“Desperta Carazinho” quer desenvolver potencial turístico da cidade através da arte

Projeto contemplado pela Lei Rouanet começa a captar recursos

FOTOS: Isadora Stentzler | Diário

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Os associados da Fundação Cultural Carazinhense (Fuccar) cordialmente deixavam suas cadeiras para cumprimentar um por um dos que se somavam aos poucos na apresentação do projeto “Desperta Carazinho, movimentos em favor da arte e cultura”, na noite de segunda-feira (5), no salão da entidade. “Iríamos colocar as cadeiras em duas fileiras, mas achamos melhor fazer uma meia lua”, disse Alda Schipper, uma simpática senhora de cabelos louros cortados acima dos ombros.

Ao canto do salão, uma mesa com salgados cobertos por toalhas denunciava que haveria algo a comemorar e quando a artista Ilse Ana Piva Paim começou a falar, entendeu-se o porquê.

Diante de um telão em que sucessivamente apresentava imagens de Carazinho, a artista, com o braço direito apoiado em uma tipoia, apresentava em frenesi os motivos que levaram o projeto a ser aprovado pela Lei Rouanet (Lei 8.313/91) do Ministério da Cultura (MinC) e o que se pretende com ele.

– A nossa finalidade é incentivar a valorização e o amor a Carazinho. Porque se eu conheço, eu me apaixono – defendeu Ilse Ana, após exibir imagens que denunciam a arquitetura histórica presente na cidade, os parques e os monumentos erguidos ao longo do tempo que contam a evolução do município.  “Por meio de oficinas artísticas vamos valorizar nossa cidade, criando elementos que falem de Carazinho para serem comercializados em Carazinho”, complementa.

Pela Lei Rouanet, o projeto da Fuccar foi contemplado com R$ 294 mil para a realização desse projeto, o que permitirá o desenvolvimento de trabalhos com cerâmica, lixo tecnológico, madeira, pintura e desenho. O objetivo é que todas as atividades criem produtos que remetam à história de Carazinho. Mais tarde, disse Ilse Ana, os produtos também poderão ser comercializados em uma casa de cultura, que poderia ser criada no atual quiosque da praça.

Outdoors na entrada do município, incentivando a visita e o turismo, também serão desenvolvidos para explorar o potencial da cidade. “Queremos convidar as pessoas a entrar em Carazinho, a verem que há sim lugares para visitar aqui. Muitas pessoas passam pelo nosso maior entroncamento rodoviário e não entram, agora queremos que elas cheguem”, destacou.

LEI ROUANET

Aprovado em agosto pela Lei Rouanet, o projeto entra agora na fase de captação de recursos para que seja iniciado em 2019.
Os valores vêm por meio do Incentivo Fiscal da lei, um mecanismo em que a União faculta às pessoas físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto de Renda (IR) a título de doações ou patrocínios, no apoio direto a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.

Ou seja: o governo federal oferece uma ferramenta para que a sociedade possa decidir aplicar parte do dinheiro de seus impostos em ações culturais.

Quando o projeto é enquadrado no artigo 18, como é o caso do projeto Desperta Carazinho, o apoiador poderá deduzir 100% do valor investido, desde que respeitado o limite de 4% do imposto devido para pessoa jurídica e 6% para pessoa física.

Isso significa, por exemplo, que se uma empresa paga R$ 10 milhões de IR ao governo, poderá destina R$ 400 mil para incentivar e patrocinar um projeto cultural, obtendo as contrapartidas de exposição de um patrocínio normal. Esse valor virá como forma de dedução ou abatimento no IR do ano seguinte.

– Então as pessoas não tiram do bolso para o projeto – explica a curadora da Fuccar, Nelci Ehrhardt. “As pessoas apenas irão dizer que querem que o dinheiro de Carazinho fique em Carazinho”, frisa.

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