Quem vai tirar o Brasil da crise?

Com discursos opostos, Bolsonaro e Haddad defendem planos econômicos distintos para administrar a economia do país

Arte: Henrique Peter/Diário

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No dia 28 de outubro, os brasileiros vão mais uma vez às urnas para definir, no segundo turno, quem será o líder da nova equipe de governo que assumirá a administração do país em 2019. Separados por bandeiras ideológicas contrárias, Bolsonaro, do PSL, e Haddad, do PT, serão os dois concorrentes ao cargo de presidente, e travam uma disputa histórica entre dois planos de governo completamente distintos.

De um lado, a novidade é Jair Bolsonaro, que entra no pleito sem experiência na administração pública, mas com uma longa carreira no legislativo. Com o objetivo de vencer a eleição, abriu mão de ideias estatizantes que defendia como parlamentar, e agora se apresenta como a alternativa ao liberalismo econômico. Na outra ponta, Fernando Haddad representa, de maneira direta, uma continuação dos governos de Lula e Dilma, que chefiaram a gestão das contas da União por 13 anos.

Livre mercado versus intervenção do Estado

Do ponto de vista econômico, o segundo turno se resume a dois planos: o liberalismo de Bolsonaro, criado nos moldes das administrações de Fernando Henrique Cardoso (presidente de 1995 a 2003), e a estatização de Haddad, que se baseia no último mandato do Partido dos Trabalhadores (Lula, de 2003 a 2011, e Dilma Rousseff, de 2011 a 2016).

O economista e cientista político Ginez de Campos defende que são as propostas econômicas que pautarão a disputa. “É o mercado, de empresários e trabalhadores, quem escolhe o seu candidato e seu plano de governo. E faz essa leitura em conjunto, não separa a pessoa do seu plano, quem separa esse entendimento são os sindicatos, os partidos políticos, é gente que faz militância, e que segue doutrinamento ideológico”, opina.

Ginez lembra que o mercado não é um indicador aquém da realidade do brasileiro. “O mercado é constituído pelos empresários, pelas empresas, e também pelos trabalhadores. É importante lembrar isso. E essas duas pessoas, a física e a jurídica, elas, em conjunto, olham para o candidato, e entendem quem melhor representa a possibilidade concreta e efetiva de sairmos da crise, de retomarmos a atividade econômica, e consequentemente a geração de empregos. Pois o empresário investe, e ao investir, ele gera mais empregos. E interessa, também ao trabalhador, que o empresário volte a investir, porque não há contradição entre capital e trabalho, nem entre patrão e empregado, e o que deve haver é uma cooperação e união. Isso porque, se a economia afundar, afundam as empresas e os trabalhadores”, defende.

Polarização política e econômica

Embora relegada nas discussões principais de sua campanha, a arquitetura econômica da chapa de Bolsonaro defende o livre mercado, amplas privatizações, diminuição dos gastos do governo e carta branca para o Banco Central. Seu plano fala em manutenção do tripé macroeconômico, caracterizado pelo câmbio flexível, com meta fiscal e também para a inflação. Para encabeçar esse planejamento, o candidato do PSL convocou o economista Paulo Guedes, que teria, pelas palavras de Bolsonaro, plenos poderes no Ministério da Fazenda, que também administraria funções hoje desempenhadas pelos Ministérios do Planejamento, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), além da Secretaria Executiva do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). Para Campos, o profissional elencado pelo PSL é uma boa representação. “O economista que ele escolheu é o mais adequado, e o plano de governo criado pelo partido é o mais apto a resolver grande parte dos problemas”, analisa.

Economista acredita que o mercado definirá o novo presidente (Foto: Arquivo/Diári)

O candidato petista, por outro lado, alinha sua organização mercadológica nas experiências anteriores do PT no Planalto. Isso envolve presença maior do Estado na economia, com a mão do governo no controle dos tributos, dos investimentos, e no uso da máquina pública. Pelo programa de Haddad, o “projeto nacional de desenvolvimento”será o propulsor do consumo interno para, consequentemente, movimentar o mercado para sanar a situação fiscal do país, que caminha para o seu quinto ano consecutivo de deficit primário, gerado pela grande e histórica discrepância entre gastos e arrecadações.

Ginez avalia o plano de Haddad baseado na reprovação do mercado que levou ao impeachment de Rousseff. “Se um candidato representa, em algum ponto, uma ameaça à atividade econômica, o mercado reage negativamente. É aí que ocorre o que nós chamamos de volatilidade do mercado, que a gente vê em relação ao dólar e às bolsas. Quando o preço do dólar muda muito, baixando e subindo, e as bolsas também, é o mercado reagindo à política”, comenta.

Segundo o economista, o cenário incentiva o debate. “Estamos vivendo uma polarização, de direita e de esquerda, e o mercado vai decidir quem é o melhor para a economia, avaliando o presidente, o economista, e o plano de governo”, alega Ginez, salientando que a decisão, no que toca ao quadro econômico, independe de ideologias, e sim do reconhecimento profissional. “Em uma escala de importância, a pessoa que está no topo desse avanço é o presidente, e logo depois, é o ministro da economia, que no nosso caso é o Ministro da Fazenda, que deve ser, obviamente, um economista”, finaliza.

 

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