Agro elenca demandas com visão ao processo eleitoral

Representantes de entidades da região destacam principais necessidades que o setor espera que sejam supridas com novos governantes em esfera estadual e nacional

Foto: Divulgação / Emater

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No próximo domingo (7), as eleições definem quem serão os escolhidos para governar o Estado, o Brasil e também deputados e senadores. Importante para todas as esferas, a votação é um momento crucial para diversos segmentos, que esperam por qualificação dos setores. No agro não é diferente. O Diário da Manhã conversou com entidades representativas do setor para saber quais são as principais demandas e desejos do meio rural para os próximos anos.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Passo Fundo, Airton Ferreira dos Santos, elenca as principais necessidades do meio rural que devem ser levadas em consideração pelos políticos que concorrem aos cargos públicos. Segundo ele, é necessário dar maior atenção ao produtor das agroindústrias familiares, criar novas políticas públicas, diminuir os juros de linhas de crédito, além de estruturar melhor a comunicação no interior.

Jair Dutra Rodrigues – Presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo

Uma das questões que mais gerou polêmica desde o ano passado foi a alteração de legislação de exigências da comercialização de produtos de origem animal. No primeiro semestre, o Diário da Manhã apresentou a realidade de abatedouros da região que fecharam as portas em razão das adequações. Para ele, a legislação não deve colocar na mesma linha uma pequena agroindústria de uma empresa de porte grande. “Hoje não se pode enquadrar uma agroindústria como uma empresa grande. Tem que se criar algo diferenciado para o agricultor. Nós trabalhamos com agricultor familiar, que tem renda menor e sabemos as dificuldades. São questões da própria legislação, que recolhe um pouco mais daquele que mais produz, que é quem fica com a menor fatia”, declara.

Ainda na linha da criação de novas políticas públicas que pensem no agricultor, Airton declara que outra questão importante é a redução de juros, para que possibilitem maior poder de investimento dos produtores. “Hoje o agricultor tem linhas de crédito disponíveis. Mas o que complica é o juro. O juro não é acessível. Se tu pega o crédito com juros menores, te sobra mais para aplicar num investimento. Precisamos de novas políticas públicas voltadas ao agricultor familiar”, completa o presidente do Sindicato.

FUNRURAL E MERCOSUL

O presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo, Jair Dutra Rodrigues, declara que as principais reivindicações do setor são a retirada do passivo do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural), a garantia do direito de compra de insumos agrícolas e fertilizantes em países que integram o Mercosul e a melhoria da qualidade do sinal de internet. “Queremos que o passivo do Funrural seja eliminado. Nós já tínhamos vencido essa questão em 2010, mas retornou. Além disso, queremos que importação do trigo, que o governo brasileiro faz do Mercosul, seja diminuído e que tenhamos o mesmo direito de fazer nossas compras no Uruguai, Argentina e Paraguai. O Mercosul não nos ajuda em nada e nos proíbe de fazer compras em outros países dele”, pontua.

ESTRUTURA

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Passo Fundo reclama, ainda, da questão estrutural no interior. Segundo ele, mesmo a poucos quilômetros de distância do meio urbano, muitas vezes não é possível estabelecer uma comunicação regular com a cidade em razão do sinal de linha telefônica e internet. “A falta de estrutura ainda é um problema. Muitas vezes estou a oito quilômetros da cidade e não consigo falar no telefone, o sinal corta, a ligação cai. Existe uma dificuldade de comunicação. É um dos entraves que temos no meio rural”, conclui Airton.

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