Diário da Manhã

Saúde

Uma das principais formas de prevenção contra o câncer ginecológico ainda enfrenta resistência

Autor: Daniele Freitas
Uma das principais formas de prevenção contra o câncer ginecológico ainda enfrenta resistência
Foto: Divulgação

Só em 2015, o câncer ginecológico foi responsável por mais de 13 mil mortes no Brasil

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação na oferta de vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) para meninos de 11 a 15 anos incompletos. Isso tornou o Brasil o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina contra o HPV para esses jovens em programas nacionais de imunizações. Além desse grupo, a oferta também foi ampliada para a cobertura de homens e mulheres transplantados e pacientes oncológicos em uso de quimioterapia e radioterapia. A medida inclui ainda cerca de 200 mil crianças e jovens, de ambos os sexos, de 9 a 26 anos vivendo com HIV/AIDS. O governo se esforça no combate ao HPV, mas mitos e desinformação em relação à vacina geram resistência na adesão da imunização, que é uma das principais formas de prevenção do câncer ginecológico. Conforme dados do DataSUS, só em 2015, a doença matou mais de 13 mil mulheres no Brasil e mil no Rio Grande do Sul.

A vacina também é ofertada para meninas de 9 a 15 anos, desde 2014. A inclusão dos meninos na campanha é para aumentar a proteção de meninas. A meta para 2017 é vacinar 80% dos 7,1 milhões de meninos de 11 a 15 anos e das 4,3 milhões de meninas entre 9 e 15 anos. Os jovens precisam tomar duas doses da vacina quadrivalente, com um intervalo de seis meses entre as doses, para ficarem protegidos contra os quatro tipos mais comuns do vírus.

O principal câncer secundário ao HPV é o do colo do útero. Mas os cânceres de vulva, da vagina, do ânus, do pênis e da boca e garganta também são causados pelo Papilomavírus. Conforme o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN) e diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dr. Alvaro Machado, a vacina quadrivalente protege contra quatro subtipos de HPV, dois dos quais são altamente carcinogênicos. “Reduzindo a incidência de infecção pelo HPV, reduz, por consequência, o desenvolvimento do câncer secundário ao HPV”, explica.

A ampliação da oferta da vacina é um avanço importante no combate ao HPV. “A ampliação de indicação visa proteger uma população que é mais sensível aos efeitos do vírus devido à imunossupressão do tratamento ou da doença de base. É importante salientar que o candidato à vacina deve ser negativo para os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV”, informa o oncologista.

Entre as principais formas de prevenção está a vacinação contra o HPV. “A vacina deve ser dada a quem não teve contato com o HPV ainda. A faixa etária de 9 a 15 anos tem mínima chance deste contágio, sendo maior o sucesso de imunização. Se conseguirmos universalizar a vacinação contra HPV, será interrompida a sua disseminação, o desenvolvimento da infecção e do câncer”, destaca.

Mitos e desinformação

Mesmo sendo disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nos postos de saúde, a adesão do público-alvo nas campanhas de vacinação é um dos principais desafios e causas do elevado índice de vacinas a vencer, segundo o Ministério da Saúde. Dados divulgados pelo órgão apontam que, em agosto, há um estoque de 231 mil vacinas de HPV para vencer. Até 2018, o estoque de vacinas a vencer deve chegar a 1,6 milhão de doses. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) considera aceitável a perda de até 5% das vacinas distribuídas aos postos de vacinação, em função de condições logísticas e operacionais.

Para o oncologista do CTCAN, a falta de adesão é consequência de mitos e desinformação em relação à vacina contra o HPV. “Na internet, vemos inúmeras baboseiras sobre vacinas. As vacinas são seguras, testadas em milhares de pessoas e, hoje, já administradas a milhões de indivíduos no mundo todo. A Austrália, primeiro país a disseminar o uso da vacina contra o HPV, reduziu os cânceres de colo uterino em 50%”, revela. Estudos internacionais recentes também indicam a eficácia da vacina na prevenção das infecções pelo HPV. Uma pesquisa norte-americana aponta que a vacinação nos Estados Unidos resultou na queda de 88% da infecção oral por HPV.

Os resultados positivos da imunização contra o HPV serão sentidos a longo prazo. “Estamos vacinando a geração mais jovem para reduzirmos drasticamente a incidência de câncer do colo uterino, vagina, vulva, pênis e ânus daqui a 15 ou 20 anos”, estima o oncologista clínico do CTCAN. O médico ressalta ainda que para se prevenir contra o câncer ginecológico as mulheres devem fazer exame ginecológico anualmente, além do Papanicolau.

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