Um cantinho de cola grossa e franja comprida em Carazinho

A Cabanha do Ouriço, do Distrito de São Bento, com seriedade e profissionalismo se tornou referência do Cavalo Crioulo

Foto: DM/Marcelo Fripp

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A Cabanha do Ouriço, do Distrito de São Bento, com seriedade e profissionalismo se tornou referência do Cavalo Crioulo

Pra quem ruma à Santa Terezinha, partindo de São Bento, do lado de lá do Rio da Várzea, logo que chega no tope da primeira coxilha, vai botar os olhos à esquerda. Ali está, sempre de porteira aberta, a Cabanha do Ouriço. Foi dali, que agora, neste início de setembro, saíram os dois ginetes e os cavalos campeões da prova Nacional de Paleteada da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).

Logo que se adentra à cancela, duas carreiras de coqueiros levam o visitante à campana que fica à porta do rústico e aconchegante galpão. De pronto se percebe um certo ar de contentamento, mesmo que ninguém expresse com essas palavras, por ali estar trabalhando, se dedicando e, claro, se divertindo nos afazeres do que se gosta.

A história da Cabanha do Ouriço se confunde com a trajetória de Felipe Weber, o laureado filho do proprietário da Estância, Luiz Augusto Weber. O gosto por andar a cavalo, ou como popular “gauchês” do campo conta, “de pé estrivado”, veio do incentivo de família, com “cavalos comuns”. “A cabanha começou faz cerca de 20 anos, antes de eu nascer, e foi meio de brincadeira que meu pai iniciou com a criação de cavalos. Aí, veio o Crioulo e começamos a profissionalizar os processos”, relata Felipe, lembrando que foi com o avô, que “tinha uns cavalos comuns, mas depois meu padrinho, que é crioulista, deu dois cavalos ao meu pai e foi daí o começo”.

A paleteada de 2018

E se a sineta da campana, que conta hoje quem vem chegando, é também o badalo de campana que autoriza que as duplas, em suas parelhas crioulas, vão à pista para a prova de paleteada. “Paleteada é lida bruta, nascida nas escaramuças, quando se apartavam tropas em ‘Machaços’ atropelos”: nos versos de Rogério Villagran, a lide campeira, que virou prova para os criadores de Cavalos Crioulos para medir a habilidade de seus animais, também trouxe em 2018 o ápice à Cabanha do Ouriço.

Mas a conquista do prêmio de 3º lugar na Paleteada Nacional e a eleição da égua Milonga do Ouriço como a melhor da prova em 2018 é consequência da evolução da propriedade da Família Weber. “Pra mim é muito importante, pra gente de gosta do cavalo, que gosta de assistir as provas, que gosta de competir, ganhar então, é muito significante. Valoriza o nosso nome, o nome da Cabanha. Nos colocamos no nível de profissionais, de pessoas muito talentosas, até de outros países”, comemora o ginete Felipe, que coleciona títulos na ABCCC, com cavalos da Cabanha do Ouriço, em todas as categorias e disputas para menores, ou seja, pra gurizada.

– Comecei a correr as provas jovens, tive bons resultados, fui cinco vezes para Esteio e obtive cinco freios (Freio de Ouro, prêmio máximo nas competições dos Cavalos Crioulos) nessas categorias, sempre com o objetivo de conseguir bons resultados, para levar o nome da Cabanha e de Carazinho e representar bem a nossa gente – descreveu.

Para o companheiro de Felipe nas provas, o contentamento é inigualável. “Foi muito gratificante pra gente chegar lá em Esteio (nas finais do ciclo crioulista que acontecem durante a Expointer), pois para isso não é fácil, e fazer isso e sair com o título, a emoção é muito grande. Quero agradecer a oportunidade que o seu Luiz e o Felipe me deram, pois é o resultado do trabalho do dia a dia, de dedicação”, celebrou Pedro Júnior a façanha de, entre mais de 2,6 mil animais do Brasil, montar um que esteve entre os três primeiros.

A parelha de picaços

Com o sobrenome Ouriço, os dois cavalos montados pela dupla carazinhense são nascidos e registrados na propriedade do Distrito de São Bento e foram escolhidos para ingressar no ciclo de paleteadas de 2018 pelas suas pelagens, picaços (nomenclatura no meio crioulista à pelagem preta).

Os dois animais laureados na prova da paleteada são frutos da evolução e profissionalização do trabalho da própria Cabanha do Ouriço. “Esses cavalos hoje são os mimosos da Cabanha. Essa égua (Milonga do Ouriço, montada por Felipe na prova), foi eleita o melhor animal do Brasil, fêmea, na prova de paleteada em 2018. O cavalo que o Pedro estava correndo, que é o Faceiro do Ouriço, não só agora, mas em outras oportunidades também, já deu grande alegrias pra nós, é o cavalo que ganhei o Freio de Ouro infantil e Freio de Bronze juvenil com ele”, explica Felipe Weber.

Outros dois animais da Cabanha do Ouriço participaram das finais do Cavalo Crioulo na Expointer deste ano: Facon do Capão Redondo, que, montado pelo ginete carazinhense Dudu Quadros, chegou na 6ª colocação na prova máxima do Freio de Ouro; e Metido do Ouriço, que foi avaliado na prova de morfologia.

A propriedade tem hoje 100 cavalos crioulos, trabalhando com uma média de 30 nas cocheiras – quando os animais estão sendo preparados para as provas –, serviço que envolve várias pessoas no cotidiano. “Temos que agradecer a todos que estão com a gente todos os dias aqui na Cabanha. Sem eles a gente não conseguiria chegar tão longe”, agradeceu Pedro Júnior, lembrando dos amigos e colegas de trabalho Leonardo Fiapo, Ibiner da Rosa, Renan Weber e Carlos Vieira.

– A Cabanha não para. Vamos tentar melhorar, já está começando o outro ciclo (2019), treinar mais, preparar ainda melhor os cavalos para, se Deus quiser, conquistar mais um bom resultado – ponderou Felipe Weber ao falar do futuro da Cabanha, o que foi ratificado por seu pai, Luiz Augusto, que também ocupa hoje a função de Secretário na ABCCC.

– Quem ganha com isso é o Cavalo Crioulo, é a renovação com esses dois jovens (os ginetes Felipe, 20 anos, e Pedro, 28 anos), que competiram de igual para igual com os mais experientes e conquistaram esse prêmio para nossa Cabanha, para Carazinho. Isso é um ciclo e vai se renovando, também com os cavalos vem essa renovação, já tivemos o nascimento de dois potros das nossas éguas nesta semana e cada vez mais nos desafia a procurar animais melhores e morfologicamente funcionais”, destaca Luiz Augusto Weber.

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