Pabllo Vittar traz referências brasileiras com pitadas pop em “Não Para Não”

Em entrevista, cantora comentou sobre a produção do segundo álbum da carreira

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Pabllo Vittar já deixou de ser apenas uma cantora drag queen que soma diversos sucessos desde que lançou “Open Bar” na internet, em 2015, e tomou conta das boates e de muita playlists por aí. Pabllo abriu as portas para a cultura drag no Brasil ao levantar a bandeira LGBTQ+ e deu espaço para que muitas outras queens que estão surgindo – como Gloria Groove, Aretuza Lovi e Lia Clark – também pudessem conquistar o seu lugar ao sol.

Em três anos de carreira, Pabllo acumula, pelo menos, 11 parcerias musicais, incluindo participações com cantores internacionais, além de ter o seu primeiro álbum “Vai Passar Mal”, com diversos hits como “K.O”, “Corpo Sensual” e “Indestrutível”, e é a primeira drag queen brasileira a ser indicada ao Grammy Latino 2018 com a faixa feita com Major Lazer e Anitta, “Sua Cara”.

Na última quinta-feira, a drag queen maranhense lançou o seu segundo disco “Não Para Não” em todas as plataformas digitais, recheado de referências tipicamente brasileiras e que a acompanharam durante toda a sua vida. “Eu fui vasculhar as minhas memórias da minha infância, da minha juventude no Maranhão e no Belém do Pará. Eu pude trazer ritmos que eu dançava quando era pequena. Eu ouvia muito tecnobrega, forró, arrocha, muito pagodão baiano e muita swingueira”, recordou.

Segundo Pabllo, ela quis resgatar o que a música brasileira tem de melhor o que dá para perceber nos primeiros singles lançados: “Problema Seu” e “Disk Me”. “A gente tem consumido muita música lá de fora. Tem tantos ritmos incríveis aqui no Brasil para a gente dançar e para explorar. Olha o tanto de coisa boa que a gente tem. Então eu quis trazer todos estes ritmos com a minha pitada de pop”, acrescentou.

Após um ano em produção, Pabllo comemora a repercussão de “Não Para Não”, que, em menos de uma semana de lançamento, já se encontra com todas as dez músicas no top-40 do Spotify Brasil e quatro entre o top-10. Repetindo a mesma fórmula de “Vai Passar Mal”, a drag queen traz canções curtas e extremamente dançante para não ter tempo para ficar sofrendo por “boy lixo”.

“Eu quis trazer uma temática para falar de todas as facetas do amor, que não é só aquela coisa de novela. A gente sofre, termina, leva pé na bunda. Eu já passei por todas estas vivências e quis trazer alegria, porque a gente sofre sendo bonita, damos aquela choradinha, mas em cima do salto, né? Porque a gente não deita para ninguém”, reforçou.

Parcerias mais do que especiais 

O álbum conta com três participações muito especiais para Pabllo. Fã de Dilsinho e Ludmilla, a cantora realizou o sonho de cantar “Trago O Seu Amor de Volta” e “Vai Embora”, respectivamente com os músicos. “Eu conheci Dilsinho ano passado e fiz o convite. Fiquei muito feliz que ele aceitou porque não imagino a música com mais ninguém”, disse. Com a funkeira carioca, ela também aproveitou o momento para atender o pedido dos fãs que há tempos pediam esta parceria. “Eu sou fã dela desde sempre. Eu mandei a ‘demo’, ela escutou e escreveu a parte dela. Quando ela aceitou, eu fiquei ‘morta’ né?”, brincou.

Além deles, Pabllo não poderia deixar de convidar a modelo e cantora transsexual Urias, a sua fiel escudeira, para dividir a faixa “Ouro”. “Ela me viu crescendo e me acompanhou desde sempre. Agora eu estou podendo vê-la crescer. É muito legal. A nossa música fala de amizade, de apoiar as amigas. Isso é tão importante que a gente acaba esquecendo quando alcança um patamar e acaba deixando de lado os amigos que te ajudaram”, ressaltou. “Eu quis trazer Urias para este álbum, porque eu amo muito ela e tudo que ela representa”, declarou.

“A gente não existe, a gente resiste”

Ícone do movimento LGBTQ+ no Brasil, Pabllo é uma fonte representativa e inspiradora para a comunidade gay brasileira. Por isso, ela pediu para que os fãs não deixem o medo tomar conta, devido ao resultado das eleições nesse domingo, e que a minoria, que na verdade é uma maioria, tem uma voz muito grande e que não é qualquer “rolê” que vai acabar a luta.

“A gente tem que se cercar de pessoas que gostam da gente, trazem algum conforto nesta hora tão escura e triste. Nossa voz, ela não vai se calar. Vamos continuar resistindo. A gente faz isso desde que nasceu, não é? A gente não existe, a gente resiste.”

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