Com PSB, oposição a Bolsonaro na Câmara é reforçada

Grupo formado por 32 deputados confirmou que vai integrar a bancada de oposição ao novo governo

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O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), terá uma bancada de oposição saliente no Congresso Nacional, reforçada com a entrada do PSB aos oposicionistas do novo presidente. A decisão oficial da legenda quanto ao posicionamento no legislativo foi divulgada nesta semana, e confirmada em entrevista ao quadro Radar Político da Rádio Diário AM 570 nessa quarta-feira (7) pelo vice-presidente nacional da sigla, Beto Albuquerque, que concorreu ao Senado nas eleições de 2018, ficando em terceiro lugar na disputa. Jair Bolsonaro foi eleito reunindo de largada uma bancada de 104 deputados federais, correspondentes às legendas PSL (52), PP (37), PTB (10) e o Patriotas (10). O número, até então, representa cerca de um quinto dos parlamentares. Do outro lado, na oposição, o presidente eleito soma, agora, pelo menos 148 deputados. A maior bancada de oposição será, naturalmente, a do PT (56), seguida de PDT (28), PSOL (10), PCdoB (9), PROS (8), PV (4) REDE (1) – e PSB (32).

Vice-presidente nacional do PSB, Beto Albuquerque, durante entrevista à Rádio Diário AM

Em relação ao termo “oposição”, Beto declarou que o PSB não agirá como uma “pedra no sapato” do novo governo, mas sim, definiu a atuação da bancada como construtiva. “Não vamos adotar um perfil raivoso. Alguns já estão falando que vão torcer contra. Temos que ter muita calma para pactuar a democracia. Não podemos ter nenhum retrocesso das liberdades, da independência dos poderes e das instituições. Tudo que for bom para o Brasil terá o nosso apoio. O que contrariará nossas ideias e posições históricas, vamos ser contra. Não vamos ser uma oposição emburrada. A gente precisa olhar para os mais de 13 milhões de desempregados, para as filas nos hospitais. Falar do que impacta na vida do cidadão”, afirmou. O PSB possui, ainda, dois senadores e três governadores de estado eleitos.

No Rio Grande do Sul, o PSB declarou apoio a candidatura de José Ivo Sartori (MDB), derrotado por Eduardo Leite (PSDB) na disputa ao Piratini. Com três deputados estaduais, o partido de Albuquerque ainda não recebeu convite nem foi procurado pelo governo eleito para dialogar, portanto, a situação da bancada quanto à apoio, neutralidade ou oposição, ainda é uma incógnita. “Manda a regra da democracia que quem perde seja a oposição. Mas isso não significa que o partido não possa reconsiderar alguma posição. Acho que quem perdeu, perdeu, e deve ajudar quem ganhou fiscalizando e acompanhando. Não saímos do governo Sartori, e acho que é uma contradição de quem saiu quatro meses antes da eleição para se mostrar como o novo, então isso tem ônus. Prefiro ser coerente do que ser oportunista”, disse. Quem coordenará a articulação política a nível estadual será o deputado estadual, José Luiz Stédile (PSB).

Reforma da previdência

Antes mesmo de tomar posse, Bolsonaro segue com articulações políticas para votar partes do texto da Reforma da Previdência, apresentada pelo governo do atual presidente, Michel Temer. Entre os objetivos do novo governo, está aprovar até dezembro, ao menos, a idade mínima de 65 anos. “Essa proposta que está aí é de rico para pobre e não da certo. O pequeno agricultor, o trabalhador, não tem condições de ir até os 65 anos. Durante a campanha eu perguntei ao empresário se contrataria alguém com 62 anos. As respostas foram negativas, pois preferem os jovens. Pronto, está aí a resposta para a reforma da previdência, que é ruim. Infelizmente ninguém vai contratar. Não é no INSS o rombo da previdência. Ele tem duas fontes: no setor público e em todos os poderes. A reforma tem que ser para todos”, defendeu.

Na manhã de hoje (8), Bolsonaro deve se dedicar às negociações para eventuais avanços na proposta de reforma da Previdência. Ele pretende ficar no apartamento que ocupou como parlamentar, na região central de Brasília, e fazer reuniões com deputados e senadores. O objetivo é tentar aprovar ainda este ano algumas mudanças. O presidente eleito defendeu a fixação de idade mínima para aposentadoria. Nos últimos dias, ele citou, no caso do serviço público, 61 anos para homens e 56 para mulheres. Segundo ele, o esforço é para articular um projeto consensual capaz de ser aprovado pelo Congresso Nacional.

Futuro político

Durante a participação no Radar Político, Beto Albuquerque agradeceu aos 1,7 milhão de eleitores pelos votos e afirmou estar muito feliz com a votação, ainda que não tenha sido suficiente para garantir uma cadeira no Senado. Disse que voltará a atuar como advogado a partir de agora e que não espera nenhum cargo político. Sobre novas candidaturas, Beto afirmou que avalia e que amadurecerá a pauta.

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