O poder revelador da música

O sonho do Festival Estudantil da Canção de Carazinho se realizou e superou as expectativas. Foram três noites de apresentações intensas, carregadas de emoção, energia e descobertas de muitos talentos

As torcidas foram vibrantes, cheias de adereços e carinho pelos participantes (Foto: Isabella Westphalen/DM)

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Desde a primeira noite de apresentações, antes mesmo dos shows começarem, o clima já era de dever cumprido e pura emoção. Emoção por parte de quem organizou, dos familiares e amigos na plateia e principalmente dos participantes, que não esconderam a alegria de poder viver aquele momento, muitos, pela primeira vez. Acredito que oportunizar o espaço de protagonismo aos jovens, para que brilhem e mostrem o que sabem fazer de melhor, é o mais importante sobre o Festival Estudantil da Canção de Carazinho, o Fesca.

O fato de olhar para eles, em sua maioria jovens de até 18 anos, encher um ambiente de pessoas vibrando pelo sucesso de cada um, criando uma atmosfera de carinho e orgulho, é o que importa mais. Os jovens precisam ser levados a sério, é preciso oportunizar locais de fala, para que se expressem e apareçam. Nada melhor do que um show de talentos para fazer isso pela nossa futura geração. “Nós realizamos um sonho. Ver as pessoas participando e enxergar que os alunos se prepararam mesmo, com qualidade e dedicação, é o que importa”, salientou o diretor artístico do Festival, Flávio Kolling, que se disse admirado pela descoberta e reconhecimento de tantos talentos na cidade.

– Nosso objetivo foi atingido. Conseguimos trazer eles ao palco, mostrar a importância que eles têm para a nossa comunidade e o melhor, não precisamos ir fora buscar, temos vários talentos que podem ser explorados aqui mesmo e que têm tudo para despontar no cenário musical – enfatizou Kolling, vibrante e orgulhoso do sucesso que foi o Festival.

Diretor Artístico do Fesca, Flávio Kolling

Energia contagiante

Alguns mais nervosos, outros menos, porém, no palco, todos viraram estrelas. A pequena Luiza Dal’Agostin Marcondes, vencedora do segundo lugar na categoria infantojuvenil, é o exemplo que gosto de citar. Começou tímida, nervosa, porém, ao perceber a vibração da plateia através de sorrisos e palmas no decorrer da música, abriu um sorriso largo, cantou sorrindo, dançando. Encantou.

Cada um de sua maneira contagiou a plateia, que apesar de ter torcida organizada para alguns, vibrou por todos. Na segunda noite, por exemplo, ao ser anunciado o primeiro lugar para a estudante do Colégio Rui Barbosa Polyana Sabini de Mello, a dupla de MC’s do Colégio Cruzeiro do Sul Oniva de Moura Brizola, Ricardo dos Santos Pereira e Yan Roberto de Oliveira, enfatizou as palmas, dizendo “mereceu”. Além da comunidade descobrir talentos, os jovens que se apresentaram também se reconheceram.

Reconhecendo isso, Kolling afirma que essa energia dos estudantes aconteceu porque viram tudo que estava sendo preparado a eles, notando que de fato são estrelas, colaborando para que se soltassem cada vez mais no palco. “Muitos aqui nunca tiveram a oportunidade de cantar com uma banda, mas aqui eles viram que conseguem fazer e trouxeram esse brilho que nós já esperávamos”, destacou

Reconhecimento dos jurados

Para a professora e cantora Veridiane Becker – que começou a cantar com seis anos de idade e fez carreira com uma banda durante 26 anos – foi um desafio participar e avaliar os talentos, justamente pelo bom trabalho que cada participante mostrou. “O nível do Fesca é muito alto, eles estão muito bem preparados e a música tem um papel muito importante no desenvolvimento das crianças, estou contente de ter participado, estão todos de parabéns”, relatou Veridiane, que é natural de Não-Me-Toque.

Sobre inciativas como o Festival, Veridiane afirma que é necessário que existam, justamente para que os talentos locais sejam valorizados. “Meu desejo para a cultura é a expansão, o incentivo, acho que só assim o país vai para frente, o povo precisa disso, desse acesso e incentivo”, relatou a jurada.

Outra jurada da noite juvenil foi a regente de corais e cantora Júlia Kuhn – que faz dupla com Veridiane em festivais – e ressalta que a música tem um significado enorme quando o assunto é educação e valoriza a iniciativa do Festival. “Eu e a Veri bem sabemos, quando participávamos de festivais, como foi bom ter esse acesso, para mostrarmos nosso trabalho”, relatou Júlia.

Futuro

Diante do sucesso da 4a edição do Fesca, Kolling afirma que já pensam no futuro e em expandir categorias do Festival, inclusive, tornando-o regional, buscando fortalecer sempre mais o cenário cultural de Carazinho, tornando a cidade um polo cultural.

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