Diário da Manhã

Saúde

Doença celíaca

Autor: Daniele Freitas
Doença celíaca
Foto: Divulgação

Alto consumo de produtos a base de glúten e pré-disposição genética são os principais fatores desencadeadores da doença

A doença celíaca ainda é um tanto quanto desconhecida pela maioria da população. A jornalista Aline Prestes, por exemplo, nunca tinha ouvido falar na doença antes do diagnóstico. Os sintomas, como dores abdominais, infecções urinárias de repetição e fortes crises de enxaqueca, foram os sinais de alerta de que havia algo errado com a saúde. Junto com a descoberta, vieram também as mudanças significativas nos hábitos alimentares e a despedida definitiva do maior inimigo da sua alimentação: o glúten, proteína encontrada em alguns cereais.

Atualmente, o padrão alimentar da sociedade é baseado em trigo - algo que, há algumas décadas, não era consumido de forma tão intensa. Pães, bolos, massas e biscoitos estão tão presentes nas refeições diárias dos brasileiros que parece difícil imaginar uma alimentação sem esses produtos. Difícil, mas longe de ser impossível. “Temos o glúten em grande quantidade no trigo, na cevada, no centeio e na aveia, e também em alguns derivados de trigo que não são tão comuns na nossa alimentação. O paciente celíaco tem que pensar em substituir esses alimentos. Por exemplo, em vez de usar a farinha de trigo, fazer um pão com farinha de arroz ou com tapioca. Há inúmeros outros alimentos que não são tão conhecidos, mas são acessíveis e podem ser utilizados sem risco nenhum”, orienta a nutricionista Cynthia Ianiski.

O alto consumo de produtos a base de glúten é o gatilho para que um paciente, que já possui pré-disposição genética, desenvolva a doença celíaca. Ela é uma doença de caráter autoimune, ou seja, o próprio organismo cria anticorpos contra estruturas do intestino. Por isso, o paciente celíaco não pode ingerir nenhum alimento que contenha glúten, pois a proteína aciona o sistema imunológico, fazendo a destruição da primeira porção do intestino delgado e ocasionando lesões. “A doença celíaca pode ser desenvolvida em qualquer fase da vida. Por exames laboratoriais, é possível saber se o paciente tem ou não essa pré-disposição genética, mas, sem dúvida, o principal fator está na rotina alimentar da pessoa”, explica. 

Sintomas

O paciente celíaco apresenta alguns sintomas clássicos e fáceis de identificar, como diarreia frequente, dor abdominal, produção de gases e perda de peso. Alguns pacientes podem ter o mesmo diagnóstico apresentando outros sintomas, como enxaqueca crônica, dermatite herpetiforme, aftas de repetição na boca, constipação crônica, fadiga crônica sem explicação aparente e cãibras com frequência. “O celíaco, em função da falta de absorção de nutrientes, pode também apresentar deficiências nutricionais importantes, entre elas a anemia, a baixa de vitamina de B12, ferritina e zinco. Podemos verificar isso a partir da realização de exames. Essas deficiências também são sinais que podem nos nortear para fazer uma investigação mais profunda de uma doença celíaca”, aponta a nutricionista.

Há cerca de um ano e meio, a Aline decidiu buscar atendimento médico justamente pela recorrência dos sintomas. “Antes do diagnóstico, eu busquei outra gastroenterologista, que fez alguns exames de sangue e constatou que eu era intolerante a lactose. Mas, mesmo cortando a lactose da alimentação, eu não melhorei. Foi aí que eu busquei ajuda, fiz endoscopia e diversos exames que mostraram a doença celíaca, com lesão, com amostras no sangue e também que era genético. A intolerância à lactose era apenas uma das consequências da doença na minha vida entre os outros sintomas que eu apresentava”, relata.

Diagnóstico

O procedimento de realização de exames, pelo qual a Aline passou, é o mesmo para todos os pacientes com suspeita da doença celíaca. Segundo a nutricionista Cynthia Ianiski, para investigar a doença, são utilizados alguns exames laboratoriais, como a determinação de anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase. A partir deles, é possível verificar se o paciente tem ou não a produção desses anticorpos contra o glúten. Também há os exames genéticos, HLA DQ2 e DQ8, que servem para identificar se a pessoa possui o gene necessário para o desenvolvimento da doença. “Com o resultado desses exames dando positivo, já temos a indicação que o paciente é celíaco. Para confirmar o diagnóstico, ele é encaminhado para um médico gastroenterologista, que fará a solicitação da biópsia. Se for verificada a perda de vilosidade intestinal, o diagnóstico está confirmado”, reforça.

Adaptação à nova rotina

O tratamento para o paciente celíaco é simples: a exclusão total de glúten na alimentação. A partir disso, ele terá a remissão dos sintomas, o intestino irá se recuperar e o organismo voltará a funcionar normalmente. Só que, para essa mudança, é preciso também contar com a disciplina do paciente, principalmente para quem consome muitos produtos a base de trigo. “No começo foi estranho, eu não sabia o que a doença celíaca era, não entendia a extensão da contaminação, das causas e consequências. Hoje, eu vivo com uma marmita, perguntando como alimento foi preparado e dificilmente como fora. Agora, eu vivo bem, aceitei a doença dentro das minhas possiblidades e aprendi a cozinhar tudo para mim e para quem vive perto de mim, para todos ficarem felizes e eu saudável. Todo dia eu preciso acordar sabendo o que vou comer, quanto tempo vou ficar fora e onde vou estar, para evitar ficar com fome e comer algo que possa estar contaminado”, conta a jornalista Aline Prestes.

A contaminação, aliás, é outro aspecto muito importante na vida do celíaco. Os produtos que contém glúten precisam ser armazenados em recipientes separados dos que não contém, assim como deve haver cuidado na preparação dos alimentos. O próprio farelo de um biscoito, por exemplo, pode fazer a contaminação do alimento sem glúten. A nutricionista explica que, caso isso ocorra, o celíaco sintomático apresentará sintomas graves. Mesmo no caso em que o paciente não apresenta os sintomas clássicos, ainda ocorre a lesão intestinal. Como a doença não tem cura, a pessoa pode controlá-la, mas a qualquer novo contato com o glúten, as complicações retornam.

Quem tem a doença celíaca também aprende uma tarefa essencial: saber identificar o glúten que está oculto nos alimentos. “É fundamental aprender a ler o rótulo dos alimentos sempre que for consumir um produto industrializado. O método de fabricação pode ter sido feito em ambiente contaminado. Então, por exemplo, um chocolate que é feito em uma indústria onde se produz bolachas vai conter glúten por contaminação e não deve ser consumido”, ressalta Cynthia.

Outras complicações

A pessoa celíaca poderá apresentar outros problemas decorrentes da falta de absorção de nutrientes. Um exemplo é a dificuldade para engravidar. Apesar da possibilidade de ser desenvolvida em qualquer fase da vida, a doença dificilmente será descoberta durante a gestação, porque uma mulher celíaca não diagnosticada e não tratada dificilmente conseguirá engravidar. “Se ela conseguir, poderá ter complicações na gestação e até mesmo abortos de repetição. Nesse quadro, podemos ter um sinal para investigação da doença celíaca. Por isso, é importante avaliar todos esses sintomas”, salienta a nutricionista.

Para auxiliar na recuperação do intestino e evitar outras doenças, o especialista pode inserir na alimentação alguns aminoácidos, como forma de suplementação, e também probióticos. Com isso, pretende-se aumentar a divisão celular no intestino e melhorar o microbioma intestinal, ampliando o número de “bactérias boas”. “É importante dizer que essas mudanças alimentares podem melhorar a saúde do paciente como um todo, porque estaremos retirando alimentos com baixo valor biológico e incluindo outros que desempenham funções benéficas no organismo. A vida do paciente celíaco, se bem orientado, pode se tornar muito melhor do que a de uma pessoa que se alimenta mal”, finaliza.

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