Redução da gasolina nas refinarias pode não chegar às bombas

Aumento da cobrança do ICMS encarece combustível e passa a valer hoje no país

Foto: Anderson Favero/DM

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A partir desta quinta-feira (1°), a gasolina comum no Rio Grande do Sul deve custar R$ 4,9931, 11 centavos mais cara que o valor anterior. A mudança acompanha os novos preços de pauta para cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis, anunciados no dia 29 de outubro pela Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e pode não ser impactada com a queda do valor repassado pela Petrobras às refinarias que a partir de hoje irá custar R$ 1,8466 o litro sem tributos.

O valor anunciado pela Petrobras é o mais barato desde junho, quando a gasolina chegou a ser fixada em R$ 1,8634, mas segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, não representa uma queda direta na bomba devido aos impostos aplicados sob o produto.

– Não adianta só a Petrobras baixar os preços, mas carga tributária continuar alta – critica. “A gente tem que considerar que a revenda vive uma crise que nunca tinha acontecido antes. Temos mais de 100 postos fechados e uma cobrança alta de ICMS que não ajuda a fechar as contas”, argumenta.

Segundo Dal’Aqua são as taxas tributárias que criam o maior empecilho para que haja uma real mudança de preço para o consumidor final.

Na conta, entra a cadeia do combustível das refinarias às bombas, que ainda recebe acréscimo de aditivos, regulados por outras cotações.

– Tem custo de produção, o custo de refinaria que vale um terço do produto. E a essa gasolina ainda tem que ser adicionado 27% de etanol anidro, buscado em outra usina, e com preço regulamentado por outra bolsa de mercado que não é a mesma da refinaria. Depois ele vai para a distribuidora. A distribuidora recolhe os impostos estaduais e federais, que são cerca de 50%, juntos, e ainda tem a logística, distribuição e depois a revenda – explica.

Desse total, Dal’Aqua aponta que apenas uma parcela de 10% permanece no posto, o que implica nas grandes crises vividas pela categoria que levaram ao fechamento de unidades.

As contas, de acordo com o presidente do sindicato, variam em diferentes regiões e postos, de acordo com as respectivas distribuidoras.

CARAZINHO

Na contramão, Carazinho tem conseguido manter uma política de redução dos valores. Nos postos da Rede PV Combustíveis já houve uma queda em relação ao ICMS regulado na metade do outubro. Na época, sugeria-se R$ 4,8826 e a unidade já trabalhava com R$ 4,29.

De acordo com Dal’Aqua será necessário esperar alguns dias para ver se o impacto da redução anunciada pela Petrobras chegará nas refinarias e distribuidoras, para então rever os impactos das taxações, que só de ICMS representam 30%.

 “Não adianta só a Petrobras baixar os preços, mas carga tributária continuar alta”
presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua

NOVOS VALORES no RS

Gasolina C – Passa de R$ 4,8826 para R$ 4,9931
Gasolina Premium – Passa de R$ 6,4114 para R$ 6,5672
Diesel S 10 – Passa de R$ 3,6942 para R$ 3,7907
Diesel S 500 – Passa de R$ 3,6003 para R$ 3,6933
Etanol (AEHC) – Passa de R$ 3,9471 para R$ 4,0363
GNV – Passa de R$ 3,121 para R$ 3,1212

 

foto: Anderson Favero | Diário

foto: gasolina

De acordo com Dal’Aqua será necessário esperar alguns dias para ver se o impacto da redução anunciada pela Petrobras chegará nas refinarias e distribuidoras

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