Comportamento motiva desemprego entre os jovens

Pesquisa revela que empresas temem contratar pessoas de 18 a 25 anos por medo de conduta inadequada e falta de comprometimento

Foto: Divulgação

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Uma pesquisa publicada na quarta-feira (10) pelo site de classificados de emprego Catho revela que o maior entrave na contratação de jovens é, segundo as empresas entrevistadas, o seu comportamento. Foram ouvidos 218 recrutadores em todo país, e o levantamento delimitou a faixa etária todas pessoas com idades entre 18 e 25 anos. Para 48% dos empregadores entrevistados, a conduta inadequada e irresponsável dos jovens em relação ao trabalho é o maior motivo para a não contratação do candidato à vaga, superando a falta de qualificação, que aparece em segundo lugar com 25%, e também da falta de experiência, com 16%.

“O comportamento cultural mudou, pois os pais desses jovens entravam em uma empresa e se aposentavam nela, e nesse processo criavam sua família, negociavam seus bens, sempre no mesmo emprego. Para ele sair, só se fosse demitido ou a empresa falisse. Já o novo trabalhador veio com outro motivo, ele é mais desapegado nessa questão de criar vínculos, e muda sem pensar para novas oportunidades quando elas surgem”, interpreta Sérgio Ferrari, coordenador do FGTAS/ Sine de Passo Fundo. Para ele, esses profissionais vivem em um ritmo incompatível com a realidade: “O jovem hoje é muito imediatista, quer resultado rápido. Quer começar a trabalhar em um trabalho hoje, e em seis meses já quer ter carro, casa, e tudo que seus pais têm”.

A pesquisa da Catho confirma uma tendência apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que anunciou em agosto desse ano que o total de jovens desempregados é de 26,6%, mais que o dobro do número geral de desempregados, que fechou o segundo trimestre com 12,4%. Isso corresponde a um total de 4,1 milhões de pessoas de até 24 anos à procura de um emprego.

Comportamento deve mudar com o desemprego

A pesquisa ouviu ainda 1.496 mil jovens de até 25 anos, para saber quais os principais desafios na busca por emprego. A falta de oportunidades foi apontada por 75% dos pesquisados, e de experiência, por 47%. O comportamento inadequado, apontado pelos empregadores como maior motivo de demissões e não contratações, foi reconhecido com dificuldade por apenas 1% dos jovens entrevistados.

Essa discrepância entre o entendimento do jovem trabalhador e do empregador fica clara nos processos atuais de contratação. “As empresas, quando fazem as seletivas, andam relegando a parte da qualificação, pois independente do grau de instrução ela sabe que vai ter que investir muito na formação do profissional, e tem consciência que, no primeiro momento em que o contratado achar algo mais específico, que vai de acordo com sua qualificação, ele vai abandonar a empresa. E a contratante tem muito medo de efetivar alguém com esse perfil”, afirma Ferrari.

O coordenador do Sine acredita, porém, que esse comportamento pode mudar. “Pessoas formadas assumem postos para tentar suprir a primeira necessidade, que é justamente não estar desempregado. Mas esse comportamento tem mudado, pois a realidade do trabalho é outra. Hoje, sair de um emprego e conseguir outro é muito mais difícil. Antes, após a demissão, vinha o seguro-desemprego, e logo surgia outra ocupação. Hoje, o seguro acaba, e ele continua desempregado, então agora é o momento em que os jovens estão voltando a dar valor para isso, por conta da falta de oportunidade”.

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