Diário da Manhã

Saúde

A violência urbana invade os espaços de trabalho: e agora?

Autor: Fonte externa

Escrito por Claudia Piccolotto Concolatto, Psicanalista, Membro da Comissão de Ensino e Coordenadora do Núcleo de Trabalho e Subjetividade do PROJETO – Associação Científica de Psicanálise

O convívio com notícias e episódios de violência é diário. Hoje, vou me deter em um tipo específico de violência: a violência urbana que invade o espaço de trabalho. Houve um tempo, em que se sabiam quais profissões estavam mais suscetíveis a este risco. Entretanto, na atualidade, os episódios de violência urbana, como assaltos, sequestros e inclusive homicídios, além de serem cada vez mais brutais, ocorrem em lugares onde se acreditava que o trabalhador não estivesse exposto a este risco.

A violência urbana se ampliou dos grandes centros também para o interior. Munícipios muito pequenos, com 4 mil, 6 mil, 10 mil habitantes tem figurado nas estatísticas da violência. Cordão humano, reféns, armas de grande potência fazem parte deste cenário. Acontecimentos como estes causam profundo sofrimento e atacam a saúde mental. Sabemos por que vivemos isso na pele e/ou como espectadores, porém, nem sempre nos damos conta que este tema interessa a todos que trabalham com a saúde. Ademais, a frequência com que a violência ocorre pode nos causar a sensação de que é “normal”, e desta forma, estamos sob o risco de banalizar as consequências que tais episódios podem ter para todos os que vivem, testemunham ou sentem a ameaça cotidiana de serem surpreendidos por um evento como os que descrevi.

A violência urbana é um problema de segurança nacional, e adoece as pessoas em larga escala. Ao vivenciar um episódio violento, o psiquismo é invadido por um excesso, e muito pouco pode fazer para defender-se. Ainda que toda a situação de violência tenha um caráter traumático, o local de trabalho parece um ambiente improvável para essas ocorrências, o que acentua o estado de despreparo para o que ocorre. Afinal, quando um sujeito trabalha, concentra sua energia psíquica naquilo que precisa produzir e resolver. Este despreparo caracteriza o trauma por excelência.

Identifico que, muitas vezes, as empresas estão tão despreparadas quanto os sujeitos para enfrentar tal realidade. Resta uma sensação de desconfiança e de abandono em relação ao Estado a quem cabe a responsabilidade pela segurança dos cidadãos. Este por sua vez, ainda que faça esforços, encontra dificuldade para fazer frente a tal realidade. A violência urbana é, portanto, um problema social. Diz respeito a todos nós. Urge produzirmos conhecimento sobre estes fatos, nos dedicarmos a problematizar o que ocorre e auxiliar no fornecimento de informações que criem políticas, tanto na esfera pública, como para as próprias empresas. Estas últimas, deparam-se com trabalhadores necessitados de apoio para dar conta de um evento que marca não somente sua vida pessoal como sua relação com o trabalho e com a profissão que exerce.

Afora isso, é preciso compreender que o trabalho passa a ser um ambiente permeado por susto, medo e angústias em relação à própria integridade e à dos colegas. Portanto, não podemos perder de vista que, trabalhar sentindo-se exposto a tamanha insegurança e violência acarreta dificuldades para produzir bem e experimentar o conforto necessário para resolver os problemas do trabalho. São muitos os destinos que uma situação traumática pode ter na vida. Por isso, ter um espaço de fala e de acolhimento, é poder trabalhar na elaboração do ocorrido, na tentativa de minimizar os riscos e os prejuízos tanto no cotidiano quanto na vida psíquica.

Comentários

Galerias de Fotos

Anuncie Aqui

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
AD-5167 Azul / Trip 06:55:00 Campinas Sextas
AD-5165 Azul / Trip 07:00:00 Campinas segunda a quinta e sábado
AD-5139 Azul / Trip 12:40:00 Campinas domingos às sextas

Baixe o Aplicativo do Jornal

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027