Diário da Manhã

Saúde

Sobre a primeira infância...

Autor: Fonte externa

Artigo escrito pela Psicanalista Luciana Oltramari Cezar

A primeira infância é um tempo precioso da vida. Um período fundamental e necessário de ser valorizado pelos adultos que têm a seu encargo tanto sua constituição, sua educação e a sua subsistência corporal. O desenvolvimento infantil não se dá de forma autônoma, só porque a criança cresce em centímetros ou quilos. Além de ter um equipamento neurológico e somático adequado, algumas condições devem acontecer para que se constitua enquanto sujeito. No momento do nascimento não existe ainda um ser humano, mas um organismo biológico com potencialidade humana. Cuidar de um bebê não é só trocar fraldas, dar banho, dar de comer. Isso é muito importante, mas não é tudo.

A constituição psíquica na infância, ligada ao reconhecimento de si, do outro e do mundo, se dá na intersubjetividade, na interação com as pessoas significativas e com o meio ambiente. Dependemos de outro ser humano para nos constituirmos, disso não escapamos. O bebê nasce como um organismo biológico imaturo e totalmente dependente dos cuidados de um semelhante para sobreviver. Nesse encontro com o adulto cuidador, há uma experiência de satisfação para além da satisfação das necessidades básicas, que deixa marcas profundas. Pelo despreparo básico que temos para enfrentar as tarefas de sobrevivência, algo radical acontece nesse intercâmbio inter-humano: a criança vai em busca da satisfação de necessidade e se encontra com o desejo do outro e o que se inscreve no psiquismo não é da ordem da saciedade da fome, senão que da experiência prazerosa que teve com esse outro primordial.

Quando consideramos a vulnerabilidade e dependência da criança vemos o compromisso que se assume principalmente com crianças dos 0 aos 3 anos. É um tempo onde se constroem as estruturações da afetividade, da inteligência, da socialização, da criatividade, do pensamento simbólico, o desenvolvimento de capacidades e aquisições instrumentais, que vão dar sustentação ao futuro. Entretanto, algo no desenvolvimento pode não estar andando bem e há sinais de sofrimento que podem ser observados através de um olhar atento e criterioso de quem atende essas crianças pequenas ou mesmo os bebês. Quando “algo não vai bem”, pode ser necessária uma intervenção no sentido de favorecer o desenvolvimento e a constituição. O laço mãe-bebê pode passar por entraves, de causas múltiplas, por dificuldades de um ou de outro, o que traz sofrimento para ambos, e isso por si só já justificaria uma intervenção precoce, pois pode acarretar transtornos ou atrasos no desenvolvimento. Essa dupla pode necessitar de cuidados especiais e de uma escuta sensível e profunda, de uma ajuda no sentido de favorecer o vínculo e a constituição. Esse é um trabalho de promoção de saúde mental e prevenção primária fundamental.

Detectar sinais de sofrimento e de que algo não vai bem não é o mesmo que fazer antecipação de sintoma, ou diagnosticar precocemente. Embora seja importante uma operação diagnóstica criteriosa, em psicanálise infantil trabalhamos com hipóteses diagnósticas para termos uma diretiva na intervenção, mas a cada tanto reavaliarmos as hipóteses porque estamos em plena infância, e porque as crianças respondem bem e tem muita abertura ao nosso trabalho. O importante nesse processo é observar que respostas ela dá às intervenções, levando em conta também as noções de plasticidade neuronal e da epigenética. Não há ainda na infância uma definição fechada de estrutura, mas um funcionamento psíquico num tempo de constituição, de modo que, por exemplo, “estar” com um funcionamento com traços autísticos não necessariamente é “ser” autista. Uma aposta de podermos dar um encaminhamento que não o de um determinismo diagnóstico como uma sentença para toda vida. Por isso, a primeira infância é um momento precioso e preciso de intervenção, antes que se fixem certos modos de estruturação.

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