Diário da Manhã

Brasil e Mundo

Ataque global a computadores ainda é uma ameaça

Autor: Caetano Bortolini Barreto

Enquanto órgãos e instituições contabilizam os prejuízos, especialistas afirmam que novas versões do WannaCry estão em desenvolvimento

Na última sexta-feira (12), o mundo se viu novamente, depois de vários anos, sob ameaça de um colapso digital. Um malware (do inglês malicious software, ou programa mal intencionado) se espalhou por computadores de todo o mundo, fazendo com que grandes empresas e órgãos institucionais literalmente parassem, em um prejuízo que ainda está sendo contabilizado. Dados da Agência Brasil afirmam que aproximadamente 200 mil computadores foram infectados, em pelo menos 150 países.

O WannaCry, como foi chamado popularmente, é um ransomware, um tipo de malware que “sequestra conteúdo”, pois embaralha os dados por criptografia, e exige uma quantia em dinheiro para o resgate das informações. Programas e códigos utilizados para prejudicar o usuário não são novidade, tanto que quase todos computadores pessoais e empresariais contam com um antivírus instalado.

Conforme o doutor em Informática na Educação, e professor do programa de pós-graduação em educação da UPF, Adriano Canabarro Teixeira, existem vários tipos de malware, e que é um mal que faz parte do dia a dia. “Talvez esse acontecimento de sexta-feira nos ajude a pensar um pouco mais sobre essa questão”, refletiu Canabarro. E ele não é o único com essa linha de pensamento.

O vírus se espalhou por uma falha de segurança do Windows, sistema operacional da Microsoft, que por meio de uma nota divulgada no último domingo (14), levantou o alerta sobre a vulnerabilidade do sistema e, principalmente, a fragilidade da legislação e o pouco caso com que governos e instituições públicas e privadas do mundo todo tratam a questão da segurança digital. "É um cenário equivalente com armas convencionais, seria como o Exército dos EUA terem seus mísseis Tomahawk roubados", disse o presidente e diretor jurídico da Microsoft, Brad Smith, que na mesma nota afirmou que este é o maior “sequestro digital de dados” já ocorrido na história.

Grandes empresas na Espanha, além de hospitais da Inglaterra e até ministérios do governo russo foram prejudicados pelo WannaCry. No Brasil, o vírus atingiu o INSS e o Tribunal de Justiça de São Paulo, e o Ministério Público de São Paulo não confirmou qualquer dano, mas desligou seu sistema por precaução. Embora rápido, o estrago não foi tão grande. No Brasil, o INSS já voltou a funcionar normalmente, e afirmou que os dados dos segurados não foram afetados, e a emissora inglesa CNBC anunciou que os ataques resultaram em pouco mais de US$ 50 mil em resgate. O dano maior foi político, já que o presidente da Russia, Vladimir Putin, denunciou que a agência de investigação dos Estados Unidos, a CIA, seria responsável pelo malware. Brad Smith, da Microsoft, também considerou grave o fato dos serviços de segurança dos EUA terem conhecimento das falhas no Windows, e ainda por terem criado técnicas para explorar essas falhas.

Como se prevenir

Teixeira afirma que um usuário de computador experiente dificilmente tem problemas com esse tipo de ameaça. “Essas ações são fundamentais: manter seu antivírus atualizado, não abrir arquivos vindos de quem você não conhece, e manter seu Windows atualizado”, afirmou. Além disso, Teixeira também recomenda que as pessoas passem a criar uma rotina de gravar cópias de seus aquivos mais importantes, uma técnica chamada de backup. “Pode-se utilizar para isso um HD Externo, um DVD gravável, ou qualquer dispositivo de armazenamento externo, porque daí se você perder algo, for roubado, ou o seu computador for invadido por um vírus, você simplesmente restaura o backup em outro computador”, ressaltou Teixeira, que completa: “Essa é uma prática que muitas empresas adotam, e que nós, usuários comuns, não fazemos mas deveríamos fazer”.

Mas o doutor também lembra que, graças a novas tecnologias que expandiram o alcance da internet, essa ameaça hoje é muito maior, principalmente com o uso dos smartphones. “Vivemos um momento em que usamos computadores em espaços muito específicos, com programas muito específicos, como para editar meu texto, fazer o balanço da minha empresa, mas para o resto todo utilizamos o smartphone”, alerta. Os novos telefones celulares estão expostos a vários tipos de redes, seguras ou inseguras, que podem acabar disseminando programas maliciosos. “Então, se você está em um espaço, e tem uma rede wi-fi aberta que você desconhece de quem seja, é melhor utilizar o 3G do seu telefone”, recomendou Teixeira.

Alerta constante

A grande aceleração do ataque do WannaCry foi contida por um homem de 22 anos, Marcus Hutchins, que mora no Reino Unido, e que teria conseguido frear a disseminação do vírus ao descobrir acidentalmente um dispositivo de autodestruição contido no código do malware, um tipo de linha de codificação chamada de Kill Switch. O jovem, especialista em cibersegurança, ao analisar o código do programa, encontrou um endereço na internet que não existia. Como teste, ele comprou o domínio do site, e o vírus parou de se alastrar. Depois, em nova análise, descobriu que, antes de infectar um computador, o WannaCry fazia uma checagem da existência desse domínio, e se a resposta fosse negativa, o ataque continuava.

Porém, a ameaça está longe de acabar. O diretor de pesquisa global do Kaspersky Labs, Costin Raiu, comentou ao site The Hacker News que já existem novas versões do WannaCry.  "Eu posso confirmar que encontramos versões sem os domínios Kill Switch", reiterou Raiu. E como é de se esperar de uma comunidade em expansão, é muito provável que as novas versões sejam criadas por gente que não estava envolvida na primeira versão.

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