As expectativas do mercado com o novo governo

Eleito com discurso liberal, equipe de Bolsonaro tem a missão de corresponder às esperanças de investidores que apoiaram seu programa econômico

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Eleito presidente, Jair Bolsonaro (PSL) tem à frente um grande desafio: corresponder à expectativa que o mercado tem no novo governante. Graças a Paulo Guedes, seu maior aliado durante a eleição, o candidato recuou de suas posturas estatizantes e adotou um discurso liberal, conquistando assim apoio e crédito de grandes empresários, que contrariavam a postura de seu concorrente, Fernando Haddad (PT), que defendia o intervencionismo do Estado na economia e o investimento em causas sociais.
A resposta do mercado veio logo nas primeiras pesquisas que apontavam a vitória de Bolsonaro. O Indicador de Incerteza da Economia calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) recuou 11,2 pontos de setembro para outubro deste ano e chegou a 110,3 pontos, o menor patamar desde março deste ano. E após os resultados das urnas, outros indicadores: A cotação da moeda norte-americana encerrou na terça-feira (30) em baixa de 0,42%, cotada a R$ 3,69 para venda, longe dos R$ 4,20 registrados no primeiro turno, e o Ibovespa B3 fechou o pregão em alta de 3,69 %, com as principais companhias, Petrobras, Itaú, Vale e Bradesco, seguindo a tendência de valorização expressiva.

Arte: Henrique Peter / Diário

“O mercado está a toda hora cobrando que se diminua o tamanho da máquina e dos gastos públicos, para equalizar as contas do governo. Esse ano, por exemplo, a União tem um deficit orçamentário de R$ 160 bilhões, ou seja, vai novamente gastar muito mais do que arrecadou. E isso, para as contas públicas, não é bom. As propostas do novo governo vão exatamente no intuito de conter o apetite da administração em criar gastos, e melhorando o processo de gestão, o mercado entenderá que sobrará mais dinheiro para investir em infraestrutura, em educação, em saúde, em habitação, que são realmente os principais gargalos da economia”, aponta o economista e professor da Universidade de Passo Fundo, Julcemar Bruno Zilli.

Investimento na indústria
Na semana após a eleição, Guedes confirmou outra promessa de campanha, com a criação de um superministério de Economia, agregando as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio, reafirmando a pretensão de investir em áreas primárias da produção. “Nós vamos salvar a indústria brasileira. Está havendo uma desindustrialização há mais de 30 anos. Nós vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros”, disse Guedes.

Economista interpreta ações de nova gestão. Foto: Divulgação / Nexjor/ UPF

Zilli acredita que existe possibilidade de que esse discurso se concretize. “A própria indústria já começou a demonstrar indícios de melhora, pois ela foi bastante abalada com a crise de 2015 e 2016. Hoje ela já apresenta uma melhoria, e bastando um incentivo básico a esses setores, em questão de um a dois anos, os projetos vão sair do papel e começar a produzir. Então dá sim para promover mudanças no setor industrial em quatro anos”, opina.
O economista reitera que, para que o mercado avance, deve-se também resolver impasses com o setor financeiro. “Hoje já temos a taxa de juros básica (Selic) mais baixa da história. O problema é que a taxa de juros bancária não está acompanhando, e é aí que mora o grande problema, pois o dinheiro que o banco tem para emprestar ainda está pouco acessível, e isso não está estimulando a economia. Mas há chances de isso se reverter em quatro anos, basta trabalhar as variáveis mais interessantes para que o mercado possa transformar dinheiro em produto, produto em emprego, emprego em renda, e enfim, crescimento no médio e longo prazo”, alega o professor da UPF.

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