Intenção de consumo das famílias gaúchas é a maior nos últimos três anos

Aumento na intenção de compra está pautado na recuperação do mercado de trabalho e na estabilidade nos preços, afirma Fecomércio

Foto: DM/Anderson Favero

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Uma pesquisa divulgada pela Fecomércio-RS apontou que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 84,3 pontos no mês de setembro. Este é o maior valor para o índice desde junho de 2015, quando a intenção de compra das famílias gaúchas esteve próxima a 100 pontos. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 15,6% e, em relação ao mês de agosto, a variação foi de 8,2%.

A explicação para o aumento na intenção de compra, de acordo com a Fecomércio, está pautada na recuperação do mercado de trabalho e na estabilidade nos preços. Deste modo, ainda que de maneira lenta, a melhora no emprego e a manutenção dos preços abrem margem para uma retomada tímida do consumo.

– Esta pesquisa revela um otimismo muito grande no cenário econômico. É claro que, aos poucos e a medida em que as pessoas conseguem se manter em seus empregos, temos maior estabilidade e o aumento na intenção de compras, porém, o desemprego ainda é grande no país e estamos longe de uma economia realmente estável. Além disso, o índice de inadimplência segue bastante elevado – avalia Wanderlei Conte, diretor executivo da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Carazinho.

No mês de setembro, o CF alcançou 84,3 pontos, um aumento de 15,6% em relação ao mesmo período de 2017 / Foto: DM/Anderson Favero

Na rede de lojas Varejão Paulista, especializada no segmento de roupas e calçados, as vendas no mês de setembro seguem a lógica do otimismo. Conforme a gerente Anelise Leite Esteriz Oliveira, há um incremento aproximado de 7% nas vendas quando comparadas com o mês de agosto. “De fato, os consumidores estão otimistas e comprando mais nas últimas semanas. Passado o período do inverno, estamos com novas coleções para a temporada de calor e isso também atrai as pessoas. No setor de crediário ofertamos diversas vantagens e esse é outro aspecto positivo quando falamos em maior volume de vendas”, pontua.

Na tarde desta quarta-feira (26), a empresária Patrícia Gomes percorria os corredores do Varejão Paulista em busca de um calçado novo. Para ela, nos últimos meses, o poder de compra, de fato, está melhor. “Ainda se fala bastante em crise e eu conheço diversas pessoas desempregadas, porém, de uns meses para cá, está mais favorável para comprar. A gente sente que as coisas estão melhorando, graças a Deus”, relata.

No minimercado do qual é proprietária junto com o marido, no bairro Vilas Rica, a situação também está mais confortável. “A gente lida com dinheiro todos os dias, e teve uma época, há pouco tempo, que as coisas estavam mais complicadas. O movimento agora está crescendo”, avalia.

“De fato, os consumidores estão otimistas e comprando mais nas últimas semanas”

Anelise Oliveira, gerente do Varejão Paulista

Mercado de trabalho

Mesmo com 12,9 milhões de brasileiros desempregados (Pnad Contínua), o estudo divulgado pela Fecomércio/RS aponta que o indicador que mede a segurança com a situação do emprego atingiu patamar otimista no estado, chegando a 105,7 pontos. Um aumento de 6,6% na comparação com o mês de agosto. O dado evidencia que as famílias gaúchas estão com uma avaliação melhor quanto à geração de empregos, mesmo com as incertezas do período eleitoral.

– Vivenciamos um processo eleitoral sobre o qual pairam muitas incertezas relacionadas à economia, pois ninguém sabe qual é o plano de governo que teremos no futuro e todos os setores seguem nessa expectativa. Essa incerteza tende a diminuir após a eleição de outubro – salienta Conte.

Além disso, com a proximidade das festas de final de ano, a expectativa positiva no mercado de trabalho também cresce, pois no último trimestre são esperadas as contratações temporárias e o aumento do consumo no comércio. “A taxa de desemprego deve diminuir nos próximos meses, já que o período do Natal sempre estimula a contratação de profissionais temporários e também as compras no comércio”, explica Conte.

No Varejão Paulista, as vagas temporárias já estão previstas para serem abertas. “É comum que surjam essas vagas nessa época. E com certeza iremos ofertá-las mais pra frente, sempre com a possibilidade de efetivar a contratação após esse período”, diz a gerente Anelise, responsável por uma das lojas da rede.

Outro aspecto que merece destaque nesse contexto, são as medidas do governo federal para injetar dinheiro na economia, como a liberação dos saques dos fundos PIS/PASEP. “Sem sombra de dúvida esses saques são importantes quando falamos em maior otimismo no mercado. Pois, uma vez que o consumidor saca esse valor, irá quitar dívidas antigas ou adquirir novos bens, ou seja, é dinheiro entrando no comércio”, reforça Conte.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que a avaliação quanto à situação de renda atual também foi otimista, e alcançou 98,8 pontos em setembro, com alta de 29,8% em relação a setembro de 2017, o que significa que a percepção das famílias quanto à sua renda segue melhorando. A inflação em 12 meses está abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5% ao ano. Dados apontam, por exemplo, que mesmo com a desvalorização cambial, a inflação ao consumidor tem se mantido estável.

Crédito e bens duráveis

Nesse contexto, o componente de facilidade de acesso ao crédito em setembro de 2018 atingiu 58,1 pontos, com redução de 15,4% sobre o mesmo período do ano passado. De acordo com a pesquisa, as instituições que ofertam crédito seguem cautelosas devido ao cenário instável. Dessa forma, as famílias gaúchas encontram mais dificuldades para adquirir os chamados bens duráveis.

A pesquisa

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é um indicador calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a partir de uma pesquisa mensal de sondagem da condição de vida (trabalho, renda e consumo) das famílias, buscando, assim, antecipar o comportamento das vendas do comércio.

No Rio Grande do Sul, a pesquisa é realizada em Porto Alegre ao longo dos dez dias anteriores ao mês de referência e abrange em sua amostra, no mínimo, 600 famílias. Sua divulgação é realizada mensalmente pela Fecomércio-RS. O ICF é formado por componentes como situação da renda e emprego, acesso a crédito e perspectivas profissionais.

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