Acupuntura como alternativa para o tratamento da dor

Técnica milenar chinesa atua no alívio dos sintomas e traz uma série de benefícios para a saúde do paciente

Foto: Divulgação FisioCenter

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Um espaço reservado, com iluminação branda, sons e aromas que interagem harmonicamente para propiciar um momento de relaxamento e equilíbrio energético. É assim, no aconchego da sala de acupuntura, que pacientes encontram alívio para a dor crônica, como aquela provocada pela compressão ou inflamação do nervo ciático. Na contramão da medicina tradicional, ancorada em uma cultura medicamentosa, os especialistas na milenar medicina chinesa trabalham com técnicas alternativas que propiciam uma visão holística sobre o corpo, ou seja, um tratamento que não considera apenas o sintoma, mas o ser humano como um todo.

No Brasil, a acupuntura ainda é recente. Sua notoriedade data do final da década de 90, quando a prática começou a ser difundida em solo verde e amarelo. Aliado a esse fator, há o desconhecimento acerca de seu funcionamento e seus benefícios. Assim, a busca pelo terapia com as agulhas surge, geralmente, como última opção de tratamento. “A maioria das pessoas acha que a acupuntura só serve para a dor. No entanto, alguns clássicos da medicina chinesa sugerem que, a cada nova estação, a pessoa deveria fazer uma sessão de acupuntura para tonificar as energias, para se proteger, o que chamamos de energia defensiva. Ela traz um relaxamento muito bom. É muito comum os pacientes que vão fazer a sessão pela primeira vez perguntam se dói. Eles chegam com aquela ideia de que a agulha da acupuntura é igual à de injeção, mas elas são bem diferentes. A de acupuntura é muito fina e não tem aquela ponta que corta a pele”, explica o acupunturista da Clínica Fisiocenter, especialista em dor crônica, Rafael Ferreira.

O fato de colocar a agulha faz com que o sistema neurológico libere neurotransmissores, que são substâncias analgésicas e derivadas da morfina, gerando efeito de alívio da dor, Rafael Ferreira

Sem efeitos colaterais ou contraindicações, a acupuntura oferece uma melhora significativa da dor. Segundo o especialista, em alguns casos, o resultado é melhor se comparado ao obtido pelo uso da medicação. “Trabalhamos com duas linhas de tratamento. A primeira é a acupuntura tradicional chinesa, que considera as energias que circulam pelo corpo, que os órgãos são responsáveis por determinadas funções e que o sintoma corporal é um indício, um aviso, de que alguma coisa interna não está bem. Ela é usada mais para as questões emocionais e propicia a melhora do ânimo, da disposição, do sono. A segunda é a acupuntura neurofuncional, que é a mais moderna, baseada em estudos científicos, e voltada para a dor crônica. Podemos, também, utilizar a acupuntura energética para alívio da dor lombar quando ela for ocasionada por um fator patogênico externo. Há pontos específicos no corpo para tratar essas desarmonias”, salienta.

Geralmente, o primeiro atendimento demanda mais tempo devido à anamnese completa, bem mais ampla na medicina chinesa. A conversa leva em conta todos os fatores que envolvem a vida do paciente, o que é essencial para a avaliação energética. “Os pontos de acupuntura não têm somente uma função. Se fosse somente decorar um ponto, qualquer pessoa poderia fazer. Comprava um livro e fazia. Existem protocolos individualizados. Em cada paciente, usaremos os pontos que tonificam determinadas energias”, alerta Rafael. Aproximadamente 95% das pessoas que buscam a acupuntura já sentem alguma dor, incluindo a ciatalgia. A terapia, contudo, tem outros tantos benefícios, entre eles o auxílio no alívio de dores de cabeça, redução dos sintomas de depressão e ansiedade, melhora a circulação sanguínea, prevenção e diminuição dos sintomas de alergias, auxílio no tratamento da incontinência urinária, alívio das dores crônicas nas costas, alívio dos sintomas de menopausa, ajuda para parar de fumar, alívio dos sintomas de TPM, auxílio na prevenção de doenças e fortalecimento do sistema imunológico.

No caso da síndrome do nervo ciático, o acupunturista ressalta a necessidade de realização do exame de imagem para confirmação do diagnóstico. “O paciente, às vezes, confunde a dor muscular com a hérnia de disco, pela sintomatologia parecida. Para o diagnóstico preciso, só com a Ressonância Magnética e com os testes funcionais que fazemos aqui. Cerca de 80% dos pacientes com dor lombar não têm, a princípio, alteração estrutural de coluna. A dor muscular, por exemplo, pode ser tratada até mesmo com calor local”, afirma. Se confirmada a complicação, a acupuntura, geralmente, atua na região do nervo, em pontos específicos ao final da coluna lombar, para causar um bloqueio na região do nervo e uma reorganização cerebral. “O fato de colocar a agulha faz com que o sistema neurológico libere neurotransmissores, que são substâncias analgésicas e derivadas da morfina, gerando efeito de alívio da dor. É uma medicação natural que o paciente produz. Em torno de 95% das pessoas que têm alguma ciatalgia apresentam melhora significativa desde a primeira sessão. Sempre orientamos que é preciso seguir todo o protocolo de tratamento, cujo número de sessões varia conforme o paciente”, completa Rafael.

A duração de cada sessão de acupuntura varia de acordo com a sintomatologia do paciente. Em geral, são de 20 a 30 minutos com as agulhas. Em caso de uma dor crônica, o tempo pode ser ampliado. Há, igualmente, a possibilidade de tratamentos complementares à acupuntura, que também integram a medicina oriental, tais como a ventosaterapia – copos com sucção que fazem um descolamento da fibra da fáscia muscular, promovendo o aumento da circulação sanguínea, renovação celular no sangue e liberação de toxinas. Essa terapia, conforme o especialista, funcionará tanto para a dor, momentaneamente, quanto para melhora do corpo em nível global. “Podemos usar também a eletroestimulação, que são eletrodos colocados nas agulhas fornecendo um estímulo elétrico. Isso, para alívio da dor, potencializará o efeito da liberação dos neurotransmissores, causando uma analgesia local. Por isso, é tão importante a investigação feita na primeira consulta acerca da vida do paciente, sobre a questão do sono, da rotina de trabalho, das emoções… é um olhar amplo, não apenas para o sintoma. A crise ciática, de repente, pode ser um fator emocional que desencadeou a dor e isso interfere muito no tratamento. Quando o paciente tem dor crônica e sofre com o estresse, há piora do quadro álgico. Tudo precisa ser avaliado para a condução adequada do tratamento”, finaliza.

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