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Tecnologias e cultura digital: hoje o digital virou parte do real life

Autor: Redação Passo Fundo
Tecnologias e cultura digital: hoje o digital virou parte do real life
Foto: Divulgação / Imed

Cultura digital é tudo que explora as novas mídias que surgiram e se popularizaram nos últimos anos. A mídia se transformou e com isto surgiram oportunidades de relações sociais que eram impossíveis antes deste tipo de mídia existir. Quem explica é a professora dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação da IMED, Eliane Regina de Almeida Valiati.

É possível, hoje, visualizarmos estradas virtuais, novos caminhos e novas formas das pessoas se conectarem, que estão reestruturando completamente a forma como a cultura é feita. Essas novas mídias estão mudando de forma transversal todas as organizações de relacionamento, com impacto em todas as esferas: a cultura, a política, a ciência, o direito e a economia.

Cultura digital é um termo emergente. Vem sendo apropriado por diferentes setores e incorpora perspectivas diversas sobre o impacto das tecnologias digitais e da conexão em rede na sociedade. Interessa convocar uma reflexão coletiva ampla sobre estas perspectivas, fomentando a participação de todos os interessados em um processo inovador de construção colaborativa das políticas públicas para o digital.

Por outro lado, esse termo surgiu para fazer uma separação entre a cultura até então existente e algo que estava emergindo, que era o digital. Nos primeiros artigos sobre a cultura digital era muito comum se usar a expressão real life para se referir ao mundo das coisas sólidas, em contraposição a esse outro mundo, que seria o mundo virtual.

Essa separação inicial vai perdendo sentido à medida que o digital vai se entranhando nas coisas, as tecnologias digitais vão se naturalizando na vida das pessoas. Ninguém hoje mais fala em real life. O digital virou parte do real life. Mesmo os excluídos vivem num mundo de tecnologias digitais. É um digital que se transfere a todos esses equipamentos coletivos que nós utilizamos como parte do nosso dia-a-dia.


O barateamento de equipamentos tecnológicos, aliado à rápida evolução das aplicações em software livre e dos serviços gratuitos na rede, promoveu uma radical democratização no acesso a novos meios de produção e de acesso ao conhecimento. A digitalização da cultura, somada à corrida global para conectar todos a tudo, o tempo todo, torna o fato histórico das redes abertas algo demasiadamente importante, o que demanda uma reflexão específica.

Estamos diante de algo totalmente novo, e que não é adequado reutilizar termos carregados com significados anteriores para descrever o cenário atual. Enfim, existe uma real carência de representação conceitual para os fenômenos surgidos no âmbito da cultura digital. Este novo “sistema operacional” da cultura seria capaz de fomentar ao mesmo tempo criatividade, produtividade e liberdade, satisfazendo igualmente às demandas tanto de indivíduos quanto de coletividades.

Com a chegada de ferramentas de colaboração ubíquas, instantâneas e baratas, torna-se possível promover espaços de debate e construção coletiva onde modelos de coordenação pública descentralizada podem criar soluções inovadoras para as questões apresentadas pelo século XXI. 

Tal implementação tecnológica no ambiente das redes digitais, aliada ao conceito de ‘cultura participativa’, cria a possibilidade de se aproximar perspectivas que antes pareciam excludentes, convidando à conversa aberta grupos de interesse nas diversas áreas do conhecimento.


As pessoas mais criativas jamais estão reunidas todas em uma só empresa, governo, organização ou país. Abrir processos de construção de conhecimento na rede, facilitando a colaboração dos interessados, é uma iniciativa quase óbvia neste século. Pois, promover a inovação distribuída pode qualificar a democracia e transformar a sociedade.

Portanto, a tecnologia [deve ser] vista como um processo no qual a técnica propriamente dita não passa de um fator parcial. Não se trata da influência ou do efeito da tecnologia sobre os indivíduos, pois são em si uma parte integral e um fator da tecnologia, não apenas como indivíduos que inventam ou mantém o sistema, mas também como grupos sociais que direcionam sua aplicação e utilização.

A tecnologia, como modo de produção, como a totalidade dos instrumentos, dispositivos e invenções que caracterizam essa era, é assim, ao mesmo tempo, uma forma de organizar e perpetuar (ou modificar) as relações sociais, uma manifestação do pensamento e dos padrões de comportamento dominantes, um instrumento de controle e dominação, que pode promover tanto a escassez quanto a abundância.

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