Sueli Gehlen

Sou autora dos livros Vida e Compaixão, tenho formação em contabilidade e filosofia, 5 filhos e 4 netos, sou casada há 47 anos e membro da Academia Passo-Fundense de Letras.

Barulho demais, algo controlável!

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A Feira do Livro é uma das minhas paixões, assim como é a paixão de muitas pessoas. Transitar por entre livros, shows, exposições e gente afinada com a cultura significa passear pelo que representa o que muitas pessoas consideram de grande importância em sua vida.
Entretanto, há coisas nesses ambientes que incomodam. Conversando com apaixonados pelas feiras de livros, detectei o fato de que o som muito alto incomoda sobremaneira. Aturar barulho excessivo e sentir-se incomodado é um sinal de alguma coisa está errada nesse quesito.

Livros e cultura não combinam com tanto barulho. Uma das instâncias que dão retorno do que o leitor sente e pensa de uma obra, acontece durante o lançamento dela. A Feira do Livro é lugar de muitos lançamentos e é onde se esperam as conversas entre quem escreve e quem lê. Isso fica inviabilizado quando o lançamento coincide com palestras e apresentações de escolas, coisas também necessárias em um evento como esse.

O estresse que o barulho intenso provoca é algo real a ponto de muitas pessoas manifestarem-se como incapazes de permanecer em ambiente tão barulhento. Isso retrata um mal estar que deve ser combatido em todos os ambientes. A rua, a escola, o trabalho e o lazer devem ser contemplados com o que é razoável em emissão de decibéis, sob pena de segregarmos epinefrina e cortisol, hormônios que, em excesso, desencadeiam problemas com a saúde. Portanto, modular a emissão de sons deve ser obrigação cidadã.

O conforto que a Feira do Livro proporciona, desde que ambientada no Bourbon ao invés de na rua, não justifica que sejamos submetidos ao desconforto de decibéis acima do tolerado. A razoabilidade deve comandar os organizadores de eventos a ponto de serem sensíveis às queixas dos afetados, sejam eles idosos ou não.

Portanto, uma Feira do Livro não deve ser tolerada apesar de alguma coisa, mas deve ser usufruída. Renunciamos à rua como ambiente da nossa feira em nome do conforto, o que doeu profundamente, então que no quesito som isso também aconteça.

Despedirmo-nos da Feira do Livro nos dá um sentimento de nostalgia, já que demorará um ano para que revivamos os abraços, os encontros, as oportunidades de trocas culturais tão ricas. Tudo do que gostamos tanto estar reunido no mesmo lugar, faz o sucesso desse empreendimento. Que o encantamento cultural seja, de novo, o mote das próximas feiras e que, cada vez mais, os organizadores sejam sensíveis a todos os frequentadores.

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