Liberdade de ir e vir – limites

Frente às notícias do que acontece à noite na Rua Independência, ando matutando sobre liberdade de ir e vir, sobre civilidade, sobre respeito. Apesar de pensar muito e lembrar de que já fui jovem e sedenta de diversão, não consegui chegar a conclusões seguras.

Levando em consideração o que se diz em rede social fiquei pasma com a diversidade de opiniões, uma mostra de que somos uma cidade que pensa, protesta e onde o contraditório é levado em consideração. Mas há posições bem violentas, o que também retrata como vão nossas ruas.

Em defesa dos que moram por aquela redondeza, concordo que não há nada mais irritante do que tentar dormir e não conseguir por causa de barulho. Já tive algumas experiências, que me deixaram traumatizada e serviram para que me indispusesse com algumas pessoas. Essas, pela irracionalidade com que continuaram a incomodar, apesar dos apelos, me fizeram questionar o que se conversa em família e entre amigos sobre o que seja conviver com os vizinhos.

Em defesa dos que frequentam as ruas, compreendo que andar em turma é muito bom, que a “licença” para a farra acontece mesmo, por que a turma nos protege e ajuda a diluir o que cada um faz individualmente. Sei também que a bebida descontrai e dá uma sensação de que somos todos bonitos, felizes e poderosos. O que acontece amanhã é outro papo. Só no outro dia nos damos conta do engodo.

Liberdade de ir e vir é um direito constitucional, que os poderes constituídos não podem coibir. Mas não temos liberdade de entrar em uma casa sem sermos convidados, o que acontece quando fazemos barulho na rua. Não temos liberdade de fazer uma festa barulhenta que se estenda após as dez da noite. Há uma legislação a ser respeitada. Não podemos considerar a rua como nossa e jogar nela os nossos rejeitos. Garrafas, papel e urina é a sujeira mais comum em eventos de rua. Ela deve ser removida por alguém, de preferência por quem a jogou. Urina já é “cama” para andarmos pelas calçadas.

Vi argumentos de que não há lugar para os jovens. Isso quer dizer o quê? Que devemos criar um local onde se possa transgredir? Onde seria isso? Onde jovens e adolescentes poderiam jogar lixo no chão? Quem toleraria em suas dependências falta de civilidade, a ponto de colocar em risco tudo o que já conquistamos em matéria de obrigações coletivas de convivência? Mas sei que jovens necessitam de ginásios, locais para dançar, para se encontrar, para namorar. Vamos abrir as escolas para a comunidade então. Por que não?

Somos pais assustados! Acreditamos que o ECA existe para tirar nossa autoridade. Somos adultos que ousaram chamar Conselheiros Tutelares para solucionar problemas de disciplina, numa clara ignorância do que o ECA propõe. E nos tornamos reféns dos filhos. Ensinamos a eles que podem “peitar” os pais e os professores. Isso não é algo que veio do nada. O “não dá nada” foi-lhes ensinado. Não somos adultos como deveríamos ser.

Os relatos de pais e professores que já ouviram crianças fazer ameaças usando o Conselho Tutelar como aliado, são inúmeros. Crianças assim crescem e ganham as ruas sem nenhuma noção de urbanidade. Sentem-se licenciados por não admitirem “nãos”. Por não reconhecerem a autoridade de ninguém. Por desconhecerem referências que vêm de casa, no sentido de que viver em sociedade requer níveis de educação e respeito suficientes para enxergar o outro em suas necessidades.

A equação é difícil! A Rua Independência deve ser motivo para aprendermos. As autoridades não serão capazes de ensinar a meninos e meninas o que não aprenderam em casa. A lei é chamada quando a família falha na sua obrigação de promover a humanização dos seus filhos. O Conselho Tutelar foi criado para garantir direitos e antes que se diga que deve haver deveres também, vejamos de que direitos estamos falando. Comer, dormir, ter uma casa quentinha e aconchegante, uma família que funciona como tal, uma escola que acolhe, roupa adequada, segurança de não ser maltratada, nem abusada, nem escravizada são quase todos os direitos que o ECA assegura. Os deveres são consequência.

Pessoas que têm seus direitos assegurados sabem ver o outro e querem para ele o mesmo. Isso garante que sejam pessoas capazes de respeitar, de conviver pacificamente e de cumprir as leis, por reconhecê-las civilizatórias. E a civilização é uma conquista que já custou sangue suor e lágrimas – usando um lugar comum – e deve ser defendida por quem vive em sociedade.

A Rua Independência é um espelho da nossa omissão! E nossos meninos e meninas merecem muito mais do que repressão e nossa raiva. Durma-se!!!!!!!!!

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