Diário da Manhã

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BR-386 poderá ficar de fora da concessão da ANTT

Autor: Sérgio Augusto Cornélio
BR-386 poderá ficar de fora da concessão da ANTT
Foto/Divulgação

Grupo de Trabalho terá mais três semanas para avaliar alternativas ao projeto. Prefeito Milton Schmitz diz ser favorável ao segundo modelo proposto, com as obras de duplicação da rodovia iniciadas no 3° ano e concluídas no 8° ano de concessão

A forte pressão de representantes da sociedade civil organizada de 34 municípios, com apoio de lideranças políticas estaduais e federais contra o modelo proposto de pedagiamento para rodovias federais surtiu efeito. Há forte possibilidade de o projeto de concessão da BR-386 não sair do papel.

Ainda nesta terça-feira (28), o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos, em reunião com o deputado federal Jerônimo Goergen e o prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, afirmou que o órgão pode desistir do processo por considerar que há uma grande contrariedade na sociedade gaúcha por conta do alto custo das tarifas.

Conforme o deputado Jerônimo Goergen, a decisão final sobre conceder ou não a rodovia à iniciativa privada seria tomada na próxima sexta-feira (31). No entanto, esse prazo foi prorrogado por três semanas para aguardar a conclusão dos apontamentos de um Grupo de Trabalho (GT) criado para avaliar alternativas ao projeto.

O GT é formado por representantes dos conselhos regionais de desenvolvimento e da Secretaria Estadual dos Transportes e deve se reunir na nesta quinta-feira (30). No encontro, o diretor-geral da ANTT alertou que, sozinha, a concessão da BR-386 não se sustenta. Ou seja, o projeto só receberá os investimentos da iniciativa privada se vier acompanhado de outros lotes de rodovias, como a BR-101. Diante do exposto pelo diretor-geral da ANTT, Jorge Bastos, como não está garantida a concessão em si do projeto original, ainda não há espaço para o debate sobre a extensão de Carazinho a Iraí.

Prefeito Milton afirma que o momento deve ser aproveitado

O prefeito Milton Schmitz reafirma ser absolutamente contra o primeiro modelo de pedágio proposto pela ANTT, em que os investimentos, entre eles a duplicação da BR-386, teriam início somente a partir do 12° ano de concessão. “Não podemos mais conviver com a BR-386 sem duplicação, por todo esse tempo. Nesta terça-feira eu vim de Porto Alegre e constatei novamente o trânsito maluco. Cresceu muito o fluxo de veículos, o que também sinaliza para uma reação na economia, temos também uma supersafra sendo colhida, mas a verdade é que a BR-386 não suporta mais esse volume de tráfego. Volto a afirmar que somos contra aquele primeiro modelo de pedágio”, reitera.

Por outro lado, o prefeito entende que não se pode perder esse momento, onde está acontecendo a renovação do contrato da freeway. “Nós precisamos trabalhar muito forte no sentido de aproveitar essa oportunidade, um belo de um negócio, onde entraria a BR-386 junto. A freeway já está pronta, é uma estrada que está perfeita. É necessário fazer os investimentos, e é o que está proposto agora, do 3° ao 8° ano acontecer a duplicação da BR-386”, ressalta Schmitz.

“Na minha visão não podemos perder esse momento, pois não sabemos quando voltará à pauta a questão da duplicação desta rodovia, se não encaixarmos agora, junto com a freeway. Esse é o pensamento do Município de Carazinho, totalmente contra o primeiro modelo proposto, mas a favor do segundo modelo, com 20% de obras a partir do terceiro ano e no oitavo ano a conclusão da duplicação da BR-386”, observa Schimtz, concluindo que a questão do valor do pedágio também é uma discussão necessária, “pois não pode ser uma tarifa muito cara, e isso precisa ser melhor discutido. Nós precisamos de infraestrutura, pois não podemos mais conviver com essa mesma estrada. Continuando assim, daqui a 12 anos, não dará mais para ir a Porto Alegre”, argumenta o prefeito.

Cidades querem fazer parte das discussões, diz de Loreno

“Se isso se confirmar eu entendo que vai ser muito bom. O ideal é deixar para os próximos governos federal e estadual discutirem, após as eleições de 2018. As cidades querem fazer parte dessa discussão. Prejuízos vão existir se forem instalados os pedágios nesse modelo, onde 34 cidades serão afetadas diretamente”, alerta o presidente da Câmara de Vereadores de Carazinho, Estevão de Loreno. “Depois que instalar isso aí, não tem volta mais, pois são 30 anos de concessão, podendo ser prorrogado por mais 30 anos. Nós temos que fazer alguma coisa agora, antes que se instale. Depois não vai adiantar ficar se lamentando futuramente. O deputado Jerônimo Goergen foi muito bem e eu cobrei isso particularmente dele, uma posição em relação aos pedágios. Que bom que  ele atendeu ao nosso pedido e de todas as cidades. Agora vamos ver a opinião do secretário Pedro Westphalen, que durante a Expodireto se mostrou contrário, mas que em Lajeado defendeu o modelo”, completa o parlamentar.

Necessidade de uma discussão mais ampla e clara

Para o presidente da TW Transportes, Alexandre Schmitz, se o modelo de pedágios proposto for aprovado, ele estima que será necessário um aumento de aproximadamente 5% nas tarifas da empresa e isso vai impactar diretamente no consumidor. “Nossa visão como empresário, e em razão da situação econômica atual, entendemos que já estamos pagando por essa infraestrutura, através dos nossos impostos. Então, vamos ter mais uma sobrecarga de custos, através de uma concessão que não está bem claro o modelo e seu funcionamento”, argumenta.

Alexandre Schmitz observa que são 30 anos de concessão, prorrogáveis por mais 30 anos. “Não nos parece estar equilibrado na relação custo-benefício, em um primeiro momento. E nos debates que ocorreram com o DNIT ele já havia recuado em alguns posicionamentos, inclusive de a duplicação ser antecipada. Até que se tenha mais informações, independentemente de que fique fora ou dentro, a BR-386 tem que ser mantida pelo Estado, porque nós pagamos impostos para isso”, conclui o empresário, frisando que é necessária uma discussão mais ampla e clara de como ficará a questão das tarifas e que benefícios efetivos serão trazidos para quem utiliza as rodovias.

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