compõe o panorama parisiense. Pois, finalmente, adentramos à Basílica Du Sacre Coeur de Montmartre, uma construção católico-romana iniciada em 1815 e acabada em 1914. O templo estava quase às escuras e dentro dele milhares de turistas, não de fiéis, o que caracteriza as igrejas pelo mundo. Não conheço outras igrejas de Paris, mas essa provocou em mim algo que não esperava. Uma certa opressão tomou corpo em mim ao observar as figuras sacras que cobrem as paredes e os vitrais, por óbvio. A ostentação própria da época e da instituição me conduziram ao fato de que a Igreja era o Estado e hoje, mesmo em estados laicos, continua exercendo sua influência sobre as instituições.

Assim como no Brasil, o estado laico sofre duras restrições. Aqui como lá, há pais que não querem escolas onde se trabalha gênero; querem escolas sem partido; aqui como lá, pensa-se que não há necessidade de educar para a prática do respeito ao outro, mas que basta doutrinar para que valores sejam introjetados sem crítica. Fiquei triste ao verificar, no primeiro mundo, o que eu acreditava ser prática terceiromundista.

Peço-lhes desculpas por não enaltecer a beleza e as características do lugar. Isso é algo que não sei fazer, por ser fraca em história e em arquitetura. Mas estou proposta a contar sobre sensações e sentimentos, que é o que faço quando escrevo. O que senti ali é diferente de quando conheci a Torre Eiffel. Essa é um ícone cultural, inicialmente muito criticada por intelectuais, mas tornou-se útil para a radio difusão na segunda guerra mundial e para o turismo, que vê a torre como destino obrigatório em visita a Paris. Ela diz claramente a que veio e oferece o que turistas procuram. Todavia, para mim, funciona como a pirâmide no Louvre, que ainda não visitei. Ambas me causam uma certa estranheza, por parecerem algo fora do lugar. Ser á que sou tão insensível a ponto de não saber apreciar o que move o mundo turístico? Ou o quê?

Mas o entorno, gente, é a coisa mais linda do mundo. Ver as fontes, os jardins, a imensa planície toda verde de árvores luxuosamente recortadas para parecerem jardins suspensos, crianças brincando em inúmeros espaços destinados a elas, pessoas expondo-se ao sol, cada uma do seu jeito, deitadas na grama, andando de patinetes, de bicicletas e a pé, muito. Como se caminha em Paris! Acho que por isso são magros, todos. Encontrei uma criança gordinha nas andanças por parquinhos, só uma. Também não vi crianças comendo bobagens, bebendo sucos doces, mas muitos comendo pão e bebendo água, muita água.

E assim vou compilando experiências, observando, aprendendo e tentando transmitir o que nos faz iguais, o que nos diferencia, o que podemos copiar, o que se pode jogar fora de tão obsoleto. Estou encantada em poder fazer tudo isso sem a correria que o turismo nos impõe tradicionalmente. Os mais de dois meses que passamos na China deu-nos isso que vivo agora. Poder planejar com vagar o que fazer e o que ver, traz a tranquilidade para conhecer de verdade o que move a humanidade.

Au revoir!

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