“Eram profissionais”, diz testemunha sobre bandidos que atacaram bancos em Casca

Seis ataques a agências foram registrados no Estado na quinta-feira (8), três deles na região

Fotos: Vinicius Coimbra/Diário

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Enio Cerbaro, de 65 anos, foi acordado por volta das 3h30 de quinta-feira (8) com o barulho de pancadas. Ele desconfiou que podia ser alguém que tentava arrombar a agropecuária que é proprietário. “Saltamos para a sacada e tinha um cara na rua que disse: para dentro ou eu atiro”, lembra o empresário. O indivíduo portava uma arma longa e usava touca ninja.

Da sacada, com a companheira, ele podia ver as agências do Banrisul e da Caixa Econômica Federal, localizadas na Rua Tiradentes, a principal do município de Casca, localizado a 65 quilômetros de Passo Fundo. Foram os dois locais os alvos dos bandidos na madrugada.

O homem viu inicialmente quatro indivíduos, mas um carro de cor escura chegou ao local com outros três. Havia outro veículo, este de cor prata.

A ação, desde a primeira explosão, durou cerca de 20 minutos, relatou a testemunha. “Eles sabiam o que estavam fazendo, estavam tranquilos, eram profissionais”, resumiu Enio Cerbaro, que já se diz “acostumado” com esse tipo de ação, já que acompanhou outro ataque na cidade, no qual foi feito um cordão humano com moradores.

Gate retirou explosivos colocados no interior da agência do Banco do Brasil em Casca. (Foto: Vinicius Coimbra/Diário)

A ação da madrugada de quinta-feira não ficou restrita às agências bancárias. “Simultaneamente a isso, o efetivo o BOE, que estava na cidade, ouviu os disparos e os policiais saíram para ver o que era. Nesse momento, eles foram recebidos a tiros pelos criminosos. Houve troca de tiros”, relatou o capitão Sérgio Nogueira Pagliarini. Segundo ele, nenhum policial ficou ferido. Os bandidos fugiram depois.

Segundo o comandante do 3º Batalhão de Operações Especiais (3ºBOE), major Navarro, a ação do efetivo no município atrapalhou o ataque. “Eles acabaram tendo êxito na Caixa Econômica Federal, mas, no Banco do Brasil, deixaram o artefato intacto e fugiram”, disse.

Foram localizados diversos ferros retorcidos – conhecidos popularmente como miguelitos – em ruas próximas ao local do ataque, para dificultar a chegada dos policiais. Foram feitas buscas e barreiras na região, mas, até o momento, ninguém foi preso.

Os veículos utilizados na ação foram encontrados abandonados na Linha Carminatti interior de Casca, em direção a Paraí. Um Renault Logan, com placas de Porto Alegre e um Honda City, com placas de Canoas, foram localizados. No Honda City, foram encontradas munições intactas e deflagradas. Os dois carros eram clonados. Eles foram apreendidos e levados para perícia.

Miguelitos foram deixados pelos bandidos em Casca. (Foto: Vinicius Coimbra/Diário)

Após a ação, a área foi isolada pela Brigada Militar. A Polícia Civil, Polícia Federal fizeram levantamentos sobre o caso.

Como os explosivos do Banco do Brasil não foram detonados, foi solicitado o apoio do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que chegou em Casca pouco depois das 11h.

Eles afastaram moradores e retiraram os explosivos que foram instalados no interior. Houve duas retiradas dos artefatos, que foram detonados.

Não se sabe se o grupo conseguiu roubar dinheiro.

Mato Castelhano

Em Mato Castelhano, uma ação criminosa foi feita em uma agência da Banrisul. De acordo com a Brigada Militar, o ataque foi realizado por volta da 4h. A porta foi arrombada e um criminoso entrou no local. “Foi inserido um artefato explosivo no caixa eletrônico, mas eles não tiveram êxito na explosão. Houve a queima do iniciador, mas não houve a explosão”, resumiu o major Navarro.

Em Mato Castelhano, artefato não explodiu. (Foto: BM)

A área foi isolada para a retirada do artefato, que também foi feita pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), após o atendimento da ocorrência em Casca. Foi o segundo ataque à agência neste ano em Mato Castelhano.

Nessa ação, ninguém foi preso. A investigação busca descobrir se as duas ações foram feitas pelo mesmo grupo criminoso. Existe a suspeita que o ataque em Mato Castelhano seria uma forma de despistar as polícias da região, para que, depois, fosse feito o ataque em Casca. Isso, entretanto, é investigado pela Polícia Civil.

Local foi isolado em Mato Castelhano. (Foto: Vinicius Coimbra/Diário)

Veja imagens feitas durante o atendimento da ocorrências

Ataques a agências bancárias em Casca. Acompanhe

Publicado por Diário da Manhã Passo Fundo em Quinta-feira, 8 de novembro de 2018

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