Trigo prejudicado com sequência de chuva

“A chuva reduz a luminosidade, fator essencial para a saúde do trigo”, aponta especialista

Foto: Arquivo | Diário

Compartilhe

O mês de outubro tem sido chuvoso. E isso tem acendido o sinal de alerta na região, afinal, a situação das lavouras de trigo, em função do clima, preocupa técnicos da área agrícola.

– As lavouras do cereal vinham muito bem, com grande potencial produtivo e indicativo de qualidade do grão. Tivemos uma alteração no clima, que passou a ser extremamente chuvoso no mês de outubro, período mais crítico da cultura, que é o de enchimento do grão – analisa o agrônomo e assistente técnico regional da Emater-RS/Ascar, Cláudio Doro.

No mês que antecede a colheita, que deve se iniciar em duas semanas, a média total de chuva fica nos 152 milímetros. O volume, faltando 12 dias para o término deste mês de outubro, já ronda os 200 milímetros.

De acordo com Doro, a região já vem numa escala de redução de área destinada ao plantio de trigo. “Para a safra cuja colheita se aproxima, foram plantados na região 48 mil hectares com o cereal, número que correspondeu a 3,55% a menos em quadro comparativo com a safra de 2017”, diz o agrônomo.

Efeitos para a sanidade da planta

Conforme Cláudio Doro, o clima chuvoso tem acelerado o surgimento e avanço de doenças no trigo, principalmente os fungos, como, por exemplo, o da giberela, que ataca diretamente a qualidade do grão. “A chuva reduz a luminosidade, fator essencial para a saúde do trigo, e ainda impossibilita a entrada nas lavouras para a aplicação dos fungicidas. No momento, a situação é muito preocupante e se encaminha para o comprometimento dos índices de produtividade e também da qualidade do grão”, salienta Doro.

Problemas na qualidade do grão

Para o agrônomo, a sequência de chuvas tendo continuidade nos próximos dias fatalmente acarretará em grandes perdas para os triticultores, que estavam esperançosos em conseguirem retirar das lavouras neste ano um trigo com qualidade de grão. “Um grão saudável, que deve estar com seu pH acima dos 78, significa preço bom no mercado comprador, que exige condições para que o produto possa ser transformado em farinha de boa qualidade. Quando se tem o processo inverso, provocado por questões climáticas, o valor de mercado cai e o produtor acaba recebendo muitas vezes pouco mais de R$ 20,00 a saca, praticamente 50% de um grão de qualidade”, explica Doro.

Consequências para a produtividade

Conforme o agrônomo, as estimativas iniciais apontavam para uma média de 50 a 55 sacas de trigo por hectare. Mas, devido ao excesso de chuvas, não se atingirá a previsão. “Uma frustração na safra acarretará em problemas maiores aos triticultores, que terão dificuldades de pagarem os investimentos que fizeram para a formação das lavouras de trigo. Mais uma vez na reta final a cultura acaba sendo prejudicada por excesso de chuva”, completa.

Na região as lavouras plantadas com o uso de alta tecnologia apresentavam potenciais produtivos de até 80 sacas por hectare. Estas lavouras também estão com os índices comprometidos por questões climáticas. A colheita deve ter início no final do mês, tendo o maior pico a partir da primeira semana de novembro.

Leia grátis o jornal digital

Comentários
Diário da Manhã

Diário da Manhã - Todos os direitos reservados. All rights reserved ®