Diário da Manhã

Saúde

Entre Pais e Filhos

Autor: Fonte externa

Escrito pela Psicanalista, Membro da Comissão de Ensino do PROJETO – Associação Científica de Psicanálise, Cristiane Schimbeck

“É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente. Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal? Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça..       Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros”. (Affonso Romano de Sant`Anna)

Como pais, gestamos sonhos, projetamos neste ser que vai nascer nossos desejos, como se ele viesse ao mundo com a tarefa de realizar o que não fizemos ou não nos tornamos. Atribuímos todas as perfeições aos nossos filhos ? o que um observador neutro nelas não encontraria ? e ocultamos e esquecemos todas as suas deficiências, nos diz Freud em seu texto “Introdução ao Narcisismo”.

Nesse sentido, Freud se refere ao amor dos pais pelos filhos como narcísico. O amor dos pais, tão comovedor e no fundo tão infantil, nada mais é senão o narcisismo dos pais renascido. Buscamos, no olhar dos filhos, o reflexo da imagem idealizada de nós mesmos.

Mas eles crescem e aparecem. Enxergam o mundo de outra forma, buscam outros ídolos, novos heróis. Percebemos que já não somos tão importantes assim. Começam os confrontos e questionamentos. Confrontar implica correr riscos, suportar a divergência e a possibilidade de, mesmo estando juntos, pensarmos distintos. Envolve, como pais, suportarmos que nossos filhos façam suas escolhas e que toleremos suas imperfeições, bem como reconheçamos nossos limites.

O verdadeiro convívio implica em lidarmos com as particularidades, respeitarmos as diferenças, escutarmos sem impor nossos próprios valores, sairmos de nós mesmos para darmos espaço para o outro, para o novo, suportando as incertezas, pois não temos todas as respostas. Abrirmos mão do verso antigo - sei exatamente o que você pensa, como é o que você está vivendo, porque já passei por isto - é admitirmos que a experiência de nossos filhos é única e que embora tentemos nunca compreenderemos perfeitamente o que eles pensam, sentem ou desejam. Buscarmos novas trilhas para velhas canções: isto está intimamente ligado ao exercício da liberdade, que implica a responsabilidade e a possibilidade de uma vida criativa.

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