Recado das urnas é sobre necessidade de autocrítica dos partidos, diz Paim

Senador reeleito, Paulo Paim (PT), afirma que eleitores protestaram em forma de voto no primeiro turno e que modo tradicional de fazer política necessita de reavaliação

Foto: Divulgação/Senado Federal

Compartilhe

Reeleito com 1,8 milhão de votos para o segundo mandato no Senado, Paulo Paim (PT) foi um dos oito parlamentares que obtiveram êxito na tentativa de emplacar mais oito anos na Casa, entre um universo de 32 nomes. A bancada do PT, no entanto, foi reduzida pela metade, já que dos 13 senadores, o partido terá apenas 6 senadores no ano que vem. Em entrevista ao Diário, Paim falou a respeito de seus últimos oito anos de representação gaúcha em Brasília e sobre a atual situação política, ilustrada pelo segundo turno à presidência da República entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

Diário – Quais foram os principais momentos do seu mandato nesses últimos oito anos?

Paulo Paim: Eu apresentei aqui no plenário do Senado mais de mil projetos, dezenas deles aprovados. Entre eles o Estatuto do Idoso, que beneficiou mais de 40 milhões de pessoas. O Estatuto da Pessoa Com deficiência beneficiou outras 46 milhões de pessoas. Fui relator do Estatuto da Juventude que implica em todos os jovens do país. Aprovei pautas que combatem o preconceito que ajudam todos os brasileiros, de todas as classes sociais. Na área econômica, aprovei a equação do salário mínimo inflação mais PIB que tirou ele dos U$$ 60,00 para U$$ 320,00. Aprovei também outras tantas leis que beneficiaram a vida de todos os brasileiros e brasileiras.

Diário – Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, apenas oito conseguiram um novo mandato, entre eles o senhor. A bancada do PT, no entanto, reduziu mais do que a metade. Como o senhor avalia este resultado das urnas?

Paulo Paim – Na Câmara dos Deputados, o PT continua com a maior bancada. Nenhum partido tem 55 parlamentares. E aqui no Senado nós devemos ser a quarta ou a quinta maior bancada. Mas é claro que, no conjunto da obra, nós vamos ver que a bancada conservadora aumentar. Deve estar hoje entre 300 a 350 deputados e a quase 60 ou 65 senadores. É muita gente. Estou prevendo que teremos anos muito difíceis aqui no Congresso. Eles virão contudo com a Reforma da Previdência e ainda piorando a Reforma Trabalhista, querendo tirar décimo terceiro e férias. Então neste momento, eu digo que nós tenhamos a mobilização popular e aí nós trabalharemos de forma para dentro e de dentro para fora. Para permitir que projetos que melhores a qualidade de vida da população. É um quadro preocupante.

Diário – E qual a sua percepção sobre a disputa do segundo turno à presidência da República entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL)?

Paulo Paim – No segundo turno zera tudo, começa tudo de novo. Vamos ter seis debates nessa fase da campanha e eu espero que as pessoas vejam quem é que tem capacidade para governar o país. Eu espero mesmo. Agora, pelo outro lado, também, é preciso que os partidos políticos vejam também que a população fez um voto de protesto. Com certeza absoluta que se 90% da população for questionada sobre o partido do nosso adversário, ninguém sabe. A campanha que estamos vivendo acabou rechaçando a forma atual de fazer política. O quadro é crítico e o alerta aos partidos políticos que se não mudarem sua forma de agir, podem ser exterminados.

Diário – Então o senhor acha que falta uma autocrítica dos partidos tradicionais, inclusive o PT, dentro desta conjuntura do “voto de protesto” que foi citada pelo senhor? Falta essa autoavaliação sobre as atuações, sobre os escândalos de corrupção na qual estão evolvidos?

Paulo Paim – Eles precisam entender que o povo disse não sobre esta forma de fazer política. O Brasil quer uma política de resultado, e não só debate ideológico. O povo quer saber de fato que vai melhorar a qualidade de vida dele. Esse resultado que está ai até agora é um sinal de alerta. Que todos percebam que fazer política dessa forma é suicídio e o resultado apontam isso.

Diário – A Reforma da Previdência, a renegociação da dívida do RS com a União e a Reforma Tributária pautaram esta campanha eleitoral. Qual a sua posição sobre cada um destes temas?

Paulo Paim – Eu sou radicalmente contra a essa reforma que vai acabar com a nossa previdência. Eu instalei aqui uma CPI, fui autor desta proposta, que provou que tem dinheiro sim. É só acabar com os desvios, sonegação, apropriação indébita e o perdão dos grandes devedores. Só de apropriação indébita são R$ 30 bilhões por ano que desaparecem. Só de recursos da União descolados para outros fins foi R$ 1,5 trilhão. Só de devedores à Previdência são quase R$ 2 trilhões. Não precisa, em hipótese nenhuma, querer que o trabalhador tenha de 49 anos de contribuição. Quanto a Emenda 45, que proíbe investimentos por 20 anos, deve ser revogada. Só pode mesmo crescer o desemprego. Por fim, a dívida com o RS. Eu vejo de uma forma diferente. Nós fizemos uma dívida de R$ 9 bilhões, pagamos R$ 30 bilhões e estamos devendo R$ 60 bilhões. Não adianta empurrar com a barriga, porque ela é impagável. Não tem como pagar. Eu pedi para atualizar pelo IPCA e no fim das contas, que precisa nos devolver dinheiro é a União. É preciso de articulação com outros estados para ir para cima e fazer com que esse novo cálculo seja adotado.

Leia grátis o jornal digital

Comentários
Diário da Manhã

Diário da Manhã - Todos os direitos reservados. All rights reserved ®