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Exposição fotográfica retrata mulheres que já passaram por situação de violência

Autor: Redação Diário da Manhã
Exposição fotográfica retrata mulheres que já passaram por situação de violência
Foto: Divulgação

Obra “Mulheres Guerreiras” pode ser encontrada a partir do dia 8 de março no terceiro andar do Bella Città Shopping

Daniele, Greice e Paula, três mulheres independentes financeiramente, idades diferentes, mas com uma história em comum: todas sofreram em algum momento abuso. Daniele estava no terceiro mês de trabalho quando seu ex-chefe após várias tentativas frustradas a colocou contra a parede e tentou beijá-la a força, Greice foi mantida em cárcere privado sob o uso de medicamentos tarja-preta e monitorada por câmeras pelo seu ex-companheiro por mais de um ano, já Paula acordou com as facadas do ex-marido.

As três chegaram até o Projur Mulher, um projeto de extensão da Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo (UPF) que presta orientação e acompanhamento jurídico a mulheres e filhos em situação de vulnerabilidade e são as personagens do projeto fotográfico “Mulheres Guerreiras” da fotógrafa passo fundense Michele Sautner que será exposto no terceiro andar no Bella Città Shopping.

“Quero retratar essa guerreira, essa mulher incrível que passou por todo este processo de aprisionamento e estresse real e hoje está livre. Livre de amarras emocionais, livre de uma relação doentia e principalmente livre de agressões, sejam elas físicas, emocionais ou psicológicas”, comenta Michele.

A coordenadora do Projur Mulher, Josiane Petry Faria explica que estas mulheres, crianças e adolescentes chegam ao projeto abaladas emocionalmente, mas com uma força incrível para que aquilo que elas passaram não fique impune. “É um trabalho bastante gratificante. Quando elas chegam até nós elas estão sempre bastante fragilizadas, pois o processo todo é muito dolorido e conturbado. Envolve muitos sentimentos ambíguos e a maioria dos abusos acontece dentro de casa, com quem em sua teoria deveria lhes fornecer segurança”.

“Não quero que outras passem o que passei”

Essa é a frase da Paula, mãe de dois filhos, que presenciaram tudo o que acontecia com ela, enquanto seu ex-marido quase a matava com 15 facadas. “Foram eles quem me salvaram, e hoje estou aqui, viva, por causa deles. Vivo por eles”. Já Greice que ficou em cárcere privado, monitorada por câmeras e dopada por medicamentos diz que foi uma libertação, “Eu não assobiava, não cantava, era uma pessoa absorta nos meus pensamentos o tempo todo. Minha filha tinha oito anos na época, e se consegui sair daquela prisão domiciliar foi por causa dela.”.

Já Daniele, 21 anos, diz que o que passou em seu antigo ambiente de trabalho foi um inferno. Ela demorou três meses para tomar coragem e denunciar o assédio, o ápice foi uma tentativa de carícias em pleno escritório, forçadamente. A partir daquele momento ela nunca mais entrou novamente naquela sala.

Os casos das personagens do “Projeto Mulheres Guerreiras” mostra apenas uma pequena parcela do que acontece em Passo Fundo e região. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul somente no ano de 2016, Passo Fundo registrou 6.079 ocorrências de ameaças, 3.331 casos de lesão corporal, 162 casos de estupro, dois feminicídios consumados e ainda 38 feminicídios tentados (quando não consegue a morte da vítima). Ainda de acordo com o site Retrato da Violência Contra a Mulher, Soledade é a cidade com o maior número de incidências, Carazinho fica na 11ª posição e Passo Fundo na 15ª posição.

“A violência de gênero é uma criminalidade cuja subnotificação é muito grande. Estima-se que uma em cada quatro mulheres sofreu alguma espécie de violência doméstica, familiar e/ou sexual durante sua vida”, esta afirmação forte é da Secretária Adjunta de Segurança do Estado do Rio Grande do Sul, Cláudia Crucius. E Cláudia ainda completa: “A face mais grave desses fatos é que são praticadas, no mais das vezes, por homens com quem as vítimas mantêm ou mantiveram alguma forma de relacionamento afetivo”.

A secretária comenta a importância da denúncia, “importante frisar a necessidade de as mulheres procurarem denunciar as agressões sofridas, pois o silêncio alimenta uma cadeia de novas agressões, muitas vezes mais graves, podendo chegar até a morte (feminicídios). Neste dia em que se comemoram as mulheres todas nós devemos ter em mente o nosso valor e a nossa importância, para que nunca nos submetamos à barbárie da violência de gênero”, finalizou Cláudia Crucius.

Para denunciar é só ligar anonimamente na Central de Denúncias, ligue 180, ou ainda procurar o Projur Mulher, que fica na Avenida Brasil Oeste 743 no Campus III da Universidade de Passo Fundo ou ainda ligar no telefone (54)3316-8576.

A exposição “Mulheres Guerreiras – de Michele Sautner” – está aberta para visitação de 08 de março a 23 de abril, no 3° andar do Shopping, no horário das 10 às 22h (de segunda a sábado) e das 11h às 22h (aos domingos).

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