Diário da Manhã

Saúde

Entender para respeitar

Autor: Aline Prestes
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Foto: Divulgação

Endometriose acomete mais de seis milhões de brasileiras que sofrem de cólicas abdominais e insegurança sobre possível infertilidade

Doença multifatorial que acomete cerca de seis milhões de brasileiras, a endometriose causa intensa cólica abdominal durante a menstruação. De 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolvê-la e 30% tem chances de ficarem estéreis de acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

O endométrio é um tecido que reveste toda a parede interna do útero e a sua espessura varia ao longo da menstruação se preparando para uma gestação, conforme explica a médica ginecologista e obstetra, Eliana Lodi. “Assim, quando inicia o ciclo ele cresce esperando a implantação de um embrião, se a mulher não engravida, ele descama e vai embora em forma de menstruação” fala.

A endometriose acontece quando o endométrio começa crescer fora da cavidade uterina, nas trompas, ovários, ligamentos uterinos, bexiga, intestino e existem alguns relatos onde foram encontrados focos no pulmão e na mucosa do nariz. “Esse tecido fora do lugar cresce e se desprende mensalmente, podendo acontecer de várias maneiras, por exemplo, em um ponto do ovário ou começar menstruar dentro do órgão. Isso gera um acúmulo dentro do abdômen e acaba provocando processos inflamatórios na pelve” aponta Eliana.

Apesar de milhões de mulheres serem portadoras da doença, suas causas ainda não são totalmente conhecidas, embora existam diferentes hipóteses que tentem explicar como ocorre o problema no corpo. “A mais aceita na comunidade médica é a teoria da menstruação retrógrada, fenômeno que faz com que o sangue da menstruação, em vez de sair pela via habitual, caia para dentro da trompa e vá para a pelve. Ao longo do tempo, seguindo esse ciclo, essas células vão se implantando e desenvolvendo focos de endometriose na pelve. Ainda, são citadas teorias ligadas com disseminação linfática em que as células entrariam no sistema linfático ou a também a possibilidade de nascer com algum grau da doença” descreve a ginecologista.

Entre os sintomas da doença o mais conhecido ainda é a cólica menstrual muito forte, porém, dependendo da progressão da doença a paciente pode começar ter dores na barriga e na relação sexual. “Se não controlada a endometriose torna os desconfortos cada vez mais constantes. Apesar desses casos seguidos de dor, existem pacientes assintomáticas que o único sintoma é a dificuldade para engravidar” diz Lodi.

Da mesma forma que as causas não são totalmente conhecidas, o diagnóstico ainda é um desafio para a medicina. Alguns exames de sangue podem sugerir a presença da endometriose ou, conforme o estágio da doença, pode ser visível no ultrassom. “Ainda o exame padrão ouro para o diagnóstico é a videolaparoscopia que é um procedimento cirúrgico, o qual necessita de internação e anestesia”, aponta a médica.

A endometriose não tem cura, tratamentos podem combater os focos e praticamente anular os sintomas como anticoncepcionais que barram a ação do estrogênio são frequentemente prescritos, apesar de não serem criados originalmente para esse fim. Há também remédios mais específicos, que simulam a ação da progesterona no controle do endométrio. “O melhor tratamento para doença ainda é o cirúrgico, a ressecção desses focos, as vezes sendo necessário ressecar parte da bexiga, do intestino em razão do grau da doença. Entretanto, é essencial individualizar o tratamento ideal para cada paciente” ressalta Eliana.

A volta por cima

A advogada Dariele Da Silva Bilibio, descobriu a endometriose há seis anos, após apresentar uma cólica menstrual fora do normal e com dores cada vez mais intensas ela começou procurar o que poderia causar tanto desconforto. “Nenhum analgésico resolvia, o fluxo menstrual era muito intenso, passei por sete médicos diferentes e nenhum confirmava o diagnóstico” conta ela.

Após encontrar um ginecologista que confirmou seu diagnóstico Dariele, testou formas para controlar a doença, fazendo uso de diversos medicamentos existentes no mercado, incluindo a videolaparoscopia. “O diagnóstico mudou totalmente a minha vida, porque descobri ter uma doença incurável e que a tendência era apenas evoluir. Foi difícil, entrei em depressão e só chorava. O efeito da cirurgia durou apenas dois anos, depois desse prazo a doença voltou a evoluir” diz.

Dariele investiu em diversos tratamentos alternativos visando o controle dos sintomas. “Apostei na fisioterapia, que busca o fortalecimento do assoalho pélvico para controlar a dor, desconforto, inchaço e cólicas. Realizei também pilates, acupuntura, massagem, psicoterapia visando uma melhor qualidade de vida” salienta ela.

Neste ano, a advogada iniciou um novo tratamento, uma injeção que deveria ser aplicada a cada três meses, com efeito de menopausa no organismo. “Eu fiz uma dose, e estava pensando em fazer outra, mas acabei descobrindo que engravidei neste período. Eu tinha muito medo da infertilidade, que é uma das complicações da endometriose. Porém, melhorei 90% dos sintomas, a gravidez estabiliza a doença, isso mudou toda minha perspectiva” finaliza ela.

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