Ivaldino Tasca

Olá, sou Ivaldino Tasca, político, radialista e jornalista. Estamos passando por um período de grandes turbulências e as opiniões sobre os fatos pipocam intensamente. Minha intenção, com meus textos, é fazer um contraponto que possa acrescentar outros detalhes aos debates. Sua opinião é importante.

Gás do guaraná: “sem qualquer tipo conversa”

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Essa mania de colocar os bons de um lado (os de esquerda?) e os maus de outro (os de direita?) garrou corpo durante a ditadura. Fica tudo fácil, não precisa refletir, não precisamos reconhecer nossos erros, não precisamos dizer que o outro tem razão.

Naquele período funcionou. Lembro que esvaziamos reunião na Faculdade de Direito – funcionava ali na antiga escada alta na Avenida Brasil – apenas por dizer que naquela sala “só tinha direitista”.

Por estarmos sob um regime de exceção fomos contemplados pelo “benefício da dúvida”. Na excepcionalidade vale tudo! Pelo sim, pelo não, mesmo com todas as burradas deu um empurrãozinho para o retorno do Estado de Direito!

Mas hoje, já vivendo mais de 30 anos sob democracia, isso faz sentido? Depois da derrocada dos governos comunista assassinos na URSS, na China, Cuba, Albânia, Camboja, Alemanha Oriental, isso faz sentido? Nesses países – inclua a Venezuela no rol – os “bons” eliminam mais de 100 milhões de “malvados” e até hoje são aplaudidos. Freud explica? Essa bobeira nos leva ao bate-boca sobre quem matou mais: fascismo, nazismo, comunismo?

Agora especialmente no Brasil, tal postura não revela apenas petulância de quem a segue cegamente? Inclusive porque esquerda x direita isso virou arrematada bobagem.

Estamos de jeitão tão incrível que agora o gaudério afirma aos quatro ventos ser “de direita” com orgulho estampado nos olhos. Vivi para ouvir com meus próprios ouvidos o cidadão dizer “sou de direita” e ganhar a eleição!

O que mudou? O que aconteceu com a esquerda para que a direita (como disse renomado intelectual) saísse acintosamente do armário?

Se a gente pega os dois anos de Itamar Franco (foi do Grupo dos Autênticos na Câmara Federal na ditadura), os oitos anos do FHC (esteve no exilio), os oito anos do Lula (este oportunista nunca foi de esquerda) e os seis anos de Dilma Rousseff (deixa de lado Temer que entrou de gaiato) a dita “esquerda” governa o Brasil por 25 anos.

E de repente, não mais do que repente, o povo vota com a “direita”?
É oportuno insistir: o que mudou? Que herança nos legou essa “esquerda” para que Bolsonaro ganhasse frouxo? Na real a “esquerda” brasileira começa a entrar pelo cano no momento em que Lula passou a ser considerado “o gás do guaraná”. Sacaram?

É simples: a “esquerda” afunda o Brasil na corrupção, na violência cotidiana, no medo, no desemprego, na droga, faz o jogo dos grandes banqueiros, se ajoelha diante dos empresários poderosos (assolada pela Síndrome de Estocolmo?) e perde a eleição! Mais, essa “esquerda” que com esse esquema corrupção traiu os presos, exilados, torturados, mortos que lutaram contra o regime militar recebeu um recado das urnas já dá sinais de que nada aprendeu.

Nossa “esquerda” chegou ao ponto infame de adotar o slogan do “rouba mais faz”, ou seja “esquerda” Lulista roubou porque a “direita” Adhemarista sempre roubou!
Aí deu no que deu!

E agora vem papo escalafobético para esconder erros?

Mais do que isso: com olho arregalado no próprio umbigo manda os interesses do Brasil para o inferno e lá do fundo da prisão o “Gás do guaraná” manda um recado explicito a seus seguidores: sem qualquer tipo de conversa com os eleitos.Simples assim: o Brasil que se exploda!

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