Especial | DM Erechim 30 Anos

Os bastidores do jornalismo do DM

Os bastidores do jornalismo do DM
Foto: Sara Rubia Comin / DM

Um dos primeiros jornalistas do Diário da Manhã de Erechim, José Adelar Ody, conta um pouco do trabalho que desenvolveu nas três oportunidades que atuou no periódico em 1886, depois de 1988 a 1991 e de 1999 a 2001

Quando o Diário da Manhã abriu suas portas entre os seus profissionais como repórter e redator estava o jornalista José Adelar Ody, formado pela PUC de Porto Alegre e com experiência de quem “se formou” na Redação do Correio do Povo, onde trabalhou até meados de 1981.

Ody recorda que em 1986 o único jornal impresso de Erechim era o A Voz da Serra. Antes da chegada do Diário da Manhã, na metade de 1981 em diante teve um semanário chamado Painel, onde ele conheceu Marcos Aurélio Castro, que futuramente o convidaria para trabalhar no DM. “Em 82 o Correio fechou, fiquei sem emprego, entrei na 15ª CRE com contrato de 12 horas. Na época tinha um curso de redator auxiliar no JB (Ensino Médio), eu estava chegando na cidade, me descobriram e me contratam para dar aula porque não tinham gente especializada com formação específica para lecionar Redação, Edição, História dos Meios de Comunicação Social, Teoria e Técnica da Comunicação, além de Português, Geografia. Depois disso fiz as cadeiras específicas para professor, fiz concurso e fui efetivado dando aulas por muitos anos. O Correio estava fechado e o Marcão começou com um papo de trazer o Diário da Manhã pra cá, que aconteceu em função da amizade muito grande que ele desenvolveu com o Dr. Dyógenes, viabilizando a vinda do jornal, até onde eu sei, sem intermediação e auxílio de poder público”, lembra.

Segundo ele, em 1986 o jornal estava localizado na Rua Itália e todos que atuavam trabalhavam por amor ao jornalismo. “O jornal estava começando e eu e o Marcão, que estávamos com o gás todo, acompanhávamos tudo. Desenvolvemos uma relação de confiança, um trabalho sério pautado por dar/noticiar a verdade. Isso pegou bem aos olhos do Dr. Dyogenes e a medida que o jornal foi se expandindo eu convidei o Nadir Pereira da Silva, que era meu aluno, para fazer esporte no jornal; a Marielise Ferreira, que também era minha aluna no JB, e depois se aposentou como uma das melhores jornalistas de Erechim como correspondente da ZH. Lembro da Miriam Pedrotti, que iniciou sua carreira no DM e também da Marli Bertotti começou a fazer textos no DM”, revela.

Ody e Marcão recordam que muitas vezes o deadline que terminava por volta das 18 horas não era cumprido. “Se achávamos que a notícia era importante, segurávamos”, conta.

Enquetes eleitorais
Ody recorda que junto com Marcão implantaram as enquetes eleitorais, que era novidade na imprensa. “Pegávamos as urnas de lona do Sindicato dos Bancários, contratávamos dez meninas, distribuíamos elas pelos bairros com uma lista dos candidatos, independente se para a prefeitura ou deputado, era uma espécie de eleições simuladas. Abríamos as urnas, fazíamos o cálculo geral e por bairro. Nunca erramos uma previsão que era o resultado da eleição. Publicamos uma pesquisa no dia da eleição, e naquele vez um oficial foi até o jornal apreender exemplares, mas só encontrou 17 jornais, porque o resto já havia sido distribuído. E o resultado da eleição deu exatamente o que tínhamos previsto. Não havia picuinhas de ‘não pode divulgar isso’, ‘não pode divulgar aquilo’... sob esse ponto de vista regredimos como imprensa. Tivemos um paradoxo, uma abertura e um fechamento, tanto é que agora faltando três meses para a campanha eleitoral, há uma série de ‘não pode”, analisa.

Curiosidades
Para Ody, o grande fato político do período foi a criação, a ascensão, a chegada e consolidação do PT no poder. “Também houve a expansão da oposição na esquerda e direita, com o surgimento de novos partidos em função de pessoas irem buscar seu próprio espaço em outras legendas. Em 1986 Erechim tinha PDS, PFL, PMDB, PDT e PT. Hoje passa de 20 o número de partidos. O prefeito de 1986 foi o último eleito pelo voto na legenda. Jayme Lago não foi o mais votado, o mais votado foi Sergio Maccagnini, que tinha Carlinda de vice. Só que na soma da legenda os três candidatos do PDS fizeram mais que os dois do PMDB. Aí o mais votado dentro da legenda virou prefeito”, explica.

Ody enfatiza que é justo ressaltar que à época Jayme Lago consolidou o Distrito Industrial, cujas bases foram lançadas por Eloi Zanella e Erechim deixou de ser rural, comercial, para ser uma cidade com forte identidade industrial. Também foi na gestão de Jayme Lago que o prédio da Fapes foi construído. “O Diário da Manhã também acompanhou de perto o surgimento e o embate direto da Eletrosul e CRAB – Comissão Regional de Atingidos por Barragens (hoje MAB), que sob o escopo de defender os direitos dos atingidos pelos lagos de Machadinho e Itá, fez surgir lideranças políticas, como Valdomiro Fioravante, Ivar Pavan e tantos prefeitos e vice-prefeitos. Recordo que em 2000, quando foi inaugurada a Usina de Itá, Dilma representou o Governo do Estado do Rio Grande do Sul no evento e não deixaram ela falar. Posteriormente, o Ministro de Minas e Energia que estava lá, foi quem transferiu o cargo de ministro à ela. É que na época ninguém sabia que o PT ia ser governo em 2002”, lembra.

O DM, conforme o jornalista, também acompanhou o surgimento e a expansão da Creral, os debates mais qualificados no plenário do Legislativo. A não eleição por mil votos de Arno Magarinos na primeira vez que concorreu a deputado federal. A perda por um voto da eleição da mesa de um vereador que saiu de casa com o discurso pronto e voltou com ele sem tirar do bolso. “Vale destacar que a grande maioria dos políticos que estava na ativa em 1986 continuou.  Zambonatto, Parenti e Frizzo só pararam quando morreram. Elidio Scaranto, Luiz Tirello, Celso Machado, Alderico Miola, Luiz De Marchi, Wilson Tonin, Terezinha Pezzin e tantos outros estão aí, filiados e militando. O município era diferente, a população era menor, as demandas eram de outra ordem. Erechim estava se tornando escancaradamente um polo de atração pelo perfil industrial implantado, atraindo mão de obra de municípios vizinhos. Dezenas de novos bairros foram implantados, depois, na sequencia veio a consolidação do Ensino Superior. 1986 também é um ano que Antonio Dexheimer, começa a surgir como liderança dentro do MDB/PMDB. Seu cunhado, Paulo Mincarone, era deputado e o convenceu a entrar na política. O Jacaré Miola era um cara de destaque e muito ouvido no meio político. No Estado acontece uma quebra de hegemonia, com a consolidação de Pedro Simon, numa sequencia de muitos governos ligados à ditadura. Isso fez com que prefeito da época tivessem outra tipo de relação com o governo. Foi um período, também, de desmembramentos de distritos de Erechim, que se originaram em vários municípios. E, claro, o surgimento de muitos novos jornalistas. Aliás a maior mudança na área nestes 30 anos envolve a resistência ao jornalismo livre. Naquela época, por incrível que pareça era muito menor. Havia muito mais respeito. Havia discordância, mas com respeito. Talvez esse respeito era não porque amavam a imprensa, mas porque a temiam”, completou.

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