Feiras estimulam a produção rural da região

Há mais de três décadas instaladas na cidade em duas frentes, atividades semanais são o elo entre o campo e a zona urbana. Em Carazinho, feira passou a ser semanal

Fotos: Matheus Moraes e Arquivo | Diário

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As feiras das agroindústrias familiares são o elo entre o campo e a zona urbana. Elas são as responsáveis por trazer o alimento das lavouras para comercialização na cidade, além das fronteiras dos mercados. Mais do que isso, as atividades que ocorrem semanalmente em Passo Fundo fazem parte do sustento das propriedades há décadas. Na cidade, são duas frentes: a Feira do Pequeno Produtor, da Prefeitura de Passo Fundo, além das feiras ecológicas da Cooperativa Mista e de Trabalho Alternativo (Coonalter). A primeira existe há mais de 30 anos, enquanto a segunda, há mais de 20 anos.

A Coonalter possui feiras na Praça Irmã Maria Catarina, na Avenida Brasil Oeste, na Praça Capitão Jovino (Santa Terezinha) e na Praça do Hospital da Cidade (HC), nos sábados, além da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), nas terças-feiras, e quinzenalmente na Universidade de Passo Fundo (UPF). No total, são cerca de 60 famílias que apresentam seus produtos e comercializam na cidade.

A produtora rural e também presidente da Coonalter, Maristela Finatto Ferro, destaca que a feira é uma oportunidade de sustentar a propriedade rural. No caso dela, a estrutura da sua lavoura é toda com visão para a atividade semanal. “A feira possibilita sustentar a propriedade com o trabalho. É a sustentabilidade, porque você mesmo direciona a sua propriedade, sem interferência de alguém. Através da nossa organização, conseguimos nos estruturar de tal forma ajudando um ao outro. A gente consegue viabilizar a produção ecológica, orgânica, de forma que sustenta as nossas famílias”, declara.

No Parque da Gare, a Feira do Produtor é o local de destino do agricultor José Carlos Nadal há 25 anos. Por ali, ele expõe alface, rúcula, agrião, entre outros produtos verdes que produz entre os distritos de São Roque e Capão Bonito, no interior de Passo Fundo. “É a nossa oportunidade de mostrar o que produzimos. Trabalho somente na feira há mais de duas décadas. Acaba sendo um estímulo para a produção rural”, destaca.

A diferença crucial, segundo a presidente da Coonalter, é que o feirista tem a oportunidade de trabalhar para ele próprio, diferente de casos em que se fornece produtos para empresas ou supermercados. “Se as feiras não acontecessem mais, nós teríamos que pensar em outra lógica de produção. Se você produz pro mercado, é uma outra lógica, porque tem que ter sempre. Na feira, se tem diversidade, se der problema na produção, tem outra feira na próxima semana. É uma característica da nossa biodiversidade”, completa Maristela.

CARAZINHO PASSOU A TER FEIRA SEMANAL
Prestes a realizar a terceira edição da Feira do Produtor, desde que ela passou a ser semanal, o secretário municipal de Agricultura Aldrin Keyser avalia como satisfatória a participação dos feirantes e também a demanda dos consumidores. Em entrevista ao Diário, ele assinalou os principais resultados que a iniciativa realizada aos sábados na Gare vem proporcionando aos munícipes.

“A Feira tem sido um sucesso absoluto, tanto por parte de quem compra quanto por parte de quem vende, com a oferta de produtos diferenciados, com opções que vão desde embutidos até os orgânicos. Tudo produzido em nosso município. Agora, por exemplo, estamos na época do moranguinho, então, os munícipes que se dirigirem ao evento encontrarão dois produtores vendendo a fruta. Além disso, muitos produtores já pensam em transformar suas propriedades em agroindústrias, para também ofertar produtos de ordem animal, como ovos e novas linhas de embutidos – destaca o secretário. Nesse contexto, a Feira oferta produtos como frutos, hortaliças, panificados e embutidos”, cita Keyser.

PRODUTOR SATISFEITO
Entre os 14 agricultores que comercializam na Gare está o casal Rafael Berbigier e Caroline Mendes Berbigier. Da propriedade de nove hectares localizada no bairro Vila Rica eles colhem cerca de 200 quilos de morango por semana. O fruto livre da aplicação de produtos é um dos mais procurados na Feira da Gare. Além disso, os agricultores também comercializam erva-mate 100% artesanal e alimentos sazonais como feijão, milho verde e milho de pipoca. “Estamos satisfeitos com nossa participação na Gare, sobretudo porque a procura das pessoas é grande. Como lidamos com produtos sazonais, nem sempre estamos na Feira. Nas ocasiões em que não estamos presentes, o pessoal liga solicitando a presença de nossos produtos”, explica Rafael, que toca a produção com a ajuda de mais dois funcionários. Nesse contexto, o casal já pensa em expandir a produtividade. Está em andamento na propriedade a constituição de uma agroindústria familiar.

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