Diário da Manhã

Especial | Passo Fundo 159 anos

Aconchego do lar

Aconchego do lar
Foto: Édson Coltz / DM

Iniciativa que utiliza como base caixas de leite já melhorou a vedação de mais de uma centena de residências

“Enquanto tiver saúde, é o que quero fazer”. O pensamento de Maria Luisa Camozzato, idealizadora do projeto Brasil Sem Frestas,  provavelmente resume o sentimento de muitos dos voluntários que atuam em causas em prol do próximo. A motivação dessa e de outras duas dezenas de pessoas que formam o grupo de Passo Fundo pode ser entendida na face de Camozzato quando do reencontro com uma mãe e seus filhos beneficiados pela iniciativa – presenciado por nossa reportagem nessa semana. Vislumbrado em 2009, e atuando desde 2010, o projeto foi responsável por deixar, ao menos, 150 residências mais confortáveis a seus moradores, que antes viviam praticamente expostos à chuva, vento ou calor excessivo.

Há sete anos, a química industrial, Maria Luisa Camozzato, agora aposentada, levou em consideração essa variação climática drástica em nosso Estado para pensar em meios e materiais para ajudar a transformar a realidade difícil dos mais carentes que, por mais que tinham suas casas, não usufruíam de estrutura adequada. “Pensei como seria um revestimento barato, fácil de achar, e que qualquer um pudesse aplicar. Creio que uma inspiração divina me indicou as caixas”, relembra ela, citando a opção de usar caixas tetra pak de leite.

Limpas e unidas por grampos ou por costura, essas embalagens estruturalmente resistentes (formadas por duas camadas de plástico, uma de alumínio, outra de plástico, papelão e novamente plástico) servem como isolante térmico para as casas, muitas vezes, dominadas por frestas. “Já reciclamos mais ou menos 6 toneladas de embalagens tetra pak”, calcula.

Os voluntários atuam em dois locais, em uma sala cedida pela Prefeitura junto ao antigo quartel, onde o material é recebido e  armazenado e em uma residência emprestada por amigos do grupo, na Rua Bento Gonçalves, onde estão as máquinas de costura e os grampeados. É nesse local que as placas formadas pela união de doze unidades de caixa de leite ficam prontas para uso. Para a fixação das placas nas paredes das residências, grampeadores comumente utilizados por estofadores são as ferramentas.

Entre todas essas famílias já beneficiadas, está a da dona de casa Vanessa Moraes, 30 anos. Junto ao marido, pedreiro, e quatro filhos, reside uma residência construída a partir de madeira reutilizada no Bairro José Alexandre Zácchia. Os quatro cômodos da casa foram forrados com as caixas tetra pak,  depois da indicação de uma agente de saúde. “As paredes de nossa casa precisavam ser duplicadas, como não temos condição, as caixinhas deixaram tudo muito bom. Agora, ajuda a impedir o frio e o calor, fica bem mais agradável”, confirma a dona de casa.

Incertezas quanto a sede
Assim como as famílias beneficiadas pelos voluntários, o próprio grupo vivencia uma realidade, no mínimo, incerta e demanda da ajuda de terceiros. Instalados em uma residência cedida, na Rua Bento Gonçalves, a coordenação do projeto não sabe até quando poderá continuar no local que está a venda e, por isso, conforme foram informados pelos proprietários, não é reformado. Assim, o trabalho de construção das placas é realizado em meio a goteiras oriundas de um telhado já deteriorado pelo tempo.

As incertezas ganham peso quando o grupo cita a sala ocupada para guardar e iniciar o processo de transformação das caixas na antiga sede da Secretaria de Cidadania e Assistência Social (Semcas). O local, emprestado pela Prefeitura, também deverá ser desocupado em breve, em data imprecisa, pois, mesmo a Secretaria passou a atender em novo endereço. “No Quartel recebemos, reciclamos e depois fazemos a chapa. Só que agora a Prefeitura saiu de lá e não sabemos para onde iremos”, citou Camozzato, aflita.

Dedicação além do tempo.. 
Por mais que o material principal para a composição das placas venha de doações, o trabalho demanda outros recursos para ser mantido. Ai, a promoção de bazares de artesanato, duas vezes ao, contribuem com as despesas. “O artesão coloca para venda aqui em nossa sede. Ele também pode nos doar. O recurso das vendas ajuda para a compra de materiais, pagamento de água e luz, e parte do IPTU que nos cabe”, lista ela. Para levar as placas até as famílias, os voluntários utilizam seus próprios veículos, abastecidos com recursos próprios – nessa semana, por exemplo, o grupo iria a Carazinho e Mato Castelhano. Ainda, não raras vezes os grampos também precisam ser comprados por quem dedica seu tempo, e dinheiro, ao voluntariado.

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