Excesso de chuva assusta o campo tanto quanto a falta

Previsão para os próximos 90 dias é de chuvas acima da média para o período

Fotos: Arquivo | Diário

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O manejo correta das culturas não basta para garantir médias altas de produtividade. O clima exerce fator determinante. Se o tempo seco prejudica, o excesso de chuvas também.

A produção agrícola é mesmo uma empresa a céu aberto. Duas culturas no momento estão implantadas, uma em fase de desenvolvimento e outra próxima do início da colheita. A principal fonte produtiva de grãos deve começar a ocupar os campos em 15 dias.

Mesmo sendo apenas previsão, o indicativo é de que os próximos 90 dias acontecerão períodos bastante chuvosos, com valores que podem acumular índices acima da média. Até o começo de janeiro, existem previsões de que ocorram chuvas que totalizarão mais de 770 milímetros, quando médias anteriores apontam para um número abaixo dos 500 mm. Segundo o agrônomo Mauro Rohr, estes índices podem ser variados entre determinadas regiões ou microrregiões.

Trigo

A aproximação do período de colheita do trigo e as previsões de mais chuvas preocupam os triticultores, que temem pelo comprometimento da média de produtividade e da qualidade do grão. “Quanto mais perto da maturação, maiores os riscos para a cultura, pois o excesso de chuva é prejudicial. Já há problema com doença, como a giberela, quadro que pode se agravar se o tempo continuar chovendo”, avalia Rohr.

As previsões de mais chuvas preocupam os triticultores

Conforme o agrônomo, para o mês de outubro estimam-se chuvas que podem acumular até 245 milímetros, quando a média histórica para a região fica próximo dos 160 milímetros. “De uma localidade para outra sempre há uma variação, mas no geral temos valores anteriores menores do que o previsto para outubro deste ano”, comenta. Conforme o agrônomo, a maior preocupação com o trigo no momento é quanto ao clima depois que o grão estiver pronto para a colheita. “No período, havendo chuvas, o grão perde qualidade, reduz a produtividade”, comenta. Com clima favorável, a cultura pode ter média produtiva acima das 60 ou 70 sacas e pH superior a 78. A adversidade climática, como aconteceu em anos anteriores, baixou a média produtiva para pouco mais de 30 sacas e pH bem abaixo do ideal.

Milho

Nas lavouras de milho, a situação é inversa em relação à cultura do trigo. Os agricultores estão aproveitando a umidade do solo para realizarem aplicação da ureia, que necessita de uma boa quantidade de água para que haja um aproveitamento completo do nutriente por

Ao longo do ciclo, o milho é uma cultura que consome mais água em comparação às demais culturas

parte da plana.

Segundo Rohr, o milho é uma cultura que consome mais água em relação a outras espécies de grãos. As lavouras em sua grande maioria se encontram em fase de desenvolvimento vegetativo com até quatro folhas. Para o mês de novembro, previsões apontam para uma quantidade de chuva acumulada de 230 milímetros, para uma média anterior de 180 milímetros. Estimativas iniciais apontam para uma safra com média de 200 sacas por hectare. A produtividade tem ficado na casa das 160 a 180 sacas por hectare, variação de acordo com o clima de cada microrregião produtiva do cereal.

Soja

A previsão é de que em 15 dias os produtores rurais deem início ao plantio da soja, principal produção de grãos da região. Em relação à oleaginosa, o agrônomo faz um alerta aos sojicultores.

A soja é a principal cultura agrícola da região

Segundo ele, testes realizados em plantas da cultura que sobreviveram às geadas mostraram um grau elevado de ferrugem. “Se tivermos excesso de chuva com temperaturas elevadas teremos risco de proliferação da ferrugem nas lavouras de soja da safra 2018/2019”, alerta Rohr.

Para o mês de dezembro, as estimativas apontam para até 300 milímetros de chuvas. No ano passado, as chuvas ficaram na casa dos 100 mm. As médias de produtividades estimadas ficam em 80 sacas por hectare. Quanto às chuvas, o agrônomo faz a ressalva de que as previsões podem não se confirmar.

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