Teleagendamento auxiliará para desafogar emergência

Após a suspensão das consultas nesse setor do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo, órgãos de saúde atuam em plano para atender demanda

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No dia 15 de outubro, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo anunciou a interrupção das consultas no setor de emergência devido à superlotação. A capacidade da Emergência do HSVP é de 30 pacientes mas, diariamente, a unidade precisa atender um número maior, devido ao alto número de pacientes que procuram o setor, com problemas que poderiam ser atendidos na rede ou atenção primária de atendimento.

A assessoria do HSVP relatou que o atendimento voltou à normalidade, incluindo o setor pedagógico, e as consultas estão sendo agendadas das 7 às 19h, após isso, são encaminhadas ao Hospital Municipal. Mesmo com a crise temporariamente atenuada, a médica coordenadora da Emergência Dra. Luciana Renner enfatiza que a superlotação do serviço de emergência gera uma série de conflitos e tensões. “Pacientes e acompanhantes irritados e insatisfeitos. Tempo longo entre o atendimento inicial e a alta, com consequente baixa resolutividade e redução na qualidade do atendimento”, aponta Renner.

Desde então, a Secretaria Municipal de Saúde, a 6ª Coordenadoria e o Ministério Público estão formatando uma solução. “Todas as nossas discussões são no sentido de garantir que as pessoas, que não precisam estar no hospital, que busquem a rede. E a gente sabe que as pessoas não buscam a rede municipal, as vezes, não por não ter acesso, mas porque tem uma cultura e ir no hospital fazer tudo lá”, explica Carla Gonçalves, secretária municipal de Saúde.

A unidade da HSVP atualmente tem realizado atendimento somente a casos de urgência, como acidentes envolvendo veículos, armas, descargas elétricas e animais peçonhentos, derrames, inconsciência, afogamentos, queimaduras, desmaios e alteração de consciência, entre outros. “O que precisa ser esclarecido, é que tanto o Hospital da Cidade quanto o HSVP, são hospitais que tem uma pactuação do Estado para a Emergência de porta aberta. Isso quer dizer que eles precisam acolher as pessoas que chegam, eles não podem fechar as portas da Emergência para casos específicos, como alguém enfartando ou uma vítima de um acidente”, afirma Gonçalves.

Remanejo de pacientes

Para tentar contornar a situação, a saída é remanejar o atendimento. “Estamos desenvolvendo ações com as equipes, no primeiro momento com os médicos e os enfermeiros das unidades, no sentido de que vai reduzir o número de pacientes agendados, deixando os agendamentos para situações como pré-natal, pacientes que trazem exames de rotina, e pacientes crônicos. Os demais médicos vão receber o paciente que a gente manda por demanda espontânea, que é a pessoa que tem dor de cabeça, febre, dor nas costas. Para essa pessoa, vai ser feito o acolhimento na parte da enfermagem, detectada a necessidade, se é uma situação que pode ser resolvida em outro dia, enfim, para que a gente tenha esse fluxo mais facilitado no acesso às pessoas no atendimento de saúde”, demonstra a secretária.

Foto Divulgação / PMPF

Para isso, será utilizado um sistema que já está em atuação em vários municípios. “Se for identificado que aquele paciente não precisa ser atendido na emergência, será feita a contra referência para a unidade, e poderá então agendar essa consulta. Estamos instalando o sistema de teleagendamento, que já existe na rede municipal, na recepção dos hospitais, e com isso o responsável, no caso um enfermeiro, vai acessar o sistema e vai verificar, conforme a região onde a pessoa mora, o local ou a unidade de saúde mais próxima de sua residência, para que ela possa ser atendida tão logo seja possível. As demandas nos turnos da manhã e da tarde, serão remanejadas para as unidades de saúde, e o que for à noite, será deslocada para o pronto atendimento do Hospital Municipal.”, informa Gonçalves.

A secretária relembra que, mesmo com todo planejamento, o paciente deve evitar sobrecarregar as emergências dos hospitais: “Também estimulamos as pessoas que sempre, primeiramente, procurem a unidade básica. Que só procurem o pronto atendimento municipal e as emergências dos hospitais se realmente for uma situação aguda”, concluiu.

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