Diário da Manhã

Saúde

Insuficiência cardíaca nas mulheres

Autor: Daniele Freitas
Insuficiência cardíaca nas mulheres
Foto: Divulgação

Hipertensão arterial tem aumentado a incidência de doença cardiovascular no sexo feminino, em associação com os fatores de risco, como obesidade, diabetes e sedentarismo

No panorama geral das doenças cardiovasculares que afetam as mulheres, a insuficiência cardíaca (IC) – caracterizada por lesões no músculo cardíaco ou nas válvulas cardíacas - tem chamado a atenção de diversas entidades de saúde em todo o mundo. Entre elas, está a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, que já está em alerta devido ao número crescente de casos. A fibrilação atrial, arritmia cardíaca comum na população em geral e associada aos inúmeros casos de acidente vascular encefálico, tem papel preponderante entre as mulheres.

A insuficiência cardíaca é uma doença grave, crônica e com tendência a agravar-se com o tempo. Eventualmente, pode encurtar a vida do paciente. As causas variam de acordo com o sexo, sendo a doença arterial coronariana mais incidente nos homens, enquanto a hipertensão arterial é a principal causa entre as mulheres. Conforme dados do 1º Registro Brasileiro de Insuficiência Cardíaca (Breathe, do inglês Brazilian Registry of Acute Heart Failure), de 2015, 40% dos cerca de 1.270 pacientes pesquisados, internados em 51 hospitais públicos e privados em 21 cidades brasileiras, morreram. A IC acomete mais a terceira idade, sendo 73,1% acima de 75 anos e 60% mulheres. Embora a doença possa se desenvolver em qualquer idade, é a causa mais comum de internação em doentes com mais de 65 anos. Entre os idosos, a taxa de mortalidade é alta.

Segunda a Diretora do Departamento da Mulher da SOBRAC, a cardiologista Erika Olivier, em 2013, 53,3% das mortes por hipertensão arterial sistêmica (HAS) ocorreram nas mulheres que sofrem com outros problemas, como a obesidade, diabetes, dislipidemia e sedentarismo. A hipertensão também é provocada e adquirida com a gestação, após a menopausa e à exposição cada vez maior ao tabagismo. “Todos esses fatores associados à hipertensão têm aumentado a incidência de doença cardiovascular nas mulheres. Em particular, as arritmias cardíacas têm um papel importante na gênese na insuficiência cardíaca no sexo feminino, principalmente a fibrilação atrial”, comenta a cardiologista.

A médica ressalta ainda que, embora a prevalência da fibrilação atrial seja maior nos homens do que nas mulheres com a mesma idade, há mais mulheres com mais de 75 anos do que homens, o que faz com que o número absoluto de mulheres com fibrilação atrial seja igual ou maior do que nos homens. A hipertensão arterial não controlada aumenta o risco para o surgimento de arritmias cardíacas, que podem causar, precipitar ou agravar a insuficiência cardíaca. A HAS é a responsável por quase 50% dos casos. “Mais sintomática e recorrente, a fibrilação atrial causa o aumento da frequência cardíaca nas mulheres, sendo preponderante nos casos de insuficiências cardíaca”, explica. Nos Estados Unidos, três milhões de mulheres são portadoras de IC e 475 mil novos casos são diagnosticados por ano.

Bebidas alcoólicas e fatores de risco

Para a cardiologista Erika Olivier, intervir sobre os maiores fatores de risco e alterar aqueles passíveis de modificação devem ser alguns dos principais objetivos nos cuidados da saúde cardiovascular das mulheres. Embora os dados a respeito do alcoolismo entre mulheres sejam pouco divulgados, os cardiologistas apontam como um sinal de alerta no que tange aos cuidados com a saúde cardiovascular. O controle ou a eliminação de ingestão de bebida alcoólica deve ser um fator importante de prevenção. Cada vez mais comum entre as mulheres, o álcool pode levar à insuficiência cardíaca, pois, em excesso, aumenta a pressão arterial, contribui para a obesidade e para os casos de acidente vascular encefálico. A American Heart Association (AHA) indica que não se consuma bebida alcoólica e, se o fizer, recomenda para as mulheres não mais que uma dose diária (340 ml de cerveja, 114 ml de vinho ou 43 ml de bebida destilada). Além de contribuir para os fatores de risco das doenças cardiovasculares, o álcool em excesso também pode levar à cardiomiopatia alcoólica, provocada pela toxicidade no álcool no músculo cardíaco, contribuindo para a disfunção diastólica do coração - quando o coração está relaxado ou relaxando-se após uma contração - e para o quadro clínico de insuficiência cardíaca.

Tratamento

A hipertensão e a dislipidemia devem ter seus níveis controlados, seja por medidas não farmacológicas, como atividade física, dieta pobre em sódio e gorduras saturadas, ou farmacológicas, por meio de medicamentos específicos e com controle médico adequado e regular. O tratamento da IC é complexo e multifacetado. O tratamento deve ser conduzido por um cardiologista após a instalação da insuficiência cardíaca. No entanto, o clínico geral tem papel fundamental na identificação e prevenção dos fatores de risco que levam à doença, como tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo e alcoolismo, além de ações de prevenção e tratamento farmacológico e não farmacológico, para os fatores modificáveis por meio de ações de orientação e conscientização da população de risco.  

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