Diário da Manhã

Expodireto Cotrijal 2016 - Personalidades do Agronegócio

“Precisamos discutir as cadeias produtivas”, destaca Mânica

“Precisamos discutir as cadeias produtivas”, destaca Mânica
Foto: Rodolfo Sgorla Silva / DM

Instabilidade na economia e na política do país, porém, com bons resultados no setor primário. É nesse contexto que se realiza a 17a edição da Expodireto, em Não-Me-Toque. Em entrevista exclusiva, Nei César Mânica, presidente da Cotrijal, comenta sua expectativa para a feira e o que deverá ser atração durante o evento, como inovações e debates sobre o setor primário

Diário da Manhã: Nós temos um momento turbulento no país, tanto econômica como politicamente. Qual é o contexto que o senhor vê a realização da Expodireto?
Nei Mânica: Você coloca muito bem. O Brasil vem no último ano numa turbulência política muito grande, com desvios de conduta, a Operação Lava Jato é um exemplo disso, o que reflete na parte econômica, gerando desconfiança, queda de emprego e decréscimo no Produto Interno Bruto (PIB).

Tudo afeta, porém, o setor agropecuário ainda não foi tão atingido, ele dá sustentação para a balança comercial. O Brasil fechou a balança comercial num negativo de R$ 3 bilhões. O setor primário teve um superavit de R$ 80 bilhões. Sem isso, seria um caos. O setor primário não está sofrendo, mas, sente respingos. Com relação a isso, o Brasil precisa resolver a parte política.

Em termos de feira, deveremos ter um público igual ou superior ao do ano passado. Os expositores estarão todos dentro novamente, muitas instituições, inclusive, aguardam uma oportunidade para estar na Expodireto. Bancos, empresas, novidades em tecnologias, tudo estará no evento.

Temos de ser realistas que o momento é complicado e as instituições virão com recursos necessários. O mercado pratica um custo maior e a taxa de juro tem se elevado. As empresas vão fazer bons negócios e positivos para os visitantes. Se não ocorrer durante o evento, as compras ocorrem depois, as empresas sabem disso. A feira é importante para conhecimento.

Estamos trabalhando maravilhosamente. Muitos assuntos serão discutidos e eu gostaria de convidar os produtores rurais a irem na feira. Durante os cinco dias do evento, o mundo estará lá.

DM: A opção das montadoras por Não-Me-Toque demonstra que a Expodireto tem mais força que Show Rural Coopavel? Que sensação que o senhor tem pelo fato desses expositores terem escolhido Não-Me-Toque?
NM: Para ser sincero, é gratificante. Quando se tem duas opções, sempre se escolhe a melhor. Como elas escolheram Não-Me-Toque, isso valoriza muito nossa exposição e Rio Grande do Sul. Isso é importante. Estamos felizes em fazer essa feira, que é para expositor e produtor buscar informação e fazer grandes negócios. Espero que em 2017 se acertem as datas e que as montadoras possam ir nas duas exposições como sempre participaram.

DM: Ainda sobre inovações, com relação à pesquisa, o que deve ser o norte nos trabalhos apresentados?
NM: As pesquisas vem pelas instituições, pelas universidades e empresas. Nós vamos ter a apresentação na questão vegetal de variedades com potenciais superiores ao que temos hoje. A cada ano lançam novos produtos no mercado, com produtividade, resistência, ciclo curto, médio e longo. Teremos tecnologias e equipamentos mais modernos. Eu digo e repito, os produtores precisam ir na feira, teremos grandes oportunidades

DM: A Expodireto é palco de grandes debates sobre temas importantes. Qual deve ser o foco do 27° Fórum Nacional da Soja?
NM: Junto com Fecoagro e CCGL, o Fórum da Soja tem o objetivo de trazermos especialistas nas áreas de mercado e produção. Com isso, vamos mostrar tendências futuras, saber o rumo do mundo na principal cultura nossa, que é a soja, em temas como câmbio e estoques mundiais. Conhecer esse cenário é importante. Eu gostaria de frisar que na maioria dos eventos, os palestrantes que deixaram suas mensagens tiveram um nível de acerto positivo. Tanto para produtores como empresas, é sempre importante ter informação para se tomar as decisões.

DM: O Rio Grande do Sul teve uma redução de área plantada de milho, principalmente nas duas últimas safras. Um dos motivos para isso é a relação custo benefício da cultura em comparação com a soja. Quais as novidades referentes ao Fórum do Milho?
NM: A cultura do milho é de extrema importância para o produtor, cooperativa, indústria e consumidor. Precisamos transformar a produção em proteínas e infelizmente o plantio vem caindo. Por quê? Por aquilo que você coloca, o alto custo de produção. Não se tem no mercado uma sinalização de garantia e o clima oferece risco, é uma cultura sensível. Com a soja aquecida, o produtor corre menos riscos. O que precisamos discutir é que haja uma sinalização de compras futuras, com a garantia de preço mínimo para parte da produção. Isso seria um incentivo. O produtor planta olhando o momento, o que também não é correto. Precisamos que o mercado cubra os custos de produção. Além disso, a rotação de cultura também é importante para aumentar a própria produção da soja. O agricultor sabe disso, mas, ele precisa de garantia. O que o governo faz para que a cadeia seja segura? O Fórum vai discutir esses temas.

DM: Neste sentido, ficamos cada vez mais distantes de atingir a autossuficiência na produção de milho no Estado, não é mesmo?
NM: Com certeza. Aí o produto se torna mais caro e imagine os efeitos disso nas cadeias de suínos, aves e leite? Eles vão pagar um preço que quase inviabiliza essas atividades. Não precisamos ter o céu nem o inferno, necessitamos ter um preço de mercado que suporte o custo de produção e que dê rentabilidade ao produtor. Não adianta ganharmos rios de dinheiro num ano e no outro nada, isso desestrutura a cadeia. Precisamos que comércio, indústria e governo estabeleça uma linha de corte para plantarmos com tranquilidade.

DM: Nas duas últimas safras o trigo também passou por dificuldades, porém, por causa do clima.
NM: Com relação ao trigo, vamos ter um grande fórum para discutir a cultura junto com Farusl, cerealistas e cooperativas. Se não se tem garantia, e o trigo é uma cultura de risco no Rio Grande do Sul com geadas e chuvas em excesso, desestimula o produtor.

Nos dois últimos anos, tivemos uma queda acentuada de plantio deste cereal. Ele é um produto nobre, precisamos de farinha. O Brasil e o Rio Grande do Sul não produzem tudo o que consomem. Com isso, recorrem à importação, o que desaquece a cadeia de máquinas e insumos.

A cultura de inverno tem que dar suporte para manter a atividade, maquinário e funcionários. Se ficarmos o ano inteiro baseados somente na safra de verão, uma hora a margem que temos não vai suportar. O trigo e o milho são duas cadeias que precisam ser discutidas com vários segmentos porque são primordiais para a economia e para todos nós.

DM: Assim, cresce a importância do seguro de renda, então?
NM: Com certeza. Isso é outra coisa importante que você coloca, nós vamos ter uma audiência públcia do Senado, com Câmara Federal, junto com entidades, onde vamos discutir não somente o seguro agrícola, mas, o seguro de renda. O produtor precisa de garantias. A ideia é que tivéssemos um fundo, e onde houvesse um problema esse fundo faria o suporte, cobrindo quebras na produção. Com isso, não existiria crise no comércio e na indústria. Do jeito que está, ocorre o problema na produção, o produtor não paga e não há dinheiro para circular na economia. Nunca houve problemas em todo o país. Então, ele seria usado somente onde nos locais pontuais onde ocorreram perdas. Gerido com seriedade, o fundo daria tranquilidade.

DM: Qual seria a sustentabilidade desse fundo?
NM: Esse fundo teria, como em outros países, parte mantida pelo governo federal. É mais barato para o governo fazer isso do que perder receita de impostos com redução na produção. A matemática não mente. A cadeia produtiva poderia participar com uma pequena parcela de produção. Nada é de graça. Então, o produtor deve ter consciência disso e com um custo razoável participaríamos dessa ideia.

DM: Além dessas questões, quais outras demandas o setor primário tem junto ao poder público?
NM: Uma das situações é a legislação trabalhista. Precisamos de um entendimento com relação à carga horária dos funcionários em períodos como a colheita. Não queremos fazer nada fora da lei, mas, precisamos de uma flexibilização nesse sentido porque não tem como atrasar a colheita, o produto está pronto na lavoura.

A mesma coisa na questão ambiental. Somos favoráveis à preservação e à agricultura sustentável, fomos premiados várias vezes nesse sentido. Queremos mostrar nossas necessidades e num entendimento equacionar isso, através do diálogo.

DM: Voltando a falar de negócios na feira, haverá linhas de crédito disponíveis?
NM: Conversei com todas as instituições financeiras e todas terão recursos. Lógico que não serão aquelas taxas de juros de 2014 e 2015, mas, os bancos virão com linhas especiais para o setor. A inflação que era de 6%, hoje está em mais de 10%, então subiram os juros. O mais importante é que tenhamos financiamentos com juros fixos. O produtor sabe que é importante se planejar.

DM: Qual é a receita para a Expodireto se manter sustentável nesse contexto que não é tão favorável?
NM: Hoje, economicamente, os custos da Expodireto são arrecadados dentro do que organizamos, com as empresas que participam. Quando houve a grande crise de 2005, falaram em suspender a feira. Nos momentos de crise temos de estar unidos.

Se os negócios não saírem, nós estamos mostrando nossos produtos, nossas marcas. Esse é o espírito. Se deixar de fazer a Expodireto em um momento de crise, ela pode perder o encanto e não termos mais a feira, o que seria um retrocesso para toda a cadeia e produtores.

DM: Qual é a sua expectativa para a feira?
NM: Muito positiva. Sou otimista por natureza, mas, eu te diria que pela confirmação das empresas, as montadoras virem, o engajamento do governo do estado, 100% nos apoiando, inclusive nos cedendo o espaço para o lançamento da feira, são demonstrações da importância da Expodireto. Temos várias entidades nos apoiando, cooperativas, o sistema Ocergs/Sescoop. Todas essas condições nos dão a certeza de que teremos um grande evento.

Comentários

Galerias de Fotos

Anuncie Aqui

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
AD-5167 Azul / Trip 06:55:00 Campinas Sextas
AD-5165 Azul / Trip 07:00:00 Campinas segunda a quinta e sábado
AD-5139 Azul / Trip 12:40:00 Campinas domingos às sextas

Baixe o Aplicativo do Jornal

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027