Mulheres ainda são minoria nas bancadas gaúchas

Doutora em Direito cita falta de investimento de campanha como um dos fatores

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A bancada gaúcha no Congresso terá uma mulher a mais no próximo ano, enquanto na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul não houve acréscimo de parlamentares em relação à eleição anterior.

Para a Assembleia, nove deputadas foram eleitas, sendo que Any Ortiz, do PPS, fez o terceiro maior número de votos (94.904). Além dela, estão na próxima legislatura Silvana Covatti (PP), Luciana Genro (PSol), Kelly Moraes (PTB), Juliana Brizola (PDT), Franciane Bayer (PSB), Sofia Cavedon (PT), Zilá Breitenbach (PSDB) e Fran Somensi (PRB).

Juntas, elas representam apenas 16,3% de todo o grupo de 55 deputados, que mantém a maioria masculina.

No Congresso, elas passaram de duas para três deputadas. A única que permaneceu foi Maria do Rosário (PT), saindo Yeda Crusius (PSDB) e entrando Fernanda Melchionna (PSol) e Liziane Bayer (PSB).

As gaúchas no Congresso representam 9,67% de toda bancada do Rio Grande do Sul. Um número pequeno entre os 31 deputados que compõem a bancada gaúcha em Brasília.

REPRESENTATIVIDADE

Segundo a doutora em Direito Josiane Petry Faria, coordenadora do grupo de pesquisa Dimensões do Poder, Gênero e Diversidade do PPGDireito e do projeto de extensão Projur Mulher e Diversidade da Universidade de Passo Fundo (UPF), houve uma preocupação nas eleições deste ano em ter mulheres concorrendo em todos os cargos, porém, o aumento “insignificante” pode estar ligado à falta de investimento de campanha quando comparado a outros candidatos.

 

– Toda demanda por representação política não foi atendida e não correspondeu ao que se desejava nas urnas. O que se justifica muito pela ausência de investimentos em campanha de mulheres. Tivemos a reeleição de algumas mulheres no Rio Grande do Sul, que já eram conhecidas da política, mas o ingresso de muito poucas. Como diz a Nancy Fraser, precisamos dos três “R’s”: reconhecimento, representatividade e redistribuição. Ou seja: você precisa de uma redistribuição do poder para que tenha maior representatividade e, com isso, o reconhecimento das demandas e das pautas da mulher – argumenta.

Além disso, Josiane destaca que é imprescindível para a democracia representativa que haja um legislativo composto por pares que tragam reclamações e petições dos nichos a que representam.

Porém, há outros espaços citados pela doutora que também devem ser ocupados por mulheres a fim de garantir essa representação. Entre elas, ela aponta audiências públicas, consultas públicas e movimentos sociais.

“Tivemos a reeleição de algumas mulheres no Rio Grande do Sul, que já eram conhecidas da política, mas o ingresso de muito poucas. Como diz a Nancy Fraser, precisamos dos três ‘R’s’: reconhecimento, representatividade e redistribuição.”
Josiane Petry Faria

 

 

 

 

CONGRESSO

Permaneceu
Maria do Rosário (PT)
97.303 votos

Saiu
Yeda Crusius (PSDB)
37.549 votos

Entrou
Fernanda Melchionna (PSOL)
114.302

Liziane Bayer (SPB)
52.977

ASSEMBLEIA

Permaneceram
Any Ortiz (PPS)
94.904 votos

Silvana Covatti (PP)
75.068 votos

Juliana Brizola (PDT)
44.755 votos

Zilá Breitenbach (PSDB)
24.115 votos

Saíram
Liziane Bayer (PSB)
Concorreu a deputada federal

Manuela D’Avila (PCdoB)
Candidata a vice-presidente de Haddad (PT)

Miriam Marroni (PT)
Não disputou

Regina Becker Fortunati (PTB)
32.287 votos

Stela Farias (PT)
30.661 votos

Entraram
Luciana Genro (PSol)
73.865 votos

Kelly Moraes (PTB)
44.755 votos

Franciane Bayer (PSB)
40.317 votos

Sofia Cavedon (PT)
32.969 votos

Fran Somensi (PRB)
15.404 votos

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