Diário da Manhã

Expodireto Cotrijal 2016 - Personalidades do Agronegócio

Temos uma região de solo fértil e clima bom

Temos uma região de solo fértil e clima bom
Foto: DM

Aos 20 anos, Willibrordus van Lieshout tomou a decisão de deixar seu país, a Holanda, para tentar a vida no Brasil. O filho de pequenos agricultores holandeses chegou em solo brasileiro  em 1958, quando desembarcou de um navio no estado de São Paulo, onde firmou residência por dois anos e meio na cidade de Holambra. Em janeiro de 1961, o atual presidente do Sindicato Rural, chegava ao município de Não-Me-Toque onde constituiu família, investiu no agronegócio e reside até hoje. Foram cinco dias de viagem de Jeep da cidade paulista até Não-Me-Toque. Ele conta que  logo depois de se fixar como pequeno agricultor na região, onde tinha 25 hectares de terra, foi convidado a participar da Frente Agrária Gaúcha. Afastou-se logo por não ter gostado das ideias da frente. Além de empresário rural Willibrordus também trabalhou na área econômica, onde foi diretor presidente da Sicredi Alto Jacuí.

De acordo com Willibrordus, os cinco filhos estudaram e formaram-se em áreas ligadas ao agronegócio, como veterinária, engenharia mecânica, e técnico agrícola. Depois de adquirir uma fazenda no estado de Goiás, o empresário realizou a sucessão familiar dos negócios. Quatro, dos cinco filhos trabalham diretamente com os negócios da fazenda, em Goiás. Um fez opção por trabalhar numa empresa multinacional, aqui no estado mesmo. Willibrordus conta que seu quarto filho nunca fez parte da sociedade familiar que toca as atividades do agronegócio. “Sempre fui produtor rural e cooperativista. Por último fui desfiado e aceitei dirigir o Sindicato Rural do município, função que exerço no momento”, disse. Anualmente, acompanhado da esposa, realiza cinco viagens ao estado de Goiás, para visitar seus filhos.

DM – Por qual motivo decidiu trocar de país?
Willibrordus – Como a propriedade era pequena percebi que não tinha como todos seguirem como sucessores familiares. Como havia estudado um irmão pediu para continuar trabalhando em casa. Entendi a posição dele, e mantive contatos com familiares que já moravam no Brasil e resolvi deixar a Holanda.

DM – O motivo pelo qual escolheu esta região para vir?
Willibrordus – Meu sogro tinha conhecidos no Sul. A região se apresentava com grande potencial de crescimento. Vedemos lá e investimos aqui. Deu tudo certo. Mais pra frente compramos em Goiás. Por aqui plantamos soja, trigo e milho. Lá soja, milho e feijão.

DM – Qual dos seus filhos hoje é aquele que tem pensamentos mais parecidos com os seus?
Willibrordus – Aquele que não trabalha na atividade rural.

DM – Quais  motivos que os fazem parecidos?
Willibrordus - A atividade rural exige investimentos altíssimos e isto acaba sendo fator preocupante e desgastante. Parece estranho, mas sempre orientei meus filhos a comprarem terra. Um preferiu investir em outros tipos de bens imóveis. 

DM – Como o senhor vê a agricultura brasileira?
Willibrordus – Temos tecnologia, sabemos produzir, o clima é bom, mas mesmo assim algumas mudanças precisam acontecer. Obter resultados no campo é duro. Os grandes produtores precisam trabalhar mais a rotação de culturas, destinar mais áreas, por exemplo, ao milho.  Está errado plantar somente soja. Os pequenos agricultores precisam diversificar, não podem ficar na produção de grãos. Uma alternativa seriam terem uma atividade principal e outras que agregassem renda. Produção leiteira seria uma boa opção para se agregar renda no campo. Fica difícil e inviável aplicar toda a tecnologia disponível em áreas pequenas. Custaria muito caro.

DM – E a agricultura da região?
Willibrordus – Estamos em uma das melhores regiões para a produção de grãos. Clima bom, solo fértil e povo trabalhador.

DM – E o agricultor, o que ele precisa fazer?
Willibrordus – Se profissionalizar. Estar sempre bem informado. Utilizar toda a tecnologia que for possível aplicar em sua lavoura.

DM – Sua chegada a presidência do Sindicato Rural foi natural?
Willibrordus – Nunca havia pensado em concorrer. Um dia fui desafiado, uma pessoa insinuou que eu estaria querendo a cargo. Como não sou de correr dos desafios, me tornei presidente do sindicato.

DM – A importância da Expodireto Corijal para o agronegócio?
Willibrordus – A cadeia do agronegócio é o grande carro chefe da economia brasileira. A feira se tornou na principal vitrine de exposição e acesso dos agricultores a tecnologia. Não se faz agricultura competitiva sem a tecnologia. A Expodireto não é positiva apenas para a região, mas sim para toda a cadeia do agronegócio nacional. Uma grande exposição ao nosso alcance.

DM – O senhor se considera uma pessoa realizada e feliz?
Willibrordus – Sim.

DM – Mudaria algo que fez ou faria tudo de novo?
Willibrordus – Faria tudo de novo.

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